Números enormes: Intel Core ix chega à 10a. geração

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Novos chips Intel Core “Ice Lake” integram recursos inéditos para acelerar rotinas de IA usando até mesmo sua GPU integrada.

A Intel lançou hoje (01) seus primeiros processadores Core iX de décima geração codinome Ice Lake das séries U e Y, voltados para computadores 2 em 1 e laptops ultrafinos:

Segundo Ran Senderovitz, vice-presidente de marketing de plataformas móveis da Intel, o anúncio de hoje envolve o lançamento de 11 chips (ou SKUs, segundo o jargão de mercado) sendo que pelo menos 35 novos produtos já estão no forno para chegar ao mercado americano até o fim do ano, a tempo para as compras do Natal (deles, é claro!)

Esses chips também adotam a nova microarquitetura Sunny Cove e já são feitos no processo de fabricação de 10 nm

… sendo que os destaques vêm tanto da parte da sua GPU integrada que será usada não somente para processar gráficos na tela como também para acelerar rotinas de inteligência artificial (ou IA)…

U-Series Processor

… quanto na parte da conectividade, como a implementação de até 4 portas Thunderbolt 3 e a interface Intel Wi-Fi 6 (Gig+) do próprio chip.

Y-Series Processor

Dividir para conquistar

Como já foi dito em outras oportunidades, Senderovitz diz que o atual mercado de PCs não é homogêneo e sim formado hoje por diversos segmentos como consumidores finais, entusiastas/gamers, comercial, educacional, corporativo etc.

… de modo que a Intel tem se esforçado em atender da melhor maneira possível cada um desses públicos com produtos capazes de suportar a carga de trabalho exigido por cada um desses segmentos.

Isso inclui não apenas o desenho da CPU, mas também investir na chamada “PC Experience” que, como o próprio nome diz, está mais ligado na experiência de uso do que capacidade de processamento propriamente dito, o que envolve outros fatores como conectividade, gráficos melhores, autonomia de bateria e mais recentemente aplicações de inteligência artificial o que exige eliminar todos os gargalos da plataforma inclusive no tráfego de informações entre a CPU, a memória e até ao sistema de armazenamento:

E até para avançar neste conceito, a Intel adotou uma nova estratégia de inovação baseada na intensa colaboração entre o pessoal de Santa Clara e os seus integradores parceiros cuja pedra fundamental foi o Projeto Athena (cuja base será essa décima geração de chips Intel) que abrirá o caminho para a computação móvel do futuro.

A essência dessa iniciativa será de colocar o modelo de uso na frente do desempenho, ou seja, a empresa irá observar o que as pessoas fazem nos seus PCs e a partir disso determinar em que tecnologias investir para melhorar a execução dessas tarefas o que vai exigir um profundo esforço em programas de colaboração na área de engenharia entre a Intel e seus parceiros, subindo para mais de 2 mil projetos em cada ano, e isso não vai ficar só nas especificações técnicas e sim no investimento de ferramentas que farão com que a plataforma adapte-se às necessidades do usuário por meio de tecnologias como o Intel Adaptix e Intel Dynamic Tuning que…

… na sua essência, ajudam o hardware a alcançar o máximo desempenho possível em qualquer padrão de formato, permitindo assim que os integradores possam desenvolver sistemas ainda mais leves e finos e, mesmo assim, com melhor desempenho conclui o executivo.

E isso sem falar na possibilidade de que o PC trabalhe no seu máximo desempenho tanto no modo notebook quanto no modo tablet esteja ele frio ou quente, o que será possível graças ao uso de sensores e de novos algoritmos inteligentes que utilizarão técnicas de aprendizado de máquina para analisar em tempo real uma certa carga de trabalho do processador e alterar dinamicamente os parâmetros de potência do modo turbo, obtendo assim o melhor despenho para cada aplicação específica.

Adeus tick-tock

Segundo Senderovitz, essa nova estratégia de oferecer a melhor relação de despenho x benefício para cada tipo de cliente de PC de um certo modo aposenta os dogmas impostos pelo modelo tick-tock da Intel onde em um ano a empresa introduzia uma nova arquitetura e no seguinte uma nova tecnologia de fabricação.

De agora em diante, todos esses esforços andarão em paralelo inovando tanto no processo de fabricação do chip quanto na sua arquitetura, seja ela uma CPU, GPU, VPU, o barramento e o sistema de memória e — é claro — trabalhando bem próximo do pessoal de otimização de software (Hi Jomar! ). A nova estratégia será baseada no melhor processador para a cada tipo de carga de trabalho, seja ele tinindo de novo ou mesmo da geração passada.

O que isso significa em termos práticos? O executivo explicou que isso significa que a décima geração será formada por chips de diferentes tipos, que podem ser por exemplo, de 10 nm quando a demanda for por menor consumo (caso dos lançamentos de hoje) ou até de 14 nm quando a carga de trabalho exigir mais poder de processamento.

Isso ficará mais claro a medida que as novas levas de chips de décima geração cheguem ao mercado para atender outras categorias de produtos como os notebooks corporativos mais voltados para produtividade que devem ser anunciados no fim de agosto.

Desempenho inteligente

Mas voltando ao que interessa, Senderovitz declarou que os novos chips Ice Lake são inovadores no sentido de que a Intel mexeu em praticamente tudo nesse componente (CPU, GPU, barramento, etc.) o que praticamente redefine o conceito de notebook leve e fino, sendo que a tecnologia chave para tirar o máximo das aplicações de hoje e do futuro está no uso da (surpresa! surpresa!) inteligência artificial, uma tecnologia que a empresa batizou de Intelligent Performance:

O executivo explicou que, de um certo modo, o IA já funciona no PC só que com diferentes nomes ou dentro de aplicações do mercado analisando imagens, filtrando dados, reconhecendo mensagens de voz e coisas do tipo. Assim, analisando o comportamento desses programas, a Intel chegou a conclusão de que suas cargas de trabalho podem ser de três tipos:

  • A primeira é do tipo que podemos esperar baixa latência por causa da maneira com que ele foi programado, de modo que a Intel criou um novo conjunto de instruções x86 batizado de DL Boost (de Deep Learning Boost) que acelera as redes neurais na CPU para obter a máxima capacidade de resposta em cenários como aprimoramentos automáticos de imagens, indexação de fotos e efeitos fotorrealistas.
  • Já para aquelas aplicações que demandam um alto nível de throughput e de carga de trabalho, a Intel desenvolveu uma nova GPU (GEN11) capaz de devorar números numa velocidade de até 1 TeraFLOP por segundo.
  • Finalmente existe um terceiro tipo de aplicação que roda em segundo plano coletando, analisando e interpretando dados e até contextos — como processamento de voz ou a supressão de ruídos — o que nem exige muito do processador mas que precisam funcionar com baixíssimo consumo de energia. Para isso, a Intel desenvolveu o Gaussian & Neural Accelerator (ou GNA), que fornece um mecanismo dedicado para cargas de trabalho em segundo plano.

Juntando tudo isso chegamos no novo Intel Core ix de Décima Geração para notebooks leves e finos que incorpora o primeiro conjunto de instruções para uso em IA o que melhora o seu desempenho em até 2,5 vezes se comparado com seu antecessor.

Se comparado com a concorrência, Senderovitz diz que sua empresa acredita que ele rode oito vezes mais rápido (usando o DL Boost é claro). Também estima-se que o uso da tecnologia Adaptix também permitirá a melhora do desempenho gráfico em até 20%.

E já que estamos falando de gráficos, é fato que a Intel tem grandes ambições de crescer nesta área (vide o seu projeto Odissey) Ice Lake incorpora uma nova aceleradora gráfica integrada (Gen 11) — batizada de Iris Plus — que Senderovitz diz ser a melhor do mercado capaz de rodar jogos como Fortnite ou Dirt Rally II em full HD em padrões de formato antes impossíveis.

Tipos e modelos

Com relação as marcas e modelos, eles serão ofertados nas versões de 2 ou 4 núcleos com HT em três níveis de desempenho (Core i3, i5 e i7) em três envelopes térmicos (9, 15 e 28 watts) com até 8 MB de cache.

Com relação a GPU (Gen 11) integrada, ela estará presente em duas versões, a nova Intel Iris Plus com até 64 EUs e uma versão mais simples chamada Intel UHD Graphics cujo desempenho é semelhante a da geração anterior. Fora isso, todos os modelos já vem com interface Intel Wi-Fi 6 e 4 portas Thunderbolt 3 já integradas e pela primeira vez o sistema é compatível com memórias LP4 com velocidade de até 3.733 mbits/s ou DDR4-3200.

Entrando ainda mais nos detalhes, segue abaixo uma lista com todos os 11 modelos anunciados hoje, sendo 6 da série U e 5 da série Y:

Note que, nesse lançamento, a Intel mudou um pouco o seu diferenciador (a sequência numérica de 4 números após o i3/i5/i7) sendo que os dois primeiros dígitos indicam a geração (neste caso a 10ª) os dois seguintes o SKU propriamente dito e a novidade é a adição do código Gx onde G é a indicação de gráfico integrado e x o seu nível de desempenho sendo que G7 indica 64 EUs, G4 indica 48 EUs e G1 apenas 32 EUs:

Segundo a empresa, o anúncio de hoje é apenas o começo.

Ainda em tempo: E como ficam a oitava e a nona geração?

Com o imbróglio da falta de chips de nona geração que explodiu na cara do mercado em 2018 e até forçou os fabricantes a estender a vida dos seus produtos de linha com chips de 8ª geração, reservando os 9ª geração para modelos mais premium, pode surgir a dúvida:

Séra que a chegada da 10ª geração marcará o fim da 8ª geração ou será que a 9ª geração tenderá a ser o novo chip de volume?

Na opinião deste ZTOP+ZUMO ainda é muito cedo para afirmações deste tipo, mas o nosso palpite que tudo dependerá da oferta da 10ª geração já que, se a Intel for capaz de atender a demanda, nada impede que os fabricantes que ainda estão empacados na 8ª geração possam ignorar a 9ª geração e ir direto para a 10ª.

De fato pode até que neste início a 8ª, 9ª e 10ª gerações possam até conviver lado a lado por um tempo já que, como Senderovitz disse, esse negócio de “gerações” vai meio de perder sua relevância em favor de soluções cujo desempenho do chip estará mais relacionado com o tipo de uso.

Mas como dissemos, só o tempo dirá.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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