ZTOP+ZUMO (tech, opinião, inteligência)

Intel: Ultrabook é nova família de produtos (e não um substituto)

VP do grupo de PCs da Intel diz que os computadores do futuro devem conquistar os consumidores mais pela emoção do que pela razão.

Durante um evento de canais promovido ontem (23) pela Intel Brasil, Shmuel “Mooly” Eden, vice-presidente mundial e gerente geral do Grupo de PCs da empresa, discursou para seus mais de 1.500 integradores e parceiros locais sobre inovação e o futuro dos PCs.

Entre os temas discutidos, destaque para o Ultrabook, uma nova linha de portáteis que pretende conquistar o consumidor doméstico tanto do seu lado emocional quanto do racional. Como ele mesmo disse, “quem realmente gosta de alguma coisa, primeiro compra e depois arruma num bom motivo para ter feito isso”.

Ao contrário do que tinha imaginado, o Ultrabook não será apenas mais uma categoria de produtos inserida na atual cadeia alimentar dos portáteis (como os netbooks ou os thin and light) e sim toda uma nova família de produtos que terá diversas opções de configuração, recursos e tamanhos de tela (de 11″ até 17″), onde também se incluem as workstations móveis e até tablets-conversíveis.

Assim, como diferenciar esses computadores dos modelos “vulgares”?  Para que um fabricante possa ter um Ultrabook com sua marca, o seu projeto deverá seguir uma série de especificações técnicas estipuladas pela Intel para ter esse nome.

Sob esse ponto de vista, esse programa lembra muito o Centrino, sendo que Mooly comentou que a Intel já estuda alguns procedimentos de certificação e, quem sabe, criar um selo para ajudar o consumidor na hora da compra – mas nada oficial ainda.

Oficial mesmo é o pessoal de Santa Clara ter registrado a marca Ultrabook, impedindo que algum concorrente mais criativo tente tirar uma casquinha desse programa.

Segundo a Intel, um dos principais parâmetros que devem ser seguidos pelos fabricantes é a espessura do equipamento, que não deve ultrapassar 1,8 cm nos modelos com telas abaixo de 14″. 

Para os modelos com tela maior ou igual a 14″ o limite sobe para 2,1 cm. Os convertibles terão uma tolerância adicional de até  2 mm.  Note que a altura dos pezinhos de borracha não deve ser levada em consideração e que as baterias extendidas serão aceitas, mas elas deverão ser contadas na espessura total. De fato, a Intel incentiva o desenvolvimento/uso das chamadas de baterias prismáticas, cujo formato pode ser retangular/tablete, ao contrário dos atuais modelos cilíndricos, que podem até serem usados de preferência na articulação do portátil.

Para equipar esses portáteis, a Intel irá criar uma linha de processadores apelidados de “Ultra” (duh!) cujo TDP é de apenas 17 watts, o que irá proporcionar maior autonomia da bateria, menor geração de calor, ventoinhas mais silenciosas e, diz a Intel, sem comprometer o desempenho.

Os processadores poderão ser da família Core, Pentium e até Celeron (boo!), para atingir diversas faixas de consumidores, inclusive aqueles mais sensíveis a preço. Estima-se que o cujo custo dos componentes (BOM — sem disco/SDRAM) pode variar de US$ 400 até US$ 700, o que fica bem próximo da promessa de oferecer sistemas abaixo de US$ 1.000. Em contrapartida, para economizar espaço interno, já foi decidido que os processadores Ultra serão soldados na placa-mãe, o que limita as opções de manutenção/upgrade.

Interessante notar que a plataforma Ultrabook também foi pensada para rodar Mac OS X (o Henrique acha que o MacBook Air é o primeiro Ultrabook, sem ter necessariamente esse nome).

De fato, a Intel já definiu duas plataformas “Ultrabook”. A primeira delas é a Huron River, ainda baseado em uma versão móvel do Sandy Bridge “Ultra” de 17 watts, com autonomia mínima de 5 horas de bateria (recomendado 8h) e voltar de um estado de hibernação (S4) em menos de sete segundos. No geral, a maioria dos Ultrabooks apresentados até hoje como o Asus UX21 são baseados nessa plataforma.

Incluindo um novo modelo da Lenovo batizado de U3S:

Já a segunda plataforma (prevista para 2012) será o Chief River, este sim um projeto bem mais elaborado baseado no Ivy Bridge “Ultra” de 17 watts.  No mínimo a empresa recomenda o uso de pelo menos 24 GB memória cache do tipo SLC para melhorar a resposta do sistema e  o uso de discos SSD. A plataforma USB 3.0 será padrão e outras interfaces como Light Peak podem ser usadas. Fora isso, o pessoal de Santa Clara recomenda o uso de sensores como touchscreen, GPS, acelerômetros, sensores de proximidade e de luz ambiente.

E para melhorar a segurança do equipamento (e mais ainda de seus dados) a idéia é que o Chief River incorpore algumas tecnologias criadas originalmente para sua plataforma vPro, com criptografia de dados e sistemas anti-furto, como a notória “pílula de suicído”: em caso de perda/roubo do portátil, um comando remoto faz a máquina parar de funcionar. Com isso, o Ultrabook também pode ser uma opção interessante também para o mercado corporativo.

Mooly também disse que, para o Ultrabook triunfar, também será necessário transcender atual modelo de uso do PC para além do preencher documentos, acessar email, ver filmes, navegar na rede e azarar nas redes sociais. Além de ser performático, estiloso, seguro, sempre conectado e pronto para uso, essa plataforma deverá dispor de novas aplicações e modelos de uso que permitam tornar o seu uso ainda mais fácil e excitante.  Sob esse ponto de vista, o executivo já adiantou que a Intel investe pesado em pesquisa e desenvolvimento em diversas áreas como computação continuada, reconhecimento de voz e gestos (no ar e não na tela) e até sistemas capazes que reagir de acordo com o contexto/local/ambiente.

Para ilustrar seu raciocínio, foi mostrado durante sua apresentação uma aplicação de realidade aumentada, onde o rosto do usuário é monitorado por uma webcam…

… e os movimentos dos seus olhos/boca/face são capturados em tempo real, interpretados e transferidos para um avatar — e tudo isso rodando em um sistema com Sandy Bridge. Só que como Mooly achou que aquele avatar estava muito sem graça, ele pediu para alguma coisa mais elaborada e de melhor aparência. E como que pode manda e quem juízo obedece…

É, melhorou… mas não poderia ser melhor?

Aaah, perfeito!

Brincadeiras à parte, essa demo é um bom exemplo do uso do avatar como um meio de comunicação pelo computador que pode ser usado em diversas maneiras, desde mandar recados (no lugar de uma mensagem de voz ou SMS), atividades e diversões em redes sociais, videogames e até ações de marketing.

No fim das contas, a Intel acredita que, com o avanço dos tablets sobre o mercado de PCs, é preciso agregar mais valor real ao seu produto, de modo que a relação entre o usuário e seu computador seja uma espécie de amor à primeira vista já na loja e que se transforme num relacionamento feliz duradouro até que algum problema (como um chip queimado ou uma nova paixão) os separe.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Paulo Cesar

    Parabéns pelo blog….muito bom mesmo…

  • Fabiano Sabo

    Hahahaha….muuuito bom Nagano!!!

  • o cara entende portugues? Pois todas as apresentações estavam em portugues!

    Mas, essa nova classe seriam apenas notebooks finos, com o mesmo nível de processadores (Atom, Core2 e Core i)?

    • mnagano

      Nope, é praticamente uma nova grife de computador com processadores "Ultra" de baixo consumo e nada de Atom,

  • henriquem

    tudo é preparação de terreno para o Windows 8, que também vai rodar em ARM

  • brenopeck

    Tudo é muito lindo e muito legal, mas se essa categoria seguir o exemplo da Samsung e vender a cópia mais cara que o original (MacBook Air), não vai muito longe.

  • Pingback: IFA 2011: Lenovo e o IdeaPad U300s Ultrabook (apareceu aqui antes!)()

  • Pingback: Intel Developer Forum 2011: o que esperar()

  • Pingback: Intel parte pra briga para promover Ultrabooks - ZTOP()