Intel apresenta sua (nova) estratégia de IoT

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Apesar do aparente recuo com o fim do SoC Quark, as iniciativas de IoT da empresa no Brasil vão muito bem, obrigado!

Aconteceu ontem na sede da Intel Brasil o [email protected] um evento que reuniu alguns parceiros da indústria e que contou com a presença de Brad Haczynski, chefe de vendas do grupo de IoT da Intel que visita pela primeira vez o Brasil para conhecer o nosso mercado e se reunir com representantes do governo em Brasília.

Já faz anos que não ouvimos falar nada sobre IoT dentro da Intel desde que o pessoal de Santa Clara anunciou em 2017 o encerramento da sua linha de produtos baseados no microprocessador Intel Quark

…como as placas Galileo, Edison e Joule o que até nos passou a impressão de que a empresa tinha saído desse mercado, mas na realidade ela apenas reformulou sua estratégia de negócios para um modelo mais aberto, racional e flexível.

https://www.intel.com/content/www/us/en/internet-of-things/videos/what-is-the-internet-of-things.html

Quem falou sobre essa nova estratégia foi Reginaldo Rodrigues, diretor de Canais e Alianças da Intel Brasil (e chapa deste Ztop+Zumo)…

… que nos explicou que assim como outras áreas da Intel, o IoT também faz parte da grande estratégia da empresa de se tornar uma empresa “data-cêntrica” — ou seja — uma empresa focada no tratamento dos dados e é claro que eles podem passar por dispositivos de IoT antes de serem armazenados e processados nos servidores locais ou na nuvem:

Um mercado de pequenas coisas e grandes números

Mas antes de falar dos dispositivos propriamente ditos, Reginaldo falou um pouco sobre o tamanho do mercado de IoT no Brasil.

Segundo o executivo, o IDC prevê para este ano os investimentos em IoT pode chegar na faixa de US$ 12 bilhões com um crescimento de 20% ao ano até 2022.

Para se ter uma idéia do tamanho desse investimento, ele ressalta que no ano passado (2018) foram investidos apenas US$ 1,35 bi (na sua maioria na área de manufatura e de veículos). Já neste ano começamos a ver um crescimento mais forte na área de data-analytics (algo em torno de US$ 4,2 bi) e isso sem falar no crescimento do número de empresa de médio e grande porte que começam a adotar tecnologias de Inteligência Artificial (ou AI) com potencial de crescer em até 2,5 vezes até 2025.

Com relação aos dispositivos de IoT conectados no Brasil, o IDC estima que esse número chegue em torno de 300 milhões com uma expectativa de crescimento de 30% em 2020.

E porque a Intel acredita tanto no crescimento desse mercado aqui no Brasil? Segundo o executivo, um dos grandes motivos é o Plano Nacional de IoT (cujo decreto foi publicado em junho passado)…

os recentes avanços nas áreas de IA e o programa de privatizações/leilões de 5G o que permitirá uma melhora na eficiência e na qualidade da infraestrutura local e o acordo da Fistel que seria uma redução de taxas com o objetivo de incentivar o aumento das ativações de dispositivos conectados (comunicação máquina com máquina).

E finalmente ainda existe no Brasil um grande parque de dispositivos legados — o que pode ser visto como uma coisa boa ou ruim — sendo que Reginaldo prefere olhar pelo lado bom já que equipamentos antigos precisam ser atualizados, o que permite a adoção de novas tecnologias.

Ele cita como exemplo, uma cidade que dispões de câmeras de monitoramento que podem se tornar mais “espertas”, bastando para isso usá-las para enviar suas imagens para um sistema de análise baseado em visào computacional, o que faz com que as imagens não sirvam apenas para serem “olhadas” e sim sim para serem analisadas e até interpretadas pelo próprio sistema, permitindo assim uma intervenção mais rápida, imediata e até automática, algo que pode ser particularmente interessante nas áreas de segurança pública

O executivo também apresentou um interessante gráfico baseado num estudo da Accenture e da Frontier Economics que apresenta o impacto da implementação do IoT no Brasil, sendo que a curva mais escura representa o crescimento do nosso GDP (Produto Interno Bruto) sem os investimentos em IoT…

… e a curva mais clara o crescimento dramático da nossa economia proporcionado pelo uso dessa tecnologia junto com o chamado coeficiente CNA (= custo de aquisição de novas tecnologias).

No fim das contas, para que IoT?

Segundo Reginaldo essa resposta é tão ampla quanto a sua empregabilidade, ou seja, IoT salva vidas, melhora a nossa segurança e qualidade de vida, ajuda na indústria e no campo otimizando a produtividade, reduzindo custos e até proteger o nosso planeta.

De fato existe uma curioso projeto ambiental da Intel que está utilizando suas tecnologias de IoT e IA para combater a caça predatória de animais selvagens na região da Bacia do Rio Congo na áfrica:

Ecossistema heterogêneo

Como já dissemos antes, no passado as plataformas de hardware da Intel para IoT e IA era baseado na visão de que todo o ecossistema da casa (de microcontroladores até supercomputadores) falariam apenas uma lingua franca — x86 — e deu no que deu.

Dai uma das grandes mensagen desse evento é de exatamente mostrar para o mercado que essa estratégia mudou, sendo que a maioria do desenvolvimento dessa tecnologia se concentrava na China (porque lá também ficam os principais desenvolvedores de PCs)…

… sendo que agora o foco está nas soluções de IoT ou seja, algo que pode ser criado e implementado em qualquer parte do mundo, já que ao contrário do modelo anterior, o hardware assume o papel de meio (para que a coisa aconteça) e não mais de fim.

Soluções prontas para o mercado

E para fazer com que esse processo de criação e implementação de produtos e serviços ocorra da maneira mais suave e menos trabalhosa possível a Intel apoia e investe pesado num programa da casa batizado de Intel IoT Market Ready Solutions (ou Intel IMRS para os íntimos)…

… que incentiva os seus parceiros de negócios a desenvolverem soluções de IoT baseadas no hardware da Intel que, usualmente, atende a uma empresa ou demanda específica…

… possa ser formatada para que possa atender a outros clientes, aumentando assim a sua lucratividade ao mesmo tempo que reduz o custo de desenvolvimento.

E como o IMRS funciona?

Segundo o executivo da Intel, para qualquer empresa que vai desenvolver uma solução de IoT meio complexa, na média o tempo total de desenvolvimento (do zero até a finalização) fica em torno de 18 meses — e com o IMRS esse prazo pode ser reduzido em torno de dois a quatro meses no máximo.

Ou seja, para ficar mais claro, o IMRS possui uma série de soluções testadas e validadas pelo chamado Core Initiative Team que segue uma rigorosa série de critérios…

… como por exemplo, comprovar que ela é um produto de fato — ou seja — ele tem que ser comercializado por um provedor e que ela já foi vendido para alguma empresa e a sua utilidade foi realmente comprovada num ambiente real.

E é claro que a solução tem que ser baseada no hardware da Intel (duh!)

Assim de um certo modo, o IMRS não deixa de ser uma certificadora que cria uma espécie de catálogo de produtos e soluções de IoT de classe mundial criado tanto por uma empresa daqui ou lá de fora possa ser adotada em qualquer geografia, tanto aqui quanto lá fora.

Para saber mais sobre as iniciativas de IoT da Intel no Brasil, clique aqui.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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