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IBM faz 100 anos!

Microsoft, Apple, Google e Facebook podem até ser as empresas de TI da hora, mas será que elas irão existir daqui a cem anos como a Big Blue?

Nascida em 1911 a partir da fusão de quatro empresas, a Computing Tabulating and Recording Company (CTR) começou como uma empresa especializada em cartões perfurados, balanças comerciais e relógios. O nome IBM (International Business Machines) veio apenas em 1924, inspirado na marca que já era usada pelas filiais da companhia no Canadá e na América Latina…

… mais exatamente no Brasil (uia!), onde a primeira fábrica fora os EUA foi construída em 1917 (olha a foto abaixo). Já o apelido Big Blue data da década de 1960, provavelmente relacionado ao uso da cor azul em sua imagem corporativa (como no famoso logo de 1972).

Meu colunista de tecnologia favorito, Robert Xavier Cringely, descreveu assim a IBM dos anos 1990 em Impérios Acidentais:

… em muitos aspectos a IBM é realmente mais um país do que uma empresa. Ela possui centenas de milhares de cidadãos, tem sua burocracia, sua própria cultura, de fato ela tem tudo que uma nação possui menos um exército. (…) Por mais de 60 anos, Tom Watson e seu filho Tom Jr. transformaram o que seus funcionários chamam de Big Blue na maior empresa de computadores do planeta.

Mas a IBM fazia mainframes para grandes empresas e não computadores pessoais (pelo menos ainda). Para o PC ser levado a sério nos grandes negócios, os nerds do Vale do Silício deveriam se unir aos engravatados da américa corporativa. Ela não demitia ninguém, exigindo em troca apenas lealdade cega para com a companhia e uma regra de vestuário bastante rígida (camisas brancas e ternos azuis). A IBM contratava trabalhadores dedicados e conservadores diretamente da faculdade de modo que poucos IBMers participaram do verão do amor. Sua grande curtição estava nos mainframes gigantes e na responsabilidade corporativa. Eles trabalhavam das nove as cinco e  no sábado lavavam seus carros.

A IBM é como a Suíça — conservadora, meio lenta, mas mesmo assim próspera. Ela possui comitês pra verificar cada decisão e a rede se segurança é tão grande que é difícil tomar uma decisão errada — ou mesmo tomar qualquer decisão!

(Qualquer semelhança com outra empresa líder do ramo de softwares para PC não é mera coincidência).

Um exemplo curioso dessa cultura IBM é que por muito tempo ela manteve um hinário (sim, uma coleção de hinos!) que, além de elevar a moral dos colaboradores em reuniões, servia para homenagear produtos, serviços, grandes funcionários e até datas especiais, como seu 40º aniversário.

THE ANNIVERSARY SONG OF I.B.M.

Ao som de: “Marching through Georgia”

I. B. M. is marching on to world-wide victory
Born in 1888, and now full-grown, you see.
T. M., Scales, and I. T. R.—one fine big family
The I. B. M. Corporation.

Forty years we’ve served mankind with marvelous machines,
In every modern business place our products are supreme.
Man-power, time, and money saved for commerce kings andqueens—thru
The I. B. M. Corporation.

International is our name and it well befits our line;
Serving in all nations—we’re known in every clime.
Just watch us grow from year to year until the end of time,
Our I. B. M. Corporation.

Chorus

Hur rah! Hur rah!  For g lorious I . B. M.
Hurrah! Hurrah! we’re T. J. Watson men.
Fortieth Anniversary of great accomplishment
By I. B. M. Corporation.

O meu favorito é o hino de número 74 (em especial a primeira estrofe):

OUR I.B.M. SALESMEN

Ao som de: “Jingle Bells”

I. B. M., Happy men, smiling all the way.
Oh what fun it is to sell our products night and day.
I. B. M., Watson men, partners of T. J.
In his service to mankind—that’s why we are so gay.

I. B. M., Watson men, International line:
Proud T. M.—Dayton Scale—and I. T. R. so fine
I. B. M. goods and men, leaders all the time.
Saving money, time and men. in every land and clime.

Quando estava na faculdade nos idos de 1980, a IBM parecia mais uma entidade religiosa e  todos os fiéis direcionavam suas orações para a sede da congregação empresa lá na rua Tutóia. Entrar na companhia como ingressar no serviço público e qualquer um que se atrevesse a sair de lá por livre e espontânea vontade era chamado de maluco.

Como perdi a oportunidade de ser um IBMer, só fui conhecer o interior do templo quando virei jornalista nos anos 90 – e confesso ter sido o único lugar em que me senti realmente desconfortável por não usar uma gravata (mesmo vestindo meu terno de pedir emprego).

Mas, para o grande público, a imagem da IBM está mais associada a um produto que, de certo modo, foi para ela uma fonte de grande satisfação e de grandes dores de cabeça: o IBM PC.

Lançado em 1981, o produto nasceu para fazer frente ao Apple II que, junto à primeira planilha eletrônica do mundo — VisiCalc —, fez com que o computador deixasse de ser apenas um instrumento de administração e controle para se tornar uma verdadeira ferramenta de produtividade pessoal. Quem já fez alguma solicitação de serviço/alteração de sistema para o pessoal do  mainframe/CPD e recebeu um “quando a gente tiver tempo a gente dá uma olhada nisso” como resposta sabe do que estou falando.

Reza a lenda que para desenvolver um computador pessoal com tecnologia própria, a IBM levaria pelo menos três anos — o que poderia ser tarde demais para a empresa. Assim, ela partiu para um plano alternativo e criou uma espécie de “grupo rebelde”, que trabalharia livre do controle e da burocracia da empresa, liderado por Don Estridge e Bill Lowe, da divisão de Entry Systems da IBM em Boca Raton (Flórida). A estratégia Open Architecture tinha como missão montar um computador com componentes e tecnologia de terceiros, sem software, produtos, serviços ou suporte de vendas da IBM. Isso incluía o sistema operacional, que foi encomendado para uma pequena empresa chamada Microsoft.

O Modelo 5150 chegou com expectativa de vender 500 mil unidades até 1984. Vendeu três milhões, transformando o projeto alternativo da IBM em um padrão de mercado que sobrevive até hoje (aliás, ele vai completar 30 anos no próximo dia 12 de agosto).

O grande problema dessa estratégia é que, como a máquina era feita praticamente com itens de prateleira, qualquer um poderia construir seu próprio PC parecido, pero no mucho. Porque havia uma única coisa realmente criada pela IBM: a ROM BIOS, uma rotina em linguagem de máquina que garantia total compatibilidade com os softwares feitos para o IBM PC (incluindo a killer app da época, o Lotus 1-2-3) e que era protegida por um exército de advogados da corporação.

Três texanos melaram esse esquema. Rod Canion, Jim Harris e Bill Murto investiram US$ 1 milhão para que 15 programadores recriassem a ROM BIOS da IBM por meio de engenharia reversa. Surgia a Compaq Computer, que lançou o primeiro clone de PC a um preço um pouquinho menor do que o da IBM e vendeu mais de 47 mil unidades no seu primeiro ano de existência –  e abriu o caminho para que a criatura escapasse do controle do seu criador. O resto dessa novela todo mundo já conhece.

Histórias à parte, a IBM mudou muito na última década, reinventando-se como uma empresa de produtos e serviços (ou e-business, como ela gosta de dizer) conseguindo sobreviver em uma órbita mais ou menos segura na briga de foice que é hoje a indústria de PCs. Ela encontrou o seu próprio caminho e se a IBM não dita mais o ritmo do mercado, ela também nem sempre dança a mesma música que os outros do mercado. Por exemplo, ele comercializam servidores Intel/x86 com Windows mas também trabalham com PowerPC/RISC com Linux.

O período também marca uma mudança nas campanhas da empresa, que deixaram de ser tão sizudas – alguma são até bem divertidas:

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Para comemorar a data, a IBM colocou no ar um hotsite dedicado ao centenário (o que inclui uma série de itens comemorativos a venda na sua lojinha). E a filial brasileira divulgou o seguinte vídeo para contar um pouco da história desta verdadeira instituição americana:

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Long Live IBM!


Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Felipe Estev3s 16/06/2011, 21:22

    Será que eles entregam no Brasil? O Think Book e essa camiseta que ilustra o post são muito legais, além de muito baratinhos.

  • Edy 17/06/2011, 13:59

    Parabéns IBM, seus funcionários contribuem muito para a ciência e para a evolução, não só tecnológica mas para outros campos também.

  • Fernando P B Lange 19/06/2011, 12:00

    Parabéns IBM !
    Eu sou Fernando Paes de Barros Lange, e fui um IBMer da rua Araújo, São Paulo, Brasil. Ainda sou apaixonado pelo Assembler e seu System/370 Refence Summary. Trabalhei dentro do Mundo IBM durante 25 anos, tendo desenvolvido muitas aplicações sob o CICS, que acabou sendo minha especialidade.
    É uma emoção muito grande assistir ao hotsite decidado ao Centenário da IBM !
    Obrigado por essas maravilhosas e deliciosas recordações.

  • dflopes 20/06/2011, 13:42

    QUE COMERCIAL FANTASTICO….

    para uma empresa longeva como a IBM, que uniu engenharia, fisica, qumica, antropologia e novos materiais numa pesquisa pra fazer computadores e softs melhores…

    E pra quem usa fortran 90/90 até hoje, nao sabia que ele era TÃÃÃÃÃO antigo.

    E pensar que aprendi informatica num IBM/PC com dois slots de disquete 5­.5 (cinco e meio).
    Um para carregar o DOS e outro para carregar o programa e o arquivo salvo, seja o wordstar, lotus 123, dbaseIII ou Basic