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Dossiê Huawei na China – onde nascem os smartphones

A Huawei vai lançar, em algum momento deste semestre, sua linha de smartphones no Brasil em parceria com a Positivo Tecnologia. A marca me convidou para visitar partes da sede em Shenzhen e Pequim e, na última semana, estive numa agenda intensa de mesas redondas, visitas a fábrica, laboratórios de testes e apresentações de produtos – quase nada foi dito sobre Brasil, vale ressaltar.

A seguir, minhas impressões/ideias/opiniões.

Índice:

1) um pouco de história (e estratégia)

A visita começou no quartel-general da Huawei em Shenzhen, com o clássico momento “vamos contar nossa história e mostrar como somos muito grandes”.

Huawei: quartel general (foto: divulgação)

Em resumo, a Huawei foi fundada em 1988 em Shenzhen – cidade que tem apenas 40 anos de idade e era apenas uma vila de pescadores antes disso, hoje é considerada o ‘Vale do Silício’ da China – com um capital de apenas 3.500 dólares (vale atualmente US$ 92 bilhões). O nome Huawei em chinês é 华 为, com o primeiro caractere significando “China” (também pode ser uma variante de flor) e o segundo “Ação ou realização”. Logo, “Realização Chinesa”.

São 180 mil funcionários em todo o mundo, sendo 80 mil deles dedicados apenas a pesquisa e desenvolvimento em 14 centros globais. Curiosamente, a primeira parada da visita ao campus principal foi para ver o lago artificial com cisnes negros importados da Austrália – reza a lenda que o CEO cuida deles pessoalmente.

A empresa se divide em quatro unidades de negócios: operadoras, corporativo, consumidor e serviços de computação na nuvem. O foco da visita à China foi falar sobre o grupo de negócios para consumidores, que envolve produtos para o consumidor final: smartphones, tablets, notebooks e wearables. No Brasil, a unidade de operadoras/corporativo é o carro-chefe, e agora com a chegada dos smartphones o grupo de negócios para consumidores começa a atuar também.

No primeiro dia, as apresentações executivas falaram bastante de estratégias gerais da Huawei para smartphones – como opções de design, público-alvo, desenvolvimento de interfaces etc. -, mas um executivo especificamente falou de América Latina: Jim Xu, vice-presidente de marketing e vendas da Huawei CBG.

Principais destaques da conversa:

Jim Xu, Huawei (foto: divulgação)– Sobre expansão na região da América Latina: “A Huawei começou com a operação de redes na América Latina 16 anos atrás, mas nossos aparelhos chegaram ao mercado apenas seis anos atrás. Começamos com uma segmentação de baixo custo, mas quatro anos atrás mudamos para dispositivos premium. Embora o market share para aparelhos premium seja menor, é muito importante para a gente construir a marca”.

Comentário histórico: a Huawei, apesar da divisão de consumo ser mais recente, chegou a arranhar o mercado brasileiro por duas vezes. A primeira em 2008/2009, com a entrada de aparelhos Android no Brasil, e a outra em 2012, com a tentativa de vender online apenas – ambas não deram muito certo. Agora, com a parceria com a Positivo (da qual não se sabe muito ainda), a expectativa é um tanto maior.

– Crescimento: “Nosso DNA é dedicado a pesquisa e desenvolvimento, e somos uma companhia dedicada a conectar pessoas. Embora tenhamos mais de 30 anos de experiência em telecomunicações, somos novos na fabricação de aparelhos, e o modo que chegamos à liderança (nota: a Huawei hoje é a 2a maior vendedora de smartphones do mundo, atrás apenas da Samsung – fato que ela conseguiu sem vender aparelhos nos Estados Unidos). A cada geração, queremos melhorar nossos produtos e tentamos diferenciá-los para que se destaquem, oferecer produtos simplesmente mais baratos não é o suficiente”.

– Qualidade, qualidade, qualidade: “Com nossos smartphones premium, estamos trazendo criatividade e inovação ao mercado. Nossa meta principal é oferecer qualidade, que é nosso motivador principal para produzir cada aparelho. Trabalhamos muito para diminuir a taxa de erros, e não nos comprometemos em termos de qualidade. Além disso, trabalhamos forte para oferecer novos recursos para os consumidores – antes mesmo de pensarmos em ser o número 1 em vendas, estamos preocupados em entregar a melhor qualidade ao comprador. Faz muito mais sentido que apenas aumentar as vendas”.

– Estratégia de preços: “Como uma marca nova em eletrônicos de consumo, precisamos manter nossos preços competitivos. Já sabemos como ser os mais eficientes em marketing, mas nosso melhor investimento mesmo é sempre em pesquisa e desenvolvimento para entregar mais valor ao consumidor”.

– Oh, e o Brasil: “Estamos sendo cautelosos com o Brasil”.

– Mas como foi lançar no México? “Temos uma estratégia de preços menores que os concorrentes, já que não temos muita opção como um novo entrante. Não pode ser muito caro. Aprendemos muito com os erros dos concorrentes sobre como sermos mais eficientes no marketing, alguns deles gastam muito dinheiro. É preciso manter o equilíbrio entre inovação e criatividade, isso nos ajuda a cortar gastos desnecessários”.

– Sobre vantagens em produzir seu próprio chipset: “A Huawei tem diversas vantagens ao produzir seus próprios chipsets, especialmente em tecnologias de Inteligência Artificial e 5G. É fato que vamos continuar a investir nisso, e estamos muito confiantes sobre as capacidades dos nossos processadores. Fazemos as redes, o smartphone e o chipset. Somos o único fabricante capaz de entregar soluções de ponta a ponta”.

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