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Intel: O futuro da computação está na experiência

Pré-IDF 2013: Pesquisadores da Intel acreditam que o futuro não está apenas no “computador pessoal” e sim na “computação  pessoal”

Como acontece todos os anos, um dia antes da abertura do IDF 2013 aconteceu o Intel Labs Media Day onde o braço de pesquisa do pessoal de Santa Clara apresenta alguns de seus trabalhos e a sua visão do futuro, o que ajuda a orientar as estratégias de produtos e serviços da empresa.

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Neste ano, o mestre de cerimônias foi Steve Brown Engenheiro-chefe e Futurista da Intel (de pé a direita) que apresentou a visão global do seu grupo seguido das apresentações de seus colegas que detalharam cada tópico no melhor estilo TED.

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Segundo Brown, a grande mensagem do dia (e de um certo modo, deste IDF de 2013) é que a computação está se tornando cada vez mais pessoal o que significa que a medida que o hardware torna-se cada vez menor, poderoso e acessível, abre-se uma nova fronteira onde o foco está mais em produtos e serviços que melhorem a vida das pessoas.

Mas para que isso aconteça ela precisa estar apoiada em diversas áreas de pesquisa e desenvolvimento como baixíssimo consumo de energia (ao ponto de coletar energia do ambiente, dispensando até o uso da tomada) , a análise do contexto que envolve o uso de sensores e analisadores capazes de entender instantaneamente o que o usuário está fazendo neste exato momento e assim, ajudá-lo mais proativamente. Um bom exemplo poderia ser a capacidade de um smartphone perceber pela análise do histórico das ligações, se a pessoa que está ligando é importante ou não e, dependendo da agenda do seu usuário liberar a ligação ou pedir para deixar recado.

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Outro assunto relevante é a imensa quantidade de informações (ou Data) que cada pessoa produz seja na forma de geração de conteúdo digital (como baixar um vídeo, fazer uma foto ou elaborar um documento) ou mesmo na monitoração do comportamento do mesmo na Web (buscas no Google, comentários no Twitter, compras no eCommerce, etc.) que hoje pode ser facilmente coletado até de graça e usado por qualquer um até mesmo sem o nosso consentimento. Sob esse ponto de vista a Intel pesquisa meios dos usuário, se quiserem, começar a ter controle sobre essa informação que não deixa de ser uma versão digital de nós mesmos.

E finalmente, foi mostrado como juntar todas as peças desse quebra-cabeça e criar novos modelos de uso que nunca foram possíveis no passado.

O interessante é que isso já é viável nos dias de hoje é exatamente por causa da Lei De Moore que, a cada nova geração inspira a criação de chips cada vez menores, mais velozes e, o mais importante, que consomem menos energia. E com a introdução do processo de 14 nm junto com o Haswell e o de 10 nm, 7 nm e até  5 nm já em desenvolvimento, o  Intel Labs afirma que o computado aproxima-se do Zero.

IDF2013_D0_Zero

Mas o que isso significa de fato? Depois da apresentação, tive a oportunidade de bater um papinho com Brown e o que ele me explicou é que o processador “vai se aproximar” mas que nunca chegará no zero absoluto ou seja, deixar de existir fisicamente.

O que vai acontecer neste caso, é que com circuitos cada vez menores ele precisará de menos energia para funcionar — podendo até coletar energia de fontes alternativas como luz ambiente, calor, ondas eletromagnéticas e até movimento/vibração de modo que eles possam funcionar sem depender da atenção humana. Fora isso, transístores menores significam menor custo de produção e até a possibilidade de instalá-los em qualquer local  e/ou objeto por um preço tão irrisório que não fará diferença ter ou não ter o mesmo.

Daí nasce o que está sendo chamado de computação ubíqua onde todos os objetos ao redor do ser humano podem ser inteligentes e interagir com o mesmo das maneiras mais úteis e até fúteis possíveis. De fato as possibilidades são tão amplas que o próprio Brown brincou com essa idéia afirmando que o Intel Labs é um local onde o resultado de somar dois mais dois pode ser qualquer coisa que quisermos:

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Como podemos ver trata-se de uma mistura de tecnonologias e questões até filosóficas que precisam ser resolvidas para criarmos um mundo melhor para se viver.

Ainda em tempo:

Circulam rumores por aqui de que a Intel prepara algum anúncio bem interessante hoje para azucrinar (ou não ) a empresa com nome de fruta. Vamos conferir daqui a pouco…

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.