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IDF 2011: Atom entrará de cabeça no mundo dos tablets

Empresa anuncia mudanças na sua estratégia de desenvolvimento de novos chips, sendo que o Atom “correrá por fora” para alcançar a concorrência no segmento de tablets e smartphones.

Stephen Smith, vice-presidente e (até o IDF do ano passado) diretor de operações de clientes de PC, está de cargo novo e assumiu a direção do Desenvolvimento de Notebooks e Tablets na Intel. E em uma apresentação exclusiva para a imprensa ele declarou que, para atender as novas demandas do mercado, a Intel está mudando a maneira como desenha seus chips e que a regra do jogo é alta integração de componentes. Quer dizer, a Lei de Moore vai bem obrigado e ganha ainda mais importância neste momento.

Com isso ele quer dizer que com as novas tecnologias criadas pela Intel como o processo de fabricação de 22 nm e o transístor trigate o pessoal de Santa Clara será capaz de (finalmente) entrar de sola (de maneira mais competitiva) no mercado de  smartphones e tablets. Smith disse que só com a tecnologia trigate foi possível reduzir o consumo dos transístores em até 50% e que com o processo de 22 nm será possível espremer até quatro núcleos de processamento onde só cabiam dois de 45 nm.

Outra mudança anunciada pelo executivo é que até hoje a Intel projeta seus processadores e sua versã0 System On a Chip (SoC) como produtos à parte, contando cada um com seu próprio grupo de desenvolvimento…

… sendo que a partir de agora haverá um esforço para haver uma maior sinergia entre esses grupos de modo que eles se tornem praticamente o mesmo produto, só que capaz de atender a um leque bem maior de aplicações tanto a nível de consumo quanto de desempenho.

Outro anúncio ainda mais interessante é que o processador Atom terá um ritmo diferente de desenvolvimento dos seus irmãos maiores. De fato o que dá para entender é que a partir de 2012 a microarquitetura do Atom seja renovada na mesma época que a Intel renova/reduz seu processo de fabricação…

De modo que a empresa terá um chip totalmente novo a cada ano. Assim em 2012 teremos o Saltwell de 32 nm em 2012, o Silvermont de 22 nm em 2013 e o Airmont em 2014. Com isso Smith também declarou que a cada nova geração o desempenho de alguns de seus componentes internos — em especial a sua aceleradora gráficairá melhorar cada vez mais, mas numa conversinha reservada que eu tive com ele fora da sala de imprensa ele me explicou que sim, o ganho será significativo mas que ele nunca irá ficar no mesmo nível de desempenho dos chips mainstream como o Ivy Bridge/Haswel,l já que estes também irão dar o seu salto de desempenho afastando-se novamente dos Atoms.

E com o passar do tempo, a idéia é que até os grupos de desenvolvimento do Core e Atom…

Se integrem numa única estrutura permitindo assim uma maior troca de informações e uma estratégia coesa e unificada de desenvolvimento.

No final da sua apresentação, Smith ainda mostrou um protótipo (ou mais exatamente um design de referência) de um tablet baseado no Medfield — codinome Red Ridge — rodando Android. A idéia nesse caso é de ajudar os OEMs a criarem seus próprios produtos baseados na plataforma Intel.

Cool…

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • angelico 21/09/2011, 12:25

    Matéria interessante!
    Por acaso alguém sabe qual o limite teórico da miniaturização dos chips?
    Seria o raio atômico, ou seja, algo próximo ao ângstron (0,1 nm)?

  • Cesar Cardoso 21/09/2011, 12:48

    Não sei se a Intel vai conseguir se manter competitiva na Era ARM(*), mas FINALMENTE tem uma estratégia. Só não sei se vai conseguir atrair alguém, já que os velhos amigos taiwaneses são de pouca serventia nesse admirável mundo novo em que ninguém mais quer saber de PC.

    Talvez por isso todo mundo estivesse mais animado com o Windows 8 rodando nos SoCs ARM na BUILD, ou então com a nVidia hypando o quad-core…er… cinco cores Tegra 3.

    (*) Sim, estamos na Era ARM, e ela começou quando a Microsoft demonstrou o Windows 8 nos SoCs ARM, lá no início do ano.

    • nerdsabetudo 21/09/2011, 22:35

      a era AMR começou com o sucesso de vendas do iPhone seguido pelo Android. O Windows 8 rodando em ARM apenas irá ampliar o uso dos chips, mas não o responsavel pela mudança. Em tempo: a Apple já testa um MacBook Air com seu chip A5.

  • Leandro 21/09/2011, 13:18

    yep, um chip novo a cada ano, com soquete novo a cada ano, com motherboards novas a cada ano, isso não muito legal em tempos de crise… :p

  • Gabriel 21/09/2011, 13:27

    O mundo realmente precisa de um tablet x86? ARM evoluiu demais…

    • mnagano 21/09/2011, 14:03

      Bom, na época que a Intel vendeu a sua linha de processadores XScale (por sinal baseado no Strong-ARM) para a Marvell o que eu ouvi da boca de Anand Chandrasekher (na época VP de ultramobilidade) é que a visão do pessoal de Santa Clara era de um ecossistema amplo onde todos os equipamentos — desde um simples smartphone até um supercomputador many-core — falassem o mesmo dialeto: x86.

      Sob esse ponto de vista desfazer-se do XScale fez todo sentido.

      E cá entre nós, acho que os acionistas da Intel devem achar que o mundo realmente precisa de um tablet x86 — de prefência milhões deles.

      • Gabriel 21/09/2011, 14:15

        do ponto de vista deles, é claro que eles querem enfiar x86 em tudo quanto é canto. Mas do ponto de vista do consumidor, nós realmente precisamos de um tablet com ventoinhas?

        Eu acho que o que não conseguiram evoluir ainda muito bem, são as GPUs de tablets e smartphones. Digo para jogos, pois para decodificar HD, com um processador dedicado é fácil…

        • mnagano 21/09/2011, 14:25

          Como sempre digo: com a Intel o negócio é não subestimá-la e sempre esperar pra ver.

          Para mim ela é como um daqueles porta-aviões nucleares americanos: grande, poderosa, super hi-tech, cheia de recursos mas meio lerda nas correções de rota, Mas quando a direção está marcada e as turbinas funcionando a todo vapor, melhor sair da frente porque o bicho não tem breque.

    • nerdsabetudo 21/09/2011, 22:38

      tanto não precisa que não está comprando. QUem vai trocar um iPad cuja bateria dura 10 horas em uso e de forma silenciosa por um tablet mais gordinho, com ventoinha funcionando 100% do tempo e com metade da capacidade de duração da bateria? Somente os funcionários da Intel mesmo…

  • Anderson Costa 21/09/2011, 14:41

    Agora, a Intel só pode correr por fora mesmo, já que por dentro, as soluções ARM já dominam. Mas como o Nagano disse, a Intel não deve ser subestimada.

  • Rogerio0991 21/09/2011, 16:02

    Estamos chegando ao limite do tamanho atômico. Qual seria o próximo passo?

    • mnagano 21/09/2011, 17:34

      O que dá para entender é que com a invenção do transístor trigate que permite espremer mais transístores no mesmo espaço ocupado por um do tipo planar sem ter que reduzir a escala de fabricação abriu uma boa folga para a Intel e sua lei de Moore.

      Ainda tenho gravado uma segunda entrevista exclusiva com o Mark Bohr — que é o responsável pelo desenvolvimento do Trigate — que preciso escrever. Acho que ele disse algo sobre além dos 14 nm.

      • Rogerio0991 21/09/2011, 18:44

        Essa entrevista parece-me ser muito interessante. O Trigate é um conceito incrível, no quesito processamento e no quesito "como ninguém pensou nisso até agora". Mas pelo rápido tempo de evolução com que vem sido desenvolvido a informática, a Intel não conseguirá manter a lei de Moore por muito tempo se não buscar outras alternativas. Será que até lá a computação quântica terá se desenvolvido ou você vê outro futuro?

  • RJP 21/09/2011, 18:01

    … e a Intel começa a correr atrás do tempo perdido. Só q c/ Microsoft soltando Windows 8 e Office 2012 p/ ARM, e a boataria da Apple migrando tudo p/ ARM em 2013… Resta à AMD fazer ARM tb, p/ n perder o bonde da história. Pq do jeito q vai, a Intel vai continuar batendo na tecla do x86 por um bom tempo, o q eu acho complicado. Afinal das contas, é um core velho, remendado e ainda problemático em várias coisas: como dissemos no Retrocomputaria #17a, a Intel ainda n mostrou um processador q consiga funcionar c/ tão pouco consumo de energia como a Zilog o fez, lá há alguns milênios atrás, c/ os Z80…

  • Guilherme Mac 24/09/2011, 01:49

    Espero que com a entrada definitiva da Intel o MeeGo decole pois a versão para tablets está demais.