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Japão: O que fazer com seus eletrônicos usados?

Linha de desmontagem de TVs no Metec: uma fábrica ao contrárioEm tempos de aquecimento global, o que fazer com seus grandes eletrônicos usados que quebraram ou foram substituí­dos? Jogar fora está fora de questão, pelo menos no Japão. Uma lei local obriga os fabricantes de utensí­lios domésticos e eletrônicos a dar um jeito de reciclar pelo menos parte dos componentes utilizados nos dispositivos maiores (ou mais poluentes).

A Panasonic mantém o Metec, Matsushita Eco Technology Center, no subúrbio de Osaka, para reciclar quatro grandes produtos problemáticos ao meio ambiente: televisores, máquinas de lavar roupa, aparelhos de ar-condicionado e geladeiras. Ao mesmo tempo, a companhia mantém no Metec um centro de pesquisa e desenvolvimento para estudar a aplicação dos materiais reciclados em novos produtos e tecnologias e avaliar como criar novos produtos que sejam cada vez mais fáceis de reciclar e de desmontar.

O Metec (inaugurado em 2001) é uma fábrica de eletrônicos ao contrário. Em vez de montar coisas novas, desmonta-se tudo em “linhas de produção” para cada produto distinto, com a intenção de reaproveitar o máximo que puder. Como o tubo de vidro das TVs convencionais (que já diminuiu bastante em largura em relação a 20 anos atrás), o compressor das geladeiras, o plástico usado na carcaça de uma máquina de lavar roupa. Quase tudo é reaproveitado, e há um grande controle sobre para onde vão os gases presentes em uma geladeira ou ar-condicionado.

Segundo a Panasonic, os ciclos de produtos se alternam durante o ano. O pico de recebimento de TVs é em dezembro, época de festas em que muita gente troca de aparelho. Geladeiras e ar-condicionados têm seu auge no verão japonês, e o único produto “estável” são as máquinas de lavar roupa, constantes durante todo o ano.

Para reciclar seus produtos, o consumidor japonês deve procurar uma loja (preferencialmente aonde ele comprou o produto). O fabricante e a loja têm de ir buscar o equipamento e levar para o centro de reciclagem.

A pesquisa de novos produtos agora está bastante focada nas TVs de plasma e LCD, que em breve começarão – pelo menos no Japão, claro – a chegar aos centros de reciclagem. Por isso, desenvolver produtos novos que sejam fáceis de desmontar e que possam ser reciclados ao máximo é prioridade para a Panasonic. Não é í  toa que eles gostam de dizer em sua fábrica de painéis de plasma que de uma única “mother glass” saem até seis painéis, sem sobras, rebarbas ou restos. É o máximo esforço para evitar poluição e danos ao meio ambiente.

A Panasonic também tem um plano para reduzir suas emissões de carbono na atmosfera. Até 2010, a empresa quer reduzir 300 mil toneladas de CO2 na atmosfera – atingindo ní­veis iguais ao ano 2000 (quando foram emitidas 361 milhões de toneladas na atmosfera; em 2006 foram 389 milhões). Isso faz parte de um plano chamado GP3, com três iniciativas-chave para o meio ambiente:

  • “eco-idéias” para a fabricação, que envolve o Metec, o aumento de produtividade nas fábricas e o aumento da conservação de recursos e redução de resí­duos.
  • “eco-idéias” para produtos, desenvolvendo novos produtos que ajudem a economizar energia e usem materiais reciclados ou que não danifiquem a natureza (como lâmpadas mais econômicas e máquinas de lavar que consomem menos água sem perder desempenho)
  • “eco-idéias” para tudo e todos, co-existindo com a natureza, apoiando projetos internacionais de conservação ambiental em todo o mundo (incluindo apoio ao WWF e í  preservação de rios na China, entre outros).

O interessante disso tudo é que, mesmo sem centros de reciclagem pelo mundo (afinal, esse tipo de lei só existe no Japão e poucos locais da Europa e EUA), a Panasonic quer pular na frente da concorrência ao vender produtos ambientalmente limpos. Ponto pra eles, que saem na frente. Seria muito mais interessante ver projetos de lei similares no Brasil, ou ao menos uma iniciativa dos fabricantes locais para criar centros de reciclagem de grandes equipamentos eletrônicos. Afinal, a TV digital está aí­ e em breve muita gente vai começar a trocar seus equipamentos antigos por novos.

No ví­deo acima, algumas fotos do Metec e, no final, uma tela que mostra, em tempo real, o que acontece dentro de uma moedora de tamanho industrial, que “come” os restos de uma geladeira em torno de 20 segundos.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin