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Intel Edison: Idéia brilhante, mas não foi o primeiro

CES 2014: A idéia de um computador num cartão SD pode parecer nova, mas algo semelhante até já existe no mercado e alguns hobbistas de eletrônica já aprenderam como hackeá-lo para servir a seus propósitos.

Depois de surpreender a comunidade de desenvolvedores / inventores / hobbistas / educadores / makers / doers / tinkerers / hackers ou semelhantes com o lançamento da placa Galileo a Intel repetiu a façanha na CES 2014 com o anúncio do Edison, um “computador” — ou mais exatamente um microcontrolador programável x86 —  na forma de um cartão SD.

CES2014_Keynote-Edison

Apesar das informações na sua página no site da Intel ainda serem meio vagas e escassas, o que já se sabe do Edison é que ele é formado por um processador Quark dual-core de 22 nm e 400 MHz, 512 MB de de RAM do tipo LPDDR2, 1 a 2 MB memória Flash para armazenamento local e diversas interfaces, incluindo GPIO, UART, I2C, SPI, PWM, Wi-Fi e bluetooth LE de baixo consumo.

De fato a grande sacada desse produto é que o desenvolvedor pode, por exemplo, criar uma aplicação para o Edson no seu PC e transferir o executável diretamente para o mesmo, bastando para isso apenas inseri-lo no leitor de cartões do computador. Seu sistema operacional é baseado no Linux.

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Mas ao contrário do Galileo que é uma plataforma de exploração e experiências equipado com diversos recursos, para funcionar o Edison precisa ser instalado num hardware específico que ele irá controlar — como o Mimo Baby  Monitor mostrado durante a apresentação de Brian Krzanich na CES 2014:

mimo_baby_monitor

 

Apesar da sua concepção brilhante e o seu potencial criativo ser imenso para a indústria, receio que a Intel não seja a primeira a realizar essa façanha, pois já faz algum tempo que circulam relatos na web de que hobbistas de hardware já exploram esse conceito com um produto de prateleira — ou mais exatamente o cartão SD com Wi-Fi da Transcend (e similares).

Segundo o site Hack-a-day um dos primeiros a tocar nesse assunto foi “Pablo” que publicou no seu blog um relato sobre sua descoberta de que o cartão da Transcend não deixava de ser um sistema embedded rodando Linux, de modo que é tecnicamente possível reprogramá-lo para outras funções. Segundo outro  post, seu hardware é formado por um processador ARMv5 de ~400 MHz, 32 MiB de RAM, interface Wi-Fi e 16~32 GiB de memória Flash:

demo

Depois disso, outros hackers entraram na dança e começaram a desenvolver seus próprios projetos de hardware/software baseado nesse cartão:

É fato que o Edison é um produto mais poderoso, versátil e amigável para o desenvolvedor, mas não se pode negar que o conceito na sua essência já existia nesses cartões SD com Wi-Fi. Mais admirável ainda é o esforço de “standard nerds” (® Denholm Reynholm) de explorar o potencial desses dispositivos por sua conta e risco e até mesmo sem o suporte/aprovação do fabricante.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • E tu viu o incrivelmente pequeno e fino desktop com APU Mullings da AMD?

    • Mario Nagano

      Nope. Eu não fui para Vegas. 🙁

  • Antônio Pólvora

    Por isso o nome Edison, roubaram a idéia de algum entusiasta que dedica a vida toda para ciência.

    • Mario Nagano

      O nome deve ter vindo de Thomas Edison, inventor extraordinário mas que fez o diabo para melar a adoção do novo sistema de distribuição de energia por corrente alternada bolado por Nikola Tesla para a Westinghouse.

      • Gabriel Bonatto

        vale lembrar que Tesla doou a patente da corrente alternada, esse estava pela Ciência DE VERDADE.

        • Mario Nagano

          Pelo que eu me lembre, Tesla vendeu algumas patentes do sistema CA para George Westinghouse que começou a investir pesadamente em equipamentos com esta tecnologia, ao mesmo tempo que contratou Tesla como consultor técnico.

          De fato, eles até assinaram um acordo de royalties onde Tesla ganharia US$ 2,50 por cada HP de equipamento CA vendido, o que era uma grana preta até nos dias de hoje (algo como US$ 7,5 bi apenas com a venda de geradores).

          Mas depois que perdeu a guerra das correntes, o banqueiro JP Morgan (que investiu no sistema de Edison) se vingou de Westinghouse, espalhando rumores de que sua empresa andava mal das pernas, o que afastou possíveis investidores e poderia inviabilizar a produção de equipamentos de CA, a não ser que o contrato do Tesla fosse alterado.

          Reza a lenda que Westinghouse foi falar sobre isso com Tesla e ele disse o seguinte:

          “Sr. Westinghouse, você tem sido meu amigo, você acreditou em mim quando os outros não tinha fé, você foi corajoso o suficiente para ir em frente … quando os outros não tinham coragem, você me apoiou quando até mesmo seus próprios engenheiros não tinham visão … Você ficou do meu lado como um amigo …

          “Aqui está o seu contrato, e aqui está o meu contrato. Vou rasgar os dois em pedaços e você não terá mais qualquer problema de meus direitos. Isso é suficiente?”

          Pena que depois o cara começou a viajar muito na maionese ao promover um novo sistema de distribuição de energia elétrica de graça para todo mundo sem usar fios (e que teria um subproduto chamado rádio), enviar mensagens para Marte e inventar raios da morte para promover a paz mundial.

          Mais sobre isso em: http://goo.gl/2YTzCD

    • Mizael Nascimento

      http://www.youtube.com/watch?v=8EJowhGzn-8 ESSE DOCUMENTÁRIO FALA SOBRE ISSO, MUITO BOM MESMO. (y)