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Impressora 3D: objeto de desejo que produz objetos de desejo

Novo objeto de desejo que produz objetos de desejo: uma impressora 3D. Ontem dei um pulo em um seminário de tecnologias da Robtec, companhia que revende esse tipo de equipamento aqui no Brasil para grandes empresas (em equipamentos que custam mais de R$ 200 mil) e agora começa a atingir novos públicos com máquinas já em torno de R$ 6.000 a R$ 12.000, dependendo da configuração.

Por que isso é importante? Em resumo, é um modo de tornar a revolução industrial em algo pessoal. Em um futuro não muito distante, em vez de comprar coisas em lojas, poderemos adquirir projetos computadorizados (em CAD/CAM), baixar da internet e produzir em casa, com uma impressora 3D. É impressionante.

O modelo que vi em demonstração no evento da Robtec foi a BFB-3000 (preço sugerido: R$ 12.400), produzida na Inglaterra e que tem as seguintes especificações técnicas:

  • Temperatura máxima de operação na extrusora: 280o C (536o F)
  • Consumo de energia: 90 W (6A @ 15V)
  • Peso aproximado: 37kg
  • Tamanho máximo de impressão:
  • Single: 275mm x 275mm x 210mm
  • Double: 230mm x 275mm x 210mm
  • Triple: 185mm x 275mm x 210mm
É essa bonitona da foto abaixo:

A plataforma móvel serve de base para a “costura” feita com materiais plásticos (PLA e ABS) por um braço robótico.

E ela vai, camada por camada, “imprimindo” um objeto tridimensional.

O braço robótico só funciona após a matéria-prima (os fios na base do produto) esquentar e chegar ao ponto certo. E segue produzindo algo. Um objeto pequeno pode levar meia hora para ficar pronto.

Esse é o painel de controle da BFB-3000. Note que a máquina não é ligada a um computador…

… os dados do projeto a ser impresso estão armazenados em um cartão SD convencional, inserido na lateral do painel.

Tudo produzido em um software (download gratuito, por sinal) no PC. O projeto em andamento aqui é esse:

Dá para perceber que um punho surge ali no meio?

Fato é que essa impressora pode criar coisas como essa simpática cabeça:

que, por dentro, é oca (!)

a um patinho de borracha:

(perceba a “teia” criada pela impressora)

Ou mesmo uma peça muito parecida com aquilo que chamamos de… Lego!

Aproveitei para ver as máquinas mais poderosas da Robtec, voltadas à indústria de todo tipo. Essa aíimprime em uma imersão de plástico sensível à luz ultravioleta (como diria o Jô, “how cool is that?”).

E, claro, gera peças muito mais precisas.

Já a máquina abaixo lembra mesmo uma impressora convencional (é a de R$ 200 mil!). Essa consegue até produzir peças com partes móveis (engrenagens, motores etc.)

Quando saem da máquina, as peças impressas estão recobertas por cera:

E, ao serem aquecidas, ficam com essa aparência:

Da série “números enormes”, esse robô aí é um scanner gigante de precisão. Fotografa peças tridimensionais prontas (uma engrenagem de carro ou até mesmo um chassi parcial) para comparar com o projeto computadorizado. É bastante usada na indústria automobilística.

Do outro lado da “feirinha”, algumas peças produzidas por equipamentos mais sofisticados, apenas para demonstração. A abaixo é um crânio escaneado e impresso em resina…

De uma vítima de acidente (provavelmente) que “quebrou a cabeça”. A peça 3D foi criada para médicos terem um modelo de prótese óssea (!).

Mas dá também para imprimir válvulas, protótipos de motores.

E até mesmo peças com detalhes mínimos

Ou peças bem grandes para carros.

O vídeo abaixo mostra a BFB-3000 em funcionamento nos primeiros 30 segundos, depois um especialista explica como ela funciona.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

  • dflopes 26/08/2011, 11:55

    A tampa do compartimento de pilhas que sempre quebra a lingueta de travamento – e te obriga a encher de “durex” ou comprar um novo controle, o porta-retrato que vc ganhou da esposa e deixou quebrar (se não dormirá no sofá po eras incontáveis), aquela carcaça de celular que só acha na DealExtreme, a pecinha do seu modelo preferido do tanque M1A1 Abrams que seu cachorro comeu…

    São inumeras as possiblidades pra se usar. Inicialmente, poderiam começar em quisoques de impressão, depois é apenas um passo pra se chegar ao consumidor comum (1.000 dolares)

    • Saulo Benigno 26/08/2011, 23:32

      Exato. Imagino você ter uma dessas em um estande no shopping. Cade pecinha gerada por uns R$ 30 reais. Putz, vender muito.

  • Lange 26/08/2011, 15:22

    Isso é muito legal!
    Imagine ter uma dessas em casa. Quase qualquer objeto pode ser construído criando peças de encaixe e fazendo coisas gigantescas!
    Muito legal mesmo, e eu realmente imagino uma corelação disso com um scanner 3d em uma residência comum.

  • Ligeirinho 27/08/2011, 23:32

    Uma coisa que penso que vai ser a primeira parte deste futuro do "DIY" é que muitas pessoas provavelmente vão comprar estes equipamentos e revender os serviços de produção, tal como existem pessoas que trabalham com impressoras A3. Não sei se no futuro qualquer um vai ter em casa. As pessoas querem coisas simples, e imaginar que isso demora e (provavelmente) é complicadinho de fazer, vai assutar muitos. O que é legal é que a cada dia, "qualquer um" pode criar algo, sem restrições. A tecnologia abriu portas, e deixou em pé de igualdade as pessoas.

  • Marketing Robtec 30/08/2011, 10:01

    Veja mais informações, novidades e tecnologia sobre Impressoras 3D no site e nas mídias sociais da Robtec

    http://www.robtec.com http://www.facebook.com/robtecbrasil http://www.twitter.com/robtecbrasil http://www.youtube.com/alpesorobtec

    Nos vemos lá!

    Muito Obrigado

  • Alexandre 30/08/2011, 10:53

    Alguem sabe o preço:

  • Portal Server 31/08/2011, 15:52

    Sò tinha imaginado essa impressora para quem trabalhasse mais com design, nem tinha desenvolvido muito sobre.
    Até pq essa impressora já tem alguns anos, um amigo meu europeu conhecia alguém que tinha, e mostrou uma vez uma peça, muito interessante.
    Mas nunca tinha pensado no uso pro dia a dia, se referindo a peças que somem ou se precisamos mas que sempre temos que ir comprar, ou simplesmente não se vende mais…
    Porém acho que vai ser um serviço prestado por empresas, ninguém vai querer ter um aparelho desse em casa, pelo menos no futuro próximo.