iPhone 4S: Apple entra em modo de manutenção (e isso é bom)

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O iPhone 4S nasceu hoje, pelas mãos do novo pai Tim Cook, em um evento povoado por executivos da Apple (não que fosse muito diferente em tempos de Steve Jobs). Nenhuma diferença grande notável em design, algumas alterações internas e a chegada do iOS5 tornam o aparelho interessante para quem não tem nenhum iPhone – e os modelos anteriores, incluindo o 3GS e o 4, continuam à venda.

Em uma comparação muito longe e distinta, dá para pensar que a Apple age com os iPhones do mesmo modo que a Intel em ciclos de chips de computador: um ano é inovação, no outro é a atualização da plataforma (no que a Intel chama de estratégia “tick-tock”). Ano passsado, com o iPhone 4, foi o ano da inovação, com novo design (“tick”). Em 2011, com o iPhone 4S, é a atualização (“tock”). Inovação? iPhone 5? Esperem 2012.

A atualização, claro, é bem-vinda. Câmera nova de 8 megapixels, com abertura de lente f/2.4, quer dizer, na prática, que é um smartphone pronto para tirar fotos boas no escuro. E faz vídeos em alta definição, puxando a concorrência para o formato 1080p (atualização: o Galaxy S II já faz isso). Processador A5 dual-core, o mesmo usado no iPad, vai deixar tarefas mais rápidas, games e até mesmo o ato de fotografar.

O iOS 5, que chega dia 12 de outubro, porém, é mais revolucionário que o próprio iPhone 4S. São mais de 200 novos recursos – muitos deles “inspirados” em concorrentes como Android (vide as novas notificações)  -, melhorias como as abas no navegador Safari e, principalmente, acesso ao iCloud.

Venho usando alguns recursos beta ainda no iOS 4.3 (no iPad e no iPhone 3GS) e a sincronização de tudo promete ser o grande ponto forte do sistema operacional – hoje tenho todos meus apps instalados (ou não) a um clique na App Store. Levar isso para fotos entre dispositivos vai ser um baita passo legal (lembrando que o Google + faz algo similar no Android). E outra grande novidade é o sistema de comandos por voz Siri, infelizmente apenas em inglês, francês e alemão. É um salto em relação ao que o Google já faz bem com a busca por voz no Android.

Outro fato notável é a continuidade dos modelos antigos do iPhone em linha, agora mais baratos. Eu migrei para o iPhone 3GS quando o iPhone 4 estava sendo lançado, e ambos continuam à venda.Vale lembrar que nem Tim Cook ou qualquer outro figurão da Apple citou aparelhos mais baratos produzidos no Brasil. Sabe quando vamos descobrir que (e se) existem mesmo esses aparelhos? Só quando chegarem às lojas em algum momento desse ano.

No fim das contas, a atualização de plataforma do iPhone serve como mais um empurrão para os concorrentes melhorarem ainda mais seus sistemas. Android vem puxando forte a concorrência com recursos e diferenciais, Windows Phone 7.5 promete bastante aquecer esse mercado no final do ano (e confesso minha ansiedade para usar um) e mudar um pouco o jogo.

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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