IBM Watson: o computador pensa bastante (e bem) antes de falar

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Durante anos um grupo de cientistas da IBM perseguiu um grande desafio: o de construir um sistema capaz de responder perguntas em linguagem natural de maneira ágil, correta e de maneira tão confiante quanto uma pessoa. E quando conseguiram botaram ele para chutar alguns traseiros humanos num jogo de TV (e deu certo!)

 

 

Como muitos já sabem, no início da semana passada entre os dias 14 a 16 de fevereiro, a IBM promoveu uma competição de perguntas e respostas baseada no programa de TV Jeopardy, onde o supersistema IBM Watson bateu cabeça com dois maiores vencedores desse jogo — Brad Rutter (que ganhou mais de US$ 3,4 milhões) e Ken Jennings (que levou pra casa outros US$ 2,5 milhões).

A disputa foi assim:

 

Agora, por que usar Jeopardy como exemplo de divulgação? Primeiro: porque muita gente (ou pelo menos o público americano) conhece bem as regras desse jogo (já que eles está no ar desde meados da década de 1960) e, segundo,  ao contrário de Deep Blue — outro sistema que em 1997 bateu o campeão de xadrez Garry Kasparov — cuja “inteligência” baseava-se essencialmente na sua força bruta e velocidade de analisar jogadas, no caso de Watson seu sistema foi concebido para entender o sentido da linguagem humana de acordo com o seu contexto com o objetivo de encontrar a resposta precisa para perguntas complexas.

Sob esse ponto de vista, Jeopardy oferece um grande desafio por que as perguntas não foram feitas para serem respondidas por um computador. Isso porque quem quiser participar desse programa precisa dominar todos os aspectos de uma linguagem natural, como regionalismos, gírias, metáforas, ambiguidades, sutilezas, trocadilhos e coisas do tipo e não apenas trabalhar com o sentido literal da informação.

Fora isso Watson, incorpora uma nova maneira de recuperar informação de maneira rápida a partir de imensas quantidades de informação permitindo lhe assim uma profunda capacidade de análise e interpretação. De fato a IBM diz que a capacidade analítica de Watson é capaz de investigar o equivalente a cerca 200 milhões de páginas de dados (ou perto de um milhão de livros) permitindo que ele seja capaz de responder a uma pergunta em aproximadamente três segundos.

 

 

 

 

O sistema Watson roda num cluster de 90 servidores Power 7 interligados por uma rede de alta velocidade.

Esssa capacidade de lidar com linguagem natural e responder precisamente questões complexas possui um grande potencial de transformar a maneira com que as máquinas interagem com os seres humanos, ajudando-os a conquistar seus objetivos. Essa tecnologia poderia ser usada por exemplo nas áreas de saúde para auxiliar no diagnóstico de doenças, melhorar a qualidade dos serviços de helpdesk, orientar habitantes locais e turistas a respeito de informações sobre uma cidade, oferecer suporte ao cliente de maneira eficiente em qualquer dia e a qualquer hora e muito mais.

Com isso podemos dizer que Watson é capaz de pensar? Segundo a IBM sim, mas de uma maneira diferente a dos seres humanos. Isso porque a capacidade de Watson de aprender as correlações entre as informações vem por meio da seleção das informação e a interpretação dos mesmos e não da simples assimilação de conhecimento ou seja, ele só sabe aquilo que lhe foi ensinado e ainda não é capaz de aprender algo por sua conta e incorporá-lo a sua base de conhecimento.

Henrique comenta: Nagano, dá pra dizer que o Watson é um primo distante do HAL 9000?

A empresa diz, porém, que é só uma questão de tempo até que os computadores sejam capazes de aprender de maneira autônoma e nesse momento eles deixarão de ser simples ferramentas de execução para se tornarem parceiros dos seres humanos ajudando-os a tomar decisões e realizar as tarefas de maneira mais eficente. Assim a crença de que a computação deve fazer muito mais pelas pessoas é a nova fronteira da tecnologia da informação.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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