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Intel para Nokia: Estamos decepcionados

Desde que a Nokia anunciou sua aliança estratégica com o pessoal de Redmond, uma dúvida paira sobre minha cabeça: como fica a Intel nessa história?

Fuçando em alguns blogs de Maemo/Meego eu segui uma pista que me levou à um post no blog oficial da empresa  — o Technology@Intel — onde num post intitulado Intel and MeeGo, numa parte do texto a autora Suzy Ramirez diz mais ou menos o seguinte:

Apesar da Nokia ter sido um importante parceiro para a Intel e para o Meego e de estamos decepcionados com esta decisão, é importante saber que isso não será de modo algum o fim do Meego ou o fim do comprometimento da Intel no desenvolvimento contínuo que o Meego está tendo na direção de um ecossistema multi-plataforma.

(…)

Meego não é apenas um OS para telefones, ele também suporta múltiplos dispositivos. Ele já está sendo distribuído para o mercado e estamos vendo hoje uma movimentação inicial em diversos segmentos, como nos sistemas automotivos, netbooks, tablets e set-top boxes.

Conhecendo o pessoal de Santa Clara, se eles chegaram a usar a expressão “estamos decepcionados” num veículo oficial de comunicação da empresa, eles devem ter dado pulos de ódio com esse anúncio. A parceria com a Nokia com o Meego para mim tinha um objetivo claro: a de entrar de sola no segmento de smartphones com um dispositivo baseado em x86 num território praticamente dominado pela microarquitetura ARM e seus diversos parceiros. A Nokia já anunciou que irá cumprir a sua promessa de lançar um produto baseado em Meego e ver como o negócio rola antes de reclassificá-lo como um “projeto de pesquisa” — uma maneira sutil de dizer que ele não existirá lado-a-lado com os produtos “comerciais” baseados no Windows 7 mobile e que vai ser mandado para a geladeira.

Resta agora a Intel sacudir a poeira e continuar a avançar com suas estratégias em torno das plataformas móveis, o que realmente está acontecendo lá em Barcelona.

Ainda em tempo:

E se tem gente brava lá em Santa Clara aparentemente também tem gente com esse mesmo estado de espírito lá em Espoo.

Num site intitulado Nokia Plan B, um grupo formado por nove jovens acionistas da empresa que publicaram uma carta aberta falando sobre suas intenções de desafiar a atual estratégia da empresa e da sua parceria com a Microsoft durante a próxima reunião anual programada para o próximo dia 3 de maio de 2011.

Esse grupo pede o apoio dos acionistas para que eles sejam eleitos para a mesa de diretores da Nokia e que dessa posição possam perseguir uma série de metas que vão desde a manutenção da plataforma Meego/Qt como sua principal plataforma para smartphones, rever a aliança estratégica com a Microsoft focando mais o mercado norte-americano, estender a vida do Symbian por mais pelo menos 5 anos até a demissão de Stephen Elop do cargo de CEO.

Isso pode ser apenas um manifesto de algumas pessoas mais inconformadas que estão expressando seu descontentamento na rede — talvez até jogando verde para ver se colhem maduro. Fato é que se essa história colar, isso pode descambar para uma briga tão feia quanto foi a aquisição da Compaq pela HP negociada por Carly Fiorina (CEO da HP na época) e que foi energicamente combatida por figuras de peso da empresa como Walter Hewlett (filho de William Hewlett co-fundador da HP) que, de um certo modo defendia os valores tradicionais da HP, mas que foi vencido pelos novos tempos.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • dflopes

    A intel não poderia lançar uma versão final do Meego pro n900?
    Ou adiquirir os direitos do n900?

    Foi uma trmenda rasteira da nokia.

    • mnagano

      Acho que aqui vale alguns esclarecimentos:

      A intel vende chips não celulares. A estratégia do pessoal de Santa Clara com o Meego é de apoiar um sistema operacional multiplataforma cujo principal objetivo é de atrair e/ou manter parceiros que adotem suas plataformas.

      Com relação ao N900 precisamos ver que ele hoje é um produto meio parado no tempo e no espaço o que é algo complicado num mercado que se renova a cada dois ou três meses. E se levarmos em consideração que ele usa um processador do tipo ARM, eu não imagino qual seria o interesse da Intel nesse produto a não ser dar um fim nele o mais cedo possível.

  • Zenriq

    Impressionante a Nokia com tanto poder de fogo. Cobiçada por gigantes de tecnologia. Mas não consegue dar um tiro certo. O Meego talvez até fosse uma boa estratégia… mas o tempo não ajuda… Enquanto a Nokia "comeu mosca" o iOS e o Android ocuparam um espaço que será difícil recuperar. Mesmo concorrentes quase mortos como a Sony-Ericsson e a Mororola ressurgiram das cinzas por causa do Android. Acho que a Nokia, mesmo em conjunto com a Intel, não daria conta de emplacar o Meego. E agora entra em jogo a HP e o WebOS que tem tudo para ser bem sucedido. A aliança com a Microsoft foi desesperada. Provavelmente a alternativa menos pior. Mas eu manteria um plano B em mente porque todo mundo sabe que não se confia em parcerias com a Microsoft… Agora a Microsoft também está no desespero. Mas quando tiver emplacado o Windows 7 as custas da Nokia…

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