Review: smartphone Huawei P30 Pro

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A chegada do Huawei P30 Pro ao Brasil é uma ótima notícia para o consumidor: Samsung Galaxy S10 e iPhone XS não estão mais sozinhos na categoria de aparelhos premium vendidos por aqui.

O aparelho da Huawei com 256 GB de armazenamento chega por um preço competitivo (R$ 5.499) – é o mesmo valor sugerido pela Samsung para o Galaxy S10+ de 128 GB e, bem, tem a melhor câmera do mercado hoje.

Huawei P30 Pro: parte traseira

Passei o último mês usando o P30 Pro como smartphone principal. Além da câmera excepcional, vejo que a adoção do periscópio para o zoom óptico de 5x (e combinado de até 50x, o que é apenas uma brincadeira de possibilidades, sem uso prático) é o próximo passo em tecnologia de câmera para smartphone.

O que a Huawei fez nele será apropriado pelos principais concorrentes Android em um curto período de tempo, com certeza.

Vale lembrar que a Huawei tem duas linhas de produtos premium: a P, anunciada no primeiro trimestre e voltada a grandes recursos fotográficos, e a Mate, no quarto trimestre, voltada a desempenho. 

Primeiro um review-relâmpago com o que mais importa para os apressados, depois segue o texto completo.

Huawei P30 Pro: review relâmpago

O que importa no P30 Pro:

  • Câmera excelente com desempenho impressionante à noite
  • Zoom óptico de 5x é incrível, híbrido de 10x até 20x bom, de 20x para cima é “provar que a câmera vai longe pros amigos”.
  • Bateria com duração de um dia 
  • Carregador de 40W estupidamente rápido (0 a 70% em meia hora, em média). 
  • Tem porta infravermelho para usar de controle remoto

O que fica a desejar no P30 Pro:

  • “Gota de orvalho” no meio da tela atrapalha
  • Não tem conector de fone de ouvido
  • Fones de ouvido que vêm na caixa são cópia dos fones da Apple
  • Desempenho noturno da câmera fica restrito apenas à câmera principal
  • Armazenamento expansível limitado a cartões proprietários
  • Interface EMUI é contraditória (ame ou odeie, mas para quem vem do iOS é perfeita). 

Huawei P30 Pro: um review-podcast

Design, Tela

O Huawei P30 Pro tem uma tela OLED de 6,47 polegadas (FHD+, 2340 x 1080). Gosto da tela de menor resolução pelo simples motivo inteligente: ajuda a economizar bateria. É boa, mas não tão nítida quanto a Super AMOLED do Galaxy S10 (que tem mais resolução, por sinal, e é a melhor tela do mercado hoje). 

Huawei P30 Pro: gota no centro da tela

A tela tem um notch/entalhe/franja no formato de gota para ampliar o espaço de exibição e ficar com uma interrupção – o notch central me dá nos nervos e eu agradeço à Huawei pela possibilidade de desabilitar essa coisa. Desse jeito – e com as bordas laterais arredondadas da tela – o P30 Pro visto de frente lembra bastante um Galaxy S9 Plus (isso não é ruim, tá?). 

Huawei P30 Pro na cor Breathing White, que não vem ao Brasil para o lançamento

O acabamento do aparelho é muito bonito. Tive a sorte de pegar (no anúncio em Paris) uma amostra da cor “Breathing White”, que é um branco furtacor que vai do roxo ao azul claro, dependendo do ângulo de visualização. Vem uma capinha de plástico (que os especialistas chamam de TPU) na caixa do produto. Ela é daquelas que ficam engorduradas de tempos em tempos (leia-se todo dia), mas essencial: o vidro traseiro do P30 Pro risca fácil.

Para o lançamento no Brasil, a Huawei vai vender apenas os modelos Preto e o Aurora (mix de verde-e-azul), imagino que devem lançar outras cores no futuro se essas venderem bem. Para manter a simplicidade na linha, apenas o P30 com 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento interno chegam neste momento – no exterior existem versões de 128 e 512 GB. 

Huawei P30 Pro: botões no lado direito do aparelho apenas

A ordem dos botões físicos no P30 Pro é diferente de um Samsung ou Motorola: existem apenas o controle de volume e o liga/desliga (com uma marcação em vermelho) na lateral direita do dispositivo. Essa ordem tem uma explicação lógica ligada à fotografia: pela posição dos botões, ao encostar o P30 Pro na horizontal numa mureta ou janela para tirar fotos, os botões não atrapalham. Esperto! (num Samsung, ativaria a Bixby ;))

Huawei P30 Pro: gaveta para SIM Card, conector USB-C e alto-falante

Embaixo do aparelho estão a gaveta para SIM cards, o conector USB-C e o alto-falante inferior.

Huawei P30 Pro: gaveta para dois SIM Cards de operadoras ou um SIM card e o cartão proprietário da Huawei

A gaveta para dois SIM cards fica na base do aparelho. É possível usar um dos slots de SIM card como expansão de armazenamento, caso você tenha (ou alguém no mundo) um cartão de memória padrão NM, desenvolvido pela própria Huawei.

Os cartões NM já foram adotados no Mate 20 ano passado, e é incerto se a Huawei vá vendê-los por aqui – ainda bem que o aparelho vem com generosos 256 GB internos. 

Huawei P30 Pro: microfone (à esquerda) e o transmissor infravermelho no topo do aparelho

Outro recurso tecnológico útil, porém esquecido no passado dos smartphones, é a presença de um transmissor infravermelho no topo do aparelho: o P30 Pro vira um controle remoto.

Finalmente, dois detalhes relacionados à tela: se você olhar de perto, não existe uma grelha de alto-falantes no topo dela. O som vem de dentro da tela, e funciona muito bem (é algo que o LG G8 faz também). E o leitor de impressões digitais é integrado à tela também (do tipo óptico – “acende” uma área da tela quando você vai desbloquear o aparelho, sempre). 

Desempenho, Configurações, Bateria

O Huawei P30 Pro roda Android 9, tem um processador Huawei Kirin 980 (octa-core, 2*2,6 GHz baseado em Cortex-A76 + 2*1,92 GHz baseado em Cortex-A76 + 4*1,8 GHz baseado em Cortex-A55) e uma NPU (unidade de processamento neural) dupla. 

Na prática, é muito rápido. Não travou ne-nhu-ma vez nesse um mês de uso. Zero. Nada, nenhum “o [insira o nome do app aqui] parou de funcionar”. Um episódio apenas com o Gmail, que desistiu de mostrar minhas mensagens (aparecia uma tela em branco) em um momento, sem atrapalhar o desempenho do resto do aparelho. Reiniciei o P30 Pro, voltou ao normal.

Números de benchmarks do P30 Pro, se você é de benchmarks:

  • PC Mark Work 2.0 – 7.862 pontos
  • PC Mark Computer Vision – 5.476 pontos
  • GeekBench 4: 3.226 pontos (single-core) / 9.609 pontos (multi-core)

Para efeito de comparação, os números do Galaxy S10+ (Exynos 9820)

  • PCMark Work 2.0: 7.850 pontos
  • PC Mark Computer Vision: 5.206 pontos
  • GeekBench 4: 3.626 pontos (single-core), 8.870 pontos (multi-core)

A bateria de 4.200 mAH do P30 Pro aguenta um dia inteiro de uso (meu mínimo de bateria foi 24% num dia intenso após 12h9min, mas a média fica em 30%). Não precisei ativar modo de economia de bateria nenhuma vez nesse período. O gerenciamento de bateria do aparelho (creio que é coisa da EMUI) é do tipo ansioso: apareceu algum app consumindo algo a mais, ele avisa (Spotify, estou falando de você quando não está em uso). 

Algo pessoal que nunca falo nos reviews, mas me chamou atenção foi o consumo noturno de bateria, em stand-by: como a bateria recarrega muito rápido, acabo deixando uns 20 minutos, meia hora antes de deitar para completar a carga (com o modo de Bem-Estar Digital, o controlador de uso de todo seu tempo de tela, desligado).

Ligo o alarme para o dia seguinte e, com 90% ou 100% de carga ao deitar, acordo com 75%-80%. Tem algo que consome processamento durante a noite.

Huawei P30 Pro: capa de plástico, fones de ouvido USB-C e carregador de 40W (com cabo) vêm na caixa.

No review do Moto G7 Plus eu já fiquei entusiasmado com o carregador rápido TurboPower de 27W. O P30 Pro vem com um carregador SuperCharge de 40W. É ridículo conectar o cabo USB-C roxinho ao aparelho e ver a porcentagem de bateria subir na casa do decimal, e muito rápido.

A Huawei diz (e eu perguntei isso) que existem inúmeros procedimentos de segurança do sistema para garantir a integridade da bateria depois de um período prolongado de uso. Venho a acreditar (e disso só saberemos a resposta certa daqui a 11 meses), que tal carga rápida deteriora a capacidade total da bateria a longo prazo – a conferir. De qualquer modo, ver a carga subir muito rápido – ainda que apenas com seu próprio carregador – é impressionante. 

Nas notas relacionadas à bateria, a Huawei foi a primeira (no Mate 20, ano passado) a lançar um aparelho com carga reversa, usando a bobina de carregamento sem fio interna do aparelho para carregar acessórios (como fones de ouvido ou até mesmo um telefone compatível com padrão Qi). A Samsung se apropriou do conceito no Galaxy S10 e agora o P30 repete a ideia (mas não vai mudar a vida de ninguém ter isso integrado, no fim das contas). 

EMUI

O Huawei P30 Pro roda Android 9 “Pie” com a interface EMUI 9.1. É o ponto mais polêmico do aparelho: para quem vem de outros aparelhos Android, ela parece simples demais. Durante o período de testes, me propus a entender como adaptar meu uso ao sistema como sai da caixa e, depois de alguns dias de leve turbulência, me ajustei perfeitamente.

Mas (acredito) que entendo o motivo de não gostarem da EMUI. Ela é a interface perfeita para quem tem um iPhone e morre de medo de migrar para Android. A organização de apps é a mesma do iOS. Os gestos na tela são muito parecidos. Fiz um vídeo rápido, sem som, só de navegação do sistema. Note que ele é um iOS cuspido e escarrado 🙂

Para ajustar o uso do sistema ao meu cotidiano, fiz duas coisas imporantes: a primeira, mais simples: adotar a interface por gestos (e não botões na tela) depois de fazer o tutorial do sistema. A segunda foi desabilitar o atalho para o Google Assistente dos cantos inferiores – a todo momento ao tentar alternar entre câmera-galeria de fotos-câmera ativava o Assistente, e isso irrita. OK Google é mais que suficiente para ligar o recurso do Google, afinal.

Além do gerenciamento de bateria ansioso (que, tirando o período noturno, funciona muito bem controlando o que está consumindo carga em segundo plano e te alerta sempre), o P30 Pro e a EMUI trazem algo que me deixaram muito contente: sempre tem aquele momento que você está ouvindo música (Spotify, Tidal ou os velhos CDs ripados em MP3) e, sem querer, vai para a área de multitarefa do sistema e fecha tudo – incluindo suas músicas. O P30 Pro fecha tudo – menos o app de música.

Tem uma única coisa que me deixa preocupado – mais por ser a primeira vez que uso um aparelho da marca pra valer (o Nova 3 que testei ano passado não conta muito, já que o software não era final e nunca foi atualizado), que é como a Huawei lida com atualizações de sistema e updates de segurança.

No meu Galaxy Note 9 sei que todo mês tem ao menos uma atualização disponível. Desde que tirei o P30 Pro da caixa, ele teve uma atualização apenas – e não sei quando vai ter outra ou quais as políticas da Huawei para isso. A conferir.

Câmera

Huawei P30 Pro: câmeras zoom com periscópio (quadrada), principal de 40 megapixels e grande angular com 20 megapixels. Embaixo, ao lado do flash LED, o sensor ToF (a quarta câmera)

Oh, a câmera do P30 Pro desenvolvida em parceria com a Leica.

Em pouco mais de um mês, tirei mais de 3.295 fotos (mais capturas de tela e álbuns criados por apps, como o Photoshop Express e o Snapseed, chegou a mais de 3.600 fotos). Meu nome é Henrique e tenho problemas 😉

Huawei P30 Pro: último review com fotos da Mia ;((((

Eu sou daqueles que pegam um smartphone novo para testar e gostam de brincar com o modo Pro – ainda mais se tiver uma janela ou uma vista de local alto pra me divertir por um tempo. Para isso, porém, é preciso um apoio (janela, tripé) e tempo/paciência – ou uma mão muito firme.

Aí vem o P30 Pro e seus múltiplos modos de câmera. O automático é incrível (com a inteligência artificial ligada que identifica a cena e ajusta a exposição). O modo retrato funciona muito bem, graças à combinação de lentes para gerar o desfoque no fundo.

Huawei P30 Pro: Mario Nagano no modo Retrato

Mas o P30 Pro me ganhou no modo noturno. Selecione Noite no menu principal da câmera e vai ver o mundo de outro jeito.

Huawei P30 Pro: gato preto num quarto com luz ambiente baixa

Não importa se tem muita ou pouca luz: o P30 Pro vai tirar múltiplas exposições durante alguns segundos (obrigado, estabilizador óptico da câmera, por me aguentar por 3, 5, ou até mesmo 50 segundos, em casos raros) subexpostas e superexpostas e colar isso tudo numa imagem só. Nos exemplos abaixo, dá para entender como funciona:

Ainda no modo automático, o P30 Pro tira fotos em macro (ou “super macro”) incríveis também. Obrigado sensor Time of Flight, a “quarta câmera” do P30 Pro. E as fotos de comida, um tanto saturadas porém… deliciosas.

Vale notar que apenas a câmera principal de 40 megapixels (f/1.6 com OIS) é a única com o sensor RYB (e não um RGB tradicional). A câmera secundária grande angular (20 megapixels, f/2.2) e a telefoto (8 megapixels, f/3.4 com OIS) têm sensores RGB tradicionais e não têm o desempenho incrível (principalmente à noite) da câmera principal. São bons, mas não excelentes como a principal.

E acredito que a Huawei usou a cartilha Nokia Pureview em sua câmera. A câmera principal tira fotos em 40 megapixels, mas a definição padrão para poder usar todos os recursos de zoom é de 10 megapixels.

Se mantiver em 40, o modo automático desativa o zoom e a grande angular e os demais modos (noite, retrato, abertura, vídeo, pro) têm grande angular ativada e zoom máximo de 5x. Em compensação, o tamanho do arquivo vai ser muito grande.

Não é à toa que a Samsung e a Apple estão “paradas” nos 12 megapixels faz tempo. Os 10 megapixels são suficientes pra vida diária.

O zoom óptico de 5x do periscópio funciona direito. O zoom híbrido tem resultados interessantes (e até utilizáveis numa rede social) misturando o óptico com o digital até 20x.

Depois disso, perde-se o detalhe, mas se enxerga de longe. Repetindo o que disse lá em cima: a Huawei está sendo pioneira com o primeiro aparelho (vendido mundialmente e não um protótipo, como a Oppo já fez).

Se a guerra dos megapixels “acabou”, dá pra dizer que a corrida pelas maluquices integradas a uma câmera só deu seus primeiros passos com o P30 Pro, e vem mais coisa por aí – seja da Huawei, da Samsung ou de qualquer outro fabricante de Android mundo afora. Daqui uns 5 anos, quem sabe, chega ao iPhone.

E uma observação pessoal. Não considero justo comparar o P30 Pro e seu desempenho noturno com o Google Pixel 3 pelo simples motivo de o Pixel 3 não estar à venda no Brasil.

Huawei P30 Pro: foto no modo Lua

Finalmente, a Lua. É um smartphone que me permite fotografar a Lua. Nunca consegui fazer isso com uma câmera convencional (por falta de lentes). Ter um telefone no bolso que permite tirar fotos razoavelmente boas da Lua é impressionante – se é verdade ou não, nesse caso não me importa mesmo. A Huawei diz que não tem nenhuma interferência externa (além do ajuste automático de exposição), e eu prefiro acreditar nisso.

Huawei P30 Pro: resumo

A Huawei mostra que tem músculos ao lançar o P30 Pro no Brasil. É um aparelho muito bonito (algo que o comprador de aparelhos premium gosta bastante), com excelente desempenho e uma câmera incomparável com as opções disponíveis hoje, com um preço compatível com seus concorrentes.

O que é isso? Primeiro smartphone Android da Huawei no Brasil (após duas tentativas no passado).
O que é legal? A câmera principal de 40 megapixels, seu modo macro e seu modo noturno. Melhor câmera do mercado brasileiro em 2019 até o momento.
O que é imoral? Fones de ouvido fracos, sem adaptador para fones 3,5 mm. Câmera de selfie tem resolução alta, mas desempenho nada extraordinário.
O que mais?  Bateria com duração de um dia e carregador de 40W ultra veloz (mas que só funciona com o P30 Pro). Garantia de 2 anos para o aparelho.
Avaliação: 8,5 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação
Preço sugerido pela fabricante (e sujeito a mudanças): R$ 5.499
Onde encontrar: Huawei

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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