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Pensamentos sobre o iPhone X

Passei um tempo com o iPhone X. Em resumo, é incrível, mas… bem, veja só.

Passei quase um mês com o aparelho na cor Prateado com 256 GB internos no final do ano (para um review mais completo para o Link, que não foi publicado ainda – acho – e foi devolvido pra redação do jornal, de onde já deve ter voltado para a Apple).

Aqui vão minhas considerações adicionais sobre o até então smartphone mais caro do mercado brasileiro (os preços começam em R$ 6.999).

iPhone X: hot

A testa (reações variadas)

A testa, essa aberração que interfere na interface gráfica, esconde a coisa mais legal em smartphones nos últimos anos: os sensores para desbloqueio facial (FaceID, em linguagem Apple). Já falei que interfere na experiência de uso, esconde ícones, complica a vida de quem está acostumado ao padrão iOS?

O FaceID, por seu lado, é rápido, funciona em qualquer lugar, no claro, no escuro. Já achava o reconhecimento de íris do Samsung Galaxy Note 8 incrível, mas o FaceID é surpreendentemente bom e muito mais rápido.  Pena que, para tanto, parte da interface gráfica seja corrompida. De qualquer modo, você se acostuma com ela, fica como um charme extra, como a pinta.

A ausência do botão frontal é muito bem-vinda. Me acostumei rápido a desbloquear a tela “puxando pra cima” e me vi fazendo isso no Android 🙂 Gestos >>> botões.

O tamanho

A Apple não foi a primeira a fazer aparelhos quase sem bordas na tela, mas quando fez (apesar da testa), fez direito. O iPhone X tem uma tela grande de 5,8″ em um corpo compacto, comparável ao de um iPhone 7 ou 8 convencionais. Gostei muito disso.

A câmera (yaaay!)

A Apple sabe fazer câmeras. O modo duplo do iPhone X só melhora o que já era bom no iPhone 7 Plus (e imagino ser bom no iPhone 8 também). Só ver na meia dúzia de fotos legais que estão aí embaixo.

iPhone X: not

O calor

Pode ter sido uma amostra de testes com problema.

Pode ter sido problema de interface usuário-máquina (eu).

Mas o iPhone X esquenta de uma forma diabólica e inesperada: tirando fotos em modo Retrato e jogando (nem pense em usar alguma coisa em Realidade Aumentada e não aguentarás mais que alguns minutos). Não percebi o fenômeno assistindo a vídeos no YouTube (mas parece ser algo comum).

Nagano me emprestou sua câmera térmica Flir para eu tirar a prova. As imagens falam tudo.

Aqui em operação normal, visto de frente (parece ser uma temperatura alta, mas um Galaxy S8+ era comparável na mesma situação).

O problema mesmo era atrás, na região próxima à câmera. Confirmei as medições com um termômetro infravermelho.

Aqui, após fotos em modo Retrato:

E mais um pouco de uso da câmera:

Aqui, após usar um game em Realidade Aumentada (não é o de peidos, ok?)

44 graus Celsius é insuportável, para largar o aparelho na mesa. Provavelmente é onde fica a GPU do iPhone X e o acabamento do aparelho em aço inoxidável não ajuda muito a dissipar o calor. Felizmente, após parar de usar, o smartphone volta à temperatura normal rápido. Suei só de escrever esse trecho e lembrar do telefone quente.

O carregador

O iPhone em sua última geração (8, 8 Plus) traz duas coisas importantíssimas em relação ao modo de recarregar a bateria – ambos já conhecidos de velho tempo do mundo Android: carga rápida e carga sem fios.

No caso de carga sem fios, a Apple adotou o velho, conhecido e bom padrão Qi – o que é ótimo, um impulso pra essa tecnologia pegar de vez.

Mas o iPhone X não vem com um carregador sem fios na caixa. Tudo bem, nem os Androids vêm.

Na carga rápida, o buraco é mais embaixo. O iPhone X vem com sua velha tomadinha básica de… carregamento lento!

Se você quiser carga rápida, precisa comprar um cabo específico e um carregador específico. Para o smartphone mais caro do mercado e com um consumidor exigente, isso é inadmissível. Até o Asus Zenfone 2 vinha com um na caixa, e isso porque ele não era caro nem high-end.

Em resumo:

É um iPhone lindo, que tira fotos incríveis e esquenta demais. Vale o que pedem? Pensando no “mercado paralelo” de iPhones – que mantém um valor alto de revenda mesmo anos após seu lançamento – vale a pena sim. E faça a clássica conta de “compro aqui” ou passo uns dias em Miami com toda essa grana e ainda trago um iPhone X?

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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