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IDF 2013: Intel caminha para o mundo móvel

Mobilidade será o grande tema do próximo Intel Developer Forum 2013, que acontece no próximo mês em San Francisco.

Costuma-se dizer que as grandes empresas são como navios transatlânticos: eles são imensos e, por causa disso um pouco lerdos para fazer manobras mas, definido o curso, sai da frente porque eu passo por cima! — E para a Intel esse novo destino é na direção de um local onde alguns concorrentes estão bem na frente ou já estão lá a muito tempo: o mundo dos dispositivos móveis.

Fato é que esse esse território não é estranho para o pessoal de Santa Clara, já que desde o século passado a empresa já produzia e comercializava diversos chips móveis ou para aplicações embedded como o i960 RISC e o StrongARM (que ela recebeu junto com a compra da Digital). Este último por sinal evoluiu para a bem sucedida linha de processadores XScale, que equipou diversos handhelds e smartphones no início dos anos 2000 até ser de ser vendido para a Marvell em 2006 em favor de uma nova visão estratégica onde todos os computadores — de um celular até um supercomputador — falassem o mesmo dialeto, o bom e velho o x86.

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Fora isso, a empresa também propôs novas plataformas de computação como o UMPC, o MID e até sistemas operacionais alternativos como o Moblin (embaixo), que depois virou Meego, que depois virou Tizen, que depois virou fumaça.

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Mas ao contrário do que se imaginava, levar o ecossistema x86 para o mundo móvel não está sendo assim tão suave — para não dizer tortuosa — já que com sua saída do mercado de chips ARM a Intel teve que recomeçar do zero, ou mais exatamente com o lançamento do processador Intel Atom em 2008 cujo design foi refinado, refinado e refinado nestes últimos anos até chegar ao primeiro produto realmente viável e bem sucedido: o SoC Medfield visto publicamente pela primeira vez na CES de 2012:

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O problema é que todo esse esforço custou bem caro para a Intel já que nesse período, diversos concorrentes parceiros da ARM continuaram a evoluir e avançaram bastante no que se refere a oferecer chips com melhor relação de desempenho x watt ao ponto de uma delas passar a Intel em valor de mercado.

De fato, alguns rumores chegam a afirmar que a dificuldade da Intel para se adaptar a esse novo mundo móvel, foi um dos motivos para Paul Otelini se aposentar, abrindo assim espaço para que novas cabeças enfrentem esse desafio de conquistar o chamado mundo pós-PC.

E que melhor local para anunciar essa nova jornada do que na sua própria conferência técnica?

CES2013_Intel_Atom_Z2420_designs

Assim, entre os anúncios de chips, a Intel vai apresentar a nova microarquitetura Silvermont, que é a base dos processadores (ou mais exatamente SoCs baseados no Atom) Merrifield para smatphones com Windows Phone (uia!) ou Android e o Bay Trail  voltado para tablets com Windows 8, sistemas híbridos e PCs de entrada. Fora isso, ela irá anunciar o lançamento de uma série de smartphones em mais de 30 países.  Outro assunto a ser discutido nas apresentações é o conceito de computadores vestíveis que pode assumir a forma de um acessório como um relógio de pulso até uma peça de roupa.

Já a plataforma Ultrabook entra numa nova fase que vai além do ser apenas leve e fino. A novas tendências vão na direção de modelos do tipo dois-em-um que também podem funcionar como tablets e com a chegada do novo Core ix de quarta geração codinome “Haswell” cujo grande atrativo é seu baixo consumo, sendo que alguns modelos funcionam com apenas 4,5 watts e será a base de uma nova geração de dispositivos inovadores, como Ultrabooks, híbridos, all-in-ones, notebooks e desktops para todos os gostos e bolsos.

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Com relação aos keynotes, o de abertuda no dia 10 de setembro será apresendado por Brian Krzanich, novo CEO da Intel e a presidente Renée James que farão sobre essa redefinição no curso da empresa cujo objetivo é de alcançar a liderança no mercado de computação móvel.

Já no dia 11 Doug Fisher, VP Software e Serviços, discute a estratégia de software da Intel. Kirk Skaugen, VP PC Client, fala sobre as inovações do que vem ocorrendo na computação móvel, tanto para consumidores, quanto para empresas.

Nesse mesmo dia, Herman Eul, VP de Mobilidade, falará sobre os dispositivos pessoais móveis sempre ligados, sempre conectados, incluindo os novos modelos já equipados com Bay Trail.

Finalmente no dia 12, Genevieve Bell, antropóloga e diretora do grupo de Pesquisa em Interação e Experiência da Intel, fará um discurso sobre o futuro da mobilidade.

O IDF 2013 acontece entre os dias 10 e 12 de setembro, no complexo Moscone West em São Francisco. Estaremos lá para conferir as novidades.

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Disclaimer: Mario Nagano viaja a San Francisco a convite da Intel, mas todas as opiniões e as fotos bacanas são dele.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.