Internet Explorer 9 beta: vale o download?

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O navegador novo da Microsoft teve o beta lançado na semana passada. Mas será que é mais do mesmo ou realmente mudou alguma coisa?

Para determinar se houve efetivamente alguma mudança, usamos por quase uma semana o navegador. Como se trata de um beta, nos fixamos principalmente nas novas funcionalidades do programa.

A primeira coisa que chama a atenção é a velocidade. A mudança foi dramática. Imagine o salto que o Windows Vista deu em relação ao Windows 7. É mais ou menos essa a magnitude da melhoria de desempenho. Agora, usar o IE é tão confortável quanto usar o Chrome ou o Firefox.

Como utiliza os recursos da placa de vídeo de forma nativa, as telas rolam de forma fluida, os vídeos ficam mais leves, a experiência de uso realmente melhora.

Como voa baixo, a experiência de uso com o IE 9 é muito boa. Sites demorados, especialmente com HTML 5, rodam bem mais suave. Jogos que rodam com plugins também foram tranquilamente rodados.

A barra de endereços também ficou muito mais enxuta. Esse avanço de usabilidade é o ponto mais importante do IE 9. Há o botão de voltar, o de avançar, a barra de endereços, que funciona como a do Chrome, pois incorpora a pesquisa, o botão de compatibilidade, reload e fechar. E só. As abas ficam ao lado da barra, não ocupam lugar verticalmente, sendo especialmente interessantes quando usadas com netbooks. Já percebeu o parto que é usar o Chrome ou o Firefox em uma máquina com pouca resolução?

A grande sacada da Microsoft foi dar atenção à usabilidade ao mesmo tempo que otimizou o código do browser. Para começar, o IE 9 praticamente pega o usuário pela mão e explica o que pode ser feito. Por exemplo, se o usuário clica em uma daquelas malditas barras de anúncios, que ficam residentes no topo da página, o IE 9 avisa que esse recurso pode estar atrapalhando e se oferece para desligá-lo. Para os usuários de elite, isso é óbvio, mas para o usuário comum, que só usa IE no computador porque não sabe que tem outros navegadores, é uma benção.

Finalmente o IE tem uma tela de gerenciamento de downloads separada, como no Chrome. Era muito chato ficar procurando o que vinha pela barra do Windows.

Outra mão na roda é a possibilidade de arrastar um endereço da barra superior e deixá-lo residente na barra inferior do Windows. Se o webmaster quiser, ele pode programas atalhos específicos para o site, que aparecem quando se clica com o botão direito. É uma solução elegante para sites de uso contínuo, e muito fácil de usar. Quando o site tiver programação específica para ser integrado dessa forma, novas funções podem aparecer, como controles de vídeo ou atalhos específicos.

O IE 9 também é bem mais esperto no posicionamento da janela. Por exemplo, para trabalhar com duas janelas, lado a lado, é só arrastar uma para o canto superior esquerdo, outra para o direito e pronto, tudo fica organizado. É claro, dá para fazer isso no braço, mas o foco é o usuário  comum, que não faz ideia de tudo o que o sistema oferece.

Mas nem tudo é perfeito no IE 9. Por ser beta, ele ainda dá algumas engasgadas, especialmente em formulários e publicadores de blogs. O bacana é que, como o Chrome, ele “lembra” da página em que estava quando travou e a devolve em primeiro plano depois que se recupera.

É bom lembrar que o grande passo da Microsoft com o IE 9 é aproximar do usuário comum recursos e navegação que quem já usa o Chrome ou o Firefox já tem hoje. Em vez de estensões, que complicam a vida do cidadão comum, foi feita uma aposta em um programa modular, um faz-tudo capaz de entregar uma experiência melhor de web.

Como a maioria das pessoas não se anima de trocar de browser, é bom que o browser padrão do sistema esteja alinhado com o seu tempo. E o IE 9 alcançou os concorrentes nesse quesito, e possivelmente iniciou uma nova corrida para determinar quem vai superar os demais como browser mais rápido.

O beta do Internet Explorer 9 pode ser encontrado em http://ie.microsoft.com/testdrive/. Na página, além do beta, estão vários exemplos de como o IE 9 lida com diferentes atributos presentes na web. É claro que foi tudo escolhido a dedo para privilegiar as habilidades do IE – por exemplo, no FishIE, a diferença de performance é absurdamente alta.

A surpresa mais grata foi a possibilidade de rodar o IE9 em 64 bits. A versão do IE anterior em 64 bits era péssima. Agora, rodar em 64 bits não é mais problema.

Muito menos traumático que a primeira versão do Chrome, o IE 9 tem um tremendo potencial pela frente. Além de mostrar uma nova fase da Microsoft, que decidiu aprender com os concorrentes e dar mais ouvidos aos usuários, o navegador é efetivamente bom de usar. Talvez em uma ou duas versões o beta fique exatamente como os outros navegadores, e aí, a briga vai ser boa. Recomendado.

Sobre o autor

Jô Auricchio, editor convidado

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