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Números enormes: processador IBM Power 9

Novo chip adota uma nova arquitetura híbrida onde o processador trabalha em conjunto com GPUs da NVidia para acelerar tarefas de IA como inferência e aprendizado de máquina.

A IBM Brasil fez ontem (13) o lançamento oficial do processador Power 9 no Brasil, assim como sua nova linha de servidores acelerados baseados nessa nova plataforma. Esse evento fez parte de um roadshow que passou por diversos países. A última parada foi em São Paulo, onde foram apresentados produtos e soluções da casa, assim como uma série de apresentações dos executivos da empresa…

… com direito a uma mini sessão de cinema onde foi apresentado um filme cujo herói da trama nem é o nerd do pedaço e sim o novo chip da casa:

Para quem ainda não foi apresentado,  o processador IBM Power 9 é um chip de 14 nm com tecnologia FinFET onde foram espremidos ~8 bilhões de transístores que formam 24 núcleos de processamento (ou cores), 120 MB de cache L3, 4/8 linhas de processamento (multithread) simultâneo que suporta barramento PCIe Gen4 de 48 vias e barramento de memória de 120/230 GB/s.

O Power 9 será oferecido em duas versões: uma para clusters de servidores comuns de um ou dois soquetes e a segunda para servidores do tipo NUMA com quatro ou mais soquetes, o que permite uma maior quantidade de memória RAM compartilhada.

Porém, a maior sacada desse produto é que o Power 9 incorpora uma interface CPU-GPU de próxima geração batizada de NVLink 2.0 que permite que esse chip trabalhe de maneira eficiente e harmônica com as GPUs da NVidia combinando assim o melhor de dois mundos, ou seja, a capacidade de processar dados da CPU da IBM com o poder de devorar números das GPUs da NVidia. Com isso a empresa afirma que seu novo chip chega a ser 50% mais veloz que seu antecessor.

Isso foi possível graças a uma inciativa da IBM batizada de OpenPOWER, que abriu a arquitetura Power para o mercado na forma de uma licença bem liberal e amigável o que permitiu que outras empresas contribuíssem de maneira colaborativa para melhorar a plataforma como um todo.

Esse modelo de computação híbrida cai como uma luva na estratégia da IBM já que hoje ela investe pesado em duas tecnologias que ela acredita serão essenciais para a chamada transformação digital das empresas — a Computação na Nuvem e a Computação Cognitiva — sendo que as aplicações de inteligência artificial irão se beneficiar (e muito) com a tecnologia da NVidia principalmente na área de machine learning (já escrevemos sobre isso aqui).

Neste ponto, vale a pena ressaltar que Machine Learning (ou aprendizado de máquina) não é o mesmo que Deep Learning (aprendizado profundo), sendo que esta última é a tecnologia utilizada pelo IBM Watson. Assim, a contribuição da NVidia vem mais para adicionar/fortalecer o lineup de produtos da casa e não para competir com o já existente.

Já os novos servidores IBM Power System AC922 são os primeiros sistemas a incorporar as novas interfaces PCIe 4.0 e NVLINK e, é claro a dobradinha Power 9

… mais GPUs da NVIDIA que, pela aparência do cooler…

… parece ser o TESLA V100:

O curioso é que o atual (e maior) garoto propaganda do Power 9 é também o computador mais veloz do mundo (pelo menos até a publicação deste post) que responde pelo nome de Summit e foi construído pela IBM para o Oak Ridge National Laboratory equipado com 9.216 processadores Power 927.468 GPUs Volta V100 da NVIDIA, mais de 10.000.000 GB de memória SDRAM DDR4, HBM e não-volátil.

Sua capacidade total de processamento é de ~200 petaflops e seu consumo máximo é de ~13 MW.

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Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.