Hands-on: relógio inteligente Huawei Watch GT

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O Huawei Watch GT é o segundo acessório da marca a chegar ao Brasil, e começa a ser vendido amanhã (16). Venho usando o relógio inteligente nas últimas duas semanas e e desenvolvi uma relação curiosa com ele.

Em resumo, é um excelente rastreador de exercícios, um belo relógio e um smartwatch bastante preguiçoso.

Huawei Watch GT

O Huawei Watch GT que recebi é da variante Active, que está sendo lançada no Brasil, com caixa de 46 mm pelo preço sugerido de R$ 1.499. A linha Watch GT tem outros modelos (Sport, Elegant e Classic) sem previsão de lançamento por aqui – muda apenas o acabamento. O modelo que recebi mede 46,5 x 46,5 x 10,6 mm, pesa 46 gramas (sem a pulseira) e, bem, parece muito com um relógio de verdade…

…até com botões laterais (são botões apenas, não dials).

E um acabamento muito bonito, com a caixa em aço inoxidável. A coroa não é móvel, apenas decorativa.

Atrás estão o sensor óptico de batimentos cardíacos e os conectores do carregador de bateria. Nos sensores, o Watch GT tem ainda um acelerômetro, giroscópio, magnetômetro, luz ambiente e barômetro. A caixa é resistente a água (e aguenta mergulhos até 5 ATM).

A pulseira que veio no modelo que testei é a verde-escuro, mas a Huawei também me enviou uma pulseira laranja (na foto que abre este post). Com uma trava simples, é fácil trocar o visual do relógio.

A tela de 1,39 polegada AMOLED tem resolução 454 x 454 e o relógio tem conectividade Bluetooth com o smartphone. É preciso baixar o app Huawei Health para poder usar o Watch GT, que sincroniza dados com o Google Fit. Do momento que tirei o Watch GT da caixa, ele teve três atualizações de sistema – e a promessa da Huawei de um novo upgrade em breve que o fará falar português brasileiro, não apenas o de Portugal.

Como acessório para esportes, o Huawei Watch GT é excelente, e sua bateria dura muito (passei uma semana usando e ao final dela estava com 40% de carga; na último domingo – dia 11/8 – recarreguei, saí para andar três dias com o modo exercício ativado e está com 73% de carga, o que é excelente). O relógio mede batimentos cardíacos, o GPS rastreia direitinho a rota feita, o acompanhamento de sono é muito completo (mais sobre ele adiante), os programas de exercícios são incríveis.

Mas fica por aí: no lado “inteligente”, não tem muito além de sincronizar os dados com o smartphone e mostrar notificações (mostra ligações telefônicas e a opção apenas de… desligar a chamada!).

Por usar um sistema operacional proprietário da Huawei, o Watch GT não fala com outros apps para Android (e, por tabela, iOS). Então, se você sai para andar/correr/fazer exercício, não tem como controlar a música que está ouvindo no Spotify, por exemplo. Gadgets mais simples (e bem mais baratos) como a pulseira Xiaomi Mi Band 3 (ou 4) fazem isso de forma muito mais completa.

Huawei Watch GT: na prática

A navegação no Huawei Watch GT é muito simples e intuitiva. O botão superior abre o menu de aplicativos, o inferior o menu de exercícios disponíveis -como dá para ver nas imagens acima. A tela é sensível ao toque e responde rápido na navegação. As faces do relógio podem ser trocadas direto no aparelho ou no Huawei Health.

Usei o Watch GT para andar (não sou da corrida). Marquei a meta de 6 quilômetros e ele fica numa tela com informações do seu ritmo cardíaco, distância completada, ritmo e tempo de exercício. Uma coisa muito legal é que, conforme seu ritmo cardíaco sai do modo de descanso, o relógio indica se você está numa fase de queima de gordura, aeróbica, anaeróbica e desempenho extremo (o indicador mais ao lado direito da tela) – no meu caso, chegar ali é ficar com muito pouco fôlego.

Se você já fez exercícios na vida com monitores cardíacos (já tive minha fase rato de academia anos atrás, mas passou), sabe que é muito bom ter acompanhamento para melhorar o condicionamento físico. Nesse sentido, o Watch GT é quase perfeito – tirando o fato de ser complicado de ver no sol direto, as fontes usadas do display (principalmente as menores) são um pouco ilegíveis em ambiente externo e o modo exercício bloquear o acesso às notificações (entendo, foco na meta, né?).

Durante o uso no exercício, deslizar a tela dá mais detalhes do que está acontecendo ali, como elevação…

… ou mesmo deixar só o ritmo cardíaco.

No final do exercício, o relógio mostra um resumo do que aconteceu, incluindo um mapa do trajeto, mas que é melhor visualizado no Huawei Health. Um modo curioso de medir a precisão do GPS de um dispositivo (seja relógio ou smartphone) é sair de casa e andar até o Parque da Independência, no Ipiranga.

Da porta de casa até a entrada do parque, dá 1 quilômetro cravado – o Watch GT segue o que já vi no Samsung Galaxy Watch e no Apple Watch (e o Galaxy Note 9), alertando a distância quase sempre no mesmo lugar. O Huawei P30 Pro me dá parabéns alguns metros antes de entrar no parque – o que mostra que o GPS dele deve estar um pouco descalibrado.

O Huawei Watch GT também mede o sono. Costumo dizer que já testei um monte de gadgets e meio que, para mim, é um recurso um pouco desnecessário para acompanhar (e acho esquisito dormir de relógio). De qualquer modo, o resultado é bem completo, medindo sono leve, profundo e REM.

Moral da história: adorei o Huawei Watch GT como rastreador de exercícios. Ele é muito bom no que promete e cumpre de forma excepcional, e a bateria tem uma duração enorme. Mas ainda precisa melhorar muito na integração de apps com o smartphone. Ou melhor, ter uma integração que vai além de meras notificações de WhatsApp que não podem ser respondidas pelo relógio.

[Huawei]

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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