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Intel vitamina sua marca no Brasil

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Do “eu mereço” para os “apaixonados pelo futuro”, a Intel mais uma vez reinventa suas formas de comunicação com o mercado consumidor. Até ressuscitaram o Bunny Man, olha só. Mas desta vez, o computador sai de cena para destacar os mais de 80 mil funcionários da companhia no mundo todo.

Batizada de Apaixonados pelo Futuro, essa campanha tem como objetivo mostrar para o grande público os valores e atributos da empresa e seu compromisso na construção de um mundo melhor na forma de novas tecnologias combinadas com inciativas verdes e de responsabilidade social.

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Segundo Elber Mazaro, diretor de marketing da Intel (foto), o público-alvo dessa campanha institucional são os chamados Essencialistas, pessoas consideradas não entendidas no assunto (como aquele amigo/colega/parente que “manja tudo de computador”) e que pensam em adquirir seu primeiro computador. A idéia dessa campanha é de criar uma empatia (ou boa impressão) entre esse público e a marca da empresa, de modo que ele seja a primeira a ser lembrada quando o assunto for tecnologia, seja ele um PC, celular, set-top box etc.

Essa iniciativa faz parte de uma campanha global da Intel intitulada Intel Sponsors of Tomorrow, que no Brasil virou Intel Apaixonados Pelo Futuro. A campanha foi lançada em em seis países (EUA, Alemanha, Japão, Brasil, China e Índia), sendo que o Brasil é uma das geografias onde a campanha está sendo mais diversificada, contando até com um anúncio de rádio – mídia que não foi usada em nenhuma outra parte do mundo.

Uma das peças mais curiosas dessa campanha é o filme Intel Star, cujo protagonista é Ajay Bhatt (na verdade, um ator que faz o papel de Ajay), co-inventor da tecnologia USB. A versão em português pode ser vista no site local.

Além disso, a Intel ressuscitou o personagem “Bunny Man” que, ao contrário do palhaço do McDonalds não será uma personalidade e sim uma real representação dos funcionários da empresa. Ele será usado em cartazes, anúncios e até poderá até aparecer em carne e osso em ocasiões especiais.

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Pode parecer estranho que num país como o nosso onde Intel é praticamente sinônimo de computador a empresa invista numa iniciativa desse tipo. Mazaro explicou que por se tratar de uma campanha global, em locais onde a empresa teoricamente “não vai bem” ela pode ser um remédio, enquanto em que em outros locais como no Brasil onde a Intel vai bem ela pode ser uma “vitamina”, uma oportunidade de fortalecer ainda mais a imagem na companhia, principalmente numa época em que tantas corporações tiraram seu time de campo na mídia.

Quando questionei se essa campanha não poderia sair do controle na forma de integradores e lojas que se escondem atrás da marca da Intel para vender computadores da marca Intel “Core 2 Quad” cujo padrão de construção/qualidade não tem nada a ver com o pessoal de Santa Clara, Mazaro reconhece que isso pode ser um risco, mas ele acredita que esse caso pode ser resolvido por meio de educação do mercado. Ao mesmo tempo, a empresa no Brasil está abrindo diversos canais de comunicação com o público como blogs, Twitter etc. de modo que ela tem condições de esclarecer o público caso seja necessário.

No geral, acho a iniciativa interessante, mas, na minha opinião, no caso do comercial o pessoal de Santa Clara poderia ter convocado Knut Grimsrud Intel Fellow, criador do Serial ATA e que naturalmente já tem cara de roqueiro californiano. 🙂

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Anderson

    Empatia (ou boa impressão) para qualquer consumidor é preço baixo. Se não tem isso, eles podem gastar os tubos e matar todo o pessoal de marketing que o negócio não vai prá frente.

    Vide o exemplo da AMD, o marketing deles sempre foi preço baixo e sempre sobreviveram assim, sem lançar mão de recursos, que particularmente, considero teatrais. Nada contra a turma de marketing em geral (porque alguns realmente fazem milagres), mas a Intel por várias vezes, na minha opinião, chega a ofender a inteligência alheia com essas campanhas, dentre outras atitudes também.

    Em suma, com os produtos que eles têm, eles poderiam fazer campanhas diferentes, e não o velho mais do mesmo.

  • Oi Anderson,

    Concordo que num mercado como o nosso preço é um fator importante, mas não devemos subestimar o valor (ou a empatia) de uma marca. Se tudo fosse só preço, marcas como Ferrari, Rolex, Louis Vuitton, Apple, Sony, etc. nem seriam vendidas por aqui.

    E uma marca nem precisa ser de luxo para ser odiada: existe um caso notório nos anos 70 onde a Coca-Cola Co. teve problemas com um parceiro na Guatemala cujo dono era tão filho da mãe que mandava matar qualquer funcionário envolvido com o sindicato que questionasse as condições de trabalho nas suas fábricas. A situação ficou tão feia que Coca-Cola começou a virar sinônimo de assassinato naquele país o que obrigou a matriz a fazer algo que não costuma fazer: intervir num país e chutar um parceiro local.

    http://www.killercoke.org/cokeguat.htm

    http://en.wikipedia.org/wiki/Criticism_of_Coca-Cola#Guatemala

    Isso também me faz lembrar naqueles produtos orgânicos ou cafés especiais de origem controlada ou seja, se alface é alface e café é café, pra que pagar mais só para apoiar a atividade ou melhorar a vida desses produtores?

    Como disse Charlton Heston Soylent Green is people!

    M.