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Intel inaugura Centro de Educação Digital em Campinas

No último dia 9 de outubro, Craig Barrett — ex-CEO e atual chairman da Intel — em companhia de Lázaro Brandão — presidente do conselho do Banco Bradesco — inaugurou o novo Centro de Educação Digital da Intel localizado no campus da Fundação Bradesco em Campinas, local onde a empresa de Santa Clara desenvolve há anos um projeto piloto de uso prático de seus Classmate PCs em salas de aula.

O centro é formado por duas áreas distintas: uma com duas salas de aula onde professores e alunos podem experimentar e utilizar as novas ferramentas de ensino, sendo uma delas na forma de uma sala convencional com lousa e carteiras, e outra mais modular e aberta, onde os alunos podem desenvolver atividades mais lúdicas. A segunda área é um local de reuniões e estudos mais voltado para pesquisadores e profissionais de ensino se reunírem e trocarem qualquer idéia ligada a educação.

Ao entrar no centro, todos os presentes são identificados automaticamente por meio de um crachá com sensor RFID, que permite acompanhar com mais precisão a presença e o local onde os alunos estão. Fora isso, uma das salas possui um impressionante sistema de iluminação de classe desenvolvido na Coréia, capaz de criar o clima adequado (manhã, meio do dia ou fim da tarde) para o desenvolvimento de certas atividades, mexendo assim com o ânimo e o rendimento dos alunos, daí o motivo das janelas fechadas.

A outra sala é basicamente uma área aberta e bem iluminada cheia de instrumentos como os Classmates da Intel, kits de robótica da LEGO Educação e sistemas de auxílio a alfabetização da Positivo Informática, livros eletrônicos da Sony (e-books), mesas móveis (com gavetas para guardar materiais) e até as legendárias poltronas “bean bag” que foram usadas pelos pesquisadores do Xerox PARC para relaxar e debater sobre seus projetos.

Segundo a Intel, a idéia por trás desse centro é de criar um espaço mais aberto e propício para profissionais de ensino e pesquisadores colocarem em prática os seus projetos e experimentos de ensino, já que as salas de aula da Fundação Bradesco não eram o melhor local para essas iniciativas, pois nesses locais os alunos seguem um ritmo de escola normal, com aulas e atividades definidas pelo currículo da escola que precisam ser cumpridas.

Durante uma breve sessão de perguntas e respostas, tivemos a oportunidade de pedir para Barrett falar um pouco sobre o recente anúncio do governo de Portugal de adquirir 500 mil Classmates PCs (a serem montados do lado de lá do Atlântico), modelo que vai ser copiado pelo governo venezuelano e o que — na opinião dele — ainda falta para que nós (leia-se governo brasileiro) tenhamos a mesma iniciativa. No final das contas, foi aqui que o projeto nasceu e deu seus primeiros passos.

Barrett comentou que o Brasil é um país bem maior que o Portugal de modo que as quantidades e os investimentos envolvidos por aqui seriam bem maiores, mas que tudo depende da vontade do próprio governo, mas que ele espera que, no final das contas o País escolha o sistema de sua empresa.

Max Leite, diretor da área de desenvolvimento de produtos da Intel Brasil, complementou a resposta de Barrett dizendo que, ao contrário do projeto UCA do Brasil, cujo foco está muito centrado no equipamento em si, o projeto Magalhães (ou Magellan para os anglicanos) é um conceito mais amplo onde o governo de Portugal pretende, além de vender computadores a preços subsidiados, incentivar a indústria local de TI determinando que os Classmates sejam montados localmente, criando assim um círculo virtuoso que cria empregos, incentiva a indústria local e melhora o nível de educação dos alunos.

De fato, o projeto Magalhães ja vendia notebooks convencinais a preços subsidiados, mas agora deve ampliar a sua participação para crianças de 6 a 11 anos oferecendo Classmate PC português a preços variando de ~50 Euros para escolas e ~285 Euros para o varejo.

Momento soy loco por ti America :

Reza a lenda que Hugo Chavez numa visita por Portugal, conheceu o projeto Magalhães e resolveu levá-lo para Venezuela no sentido mais exato da palavra, ou seja, importando os equipamentos de Portugal e instalando uma versão de Linux e software educacional (obviamente) desenvolvido em Cuba.

Isso por sinal provocou a ira de alguns venezuelanos, em especial do Últimas Notícias, jornal de maior tiragem no país, que dedicou sua edição do início de setembro para descer a lenha nesta história, frisando que “a indústria nacional não foi consultada” e que “o Governo resolveu o tema do PC escolar e com a sua decisão deu um golpe à indústria nacional” e se confirmarem a inclusão do software cubano “também se estará afetando a indústria nacional de software, muito golpeada já pela pouca proteção à propriedade intelectual que há no país” (hay caramba!).

Mais sobre isso aqui.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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  • Fico preoculpado com esse tipo de atitude,nada substitui um bom livro, será muito improvável que a internet forme um bom aluno ou um bom trabalhador para o mercado e nossa sociedade.
    Profissionais e pessoas ainda são feitos de professores e livros.

  • Se for por causa disso, vc não precisa perder seu sono Ricardo.

    Antes da Intel, Barrett também foi professor de Stanford e como tal, ele sabe do valor do indivíduo no papel de educador. De fato, o modelo pedagógico da Intel é fortemente baseado na valorização e treinamento do professor para que ele domine essas novas tecnologias e ao computador é reservado o papel de meio e não de fim, principalmente para as novas gerações mais acostumadas a digitar textos do que escrever notas no caderno.

    Curiosamente, nesses eventos ele até gosta de ser chamado de Professor Craig Barrett.

  • Parabéns pela iniciativa e, pela presença do grande professor.
    Mostra que a cultura digital não se opõe a tradição do livro mas a eXtende e universaliza-a mais ainda, tal como eram as intenções do envolvidos no nascimento da prensa dos tipos móveis (Guttenberg & Lutero).
    Abraços
    LCPetry

  • Eu achei muito legal esse P.C.!!!