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Hoje é o dia do Opteron QuadCore (finalmente!)

opteron_chip.jpgDepois de meses de espera, a AMD anuncia oficialmente hoje o seu novo processador Opteron de quatro núcleos, codinome Barcelona.

Estão programados vários eventos ao redor do globo como Bangalore, Barcelona, Beijing, Seoul, Taipei e Tokyo. Mas o grande show acontecerá em São Francisco, onde está programado um webcast que ocorrerá hoje (10/09) í s 18h30 (Pacific Time) ou 22h30 no Brasil.

No Brasil, a AMD realizou alguns seminários técnicos com a imprensa especializada sobre o Barcelona, roadmaps e alguma coisa sobre a versão para desktops que será conhecida comercialmente como Phenom. O que deve ainda ser divulgado hoje são informações técnicas mais detalhadas sobre os modelos a serem colocados no mercado, assim como seu preço sugerido. Veja o que vem por aí­.


No press release já disponí­vel no site da AMD nos EUA, empresas como HP, Dell, Sun e IBM anunciam seu apoio í  nova plataforma para servidores. No Brasil, a apresentação foi feita pelo gerente de tecnologia da AMD Brasil, Roberto Brandão, que se esforçou ao máximo para explicar os novos conceitos aos presentes.

barcelona_roadmap_a.jpgAntes de mais nada, Brandão deixou claro que, apesar da popularidade do nome Barcelona, esse codinome se refere apenas í  linha de chips para servidores e não a toda a famí­lia K10.

Por exemplo, os Barcelona serão os novos AMD Opteron série 800/8000, quad-cores voltados para sistemas de quatro soquetes (totalizando oito núcleos) e a série 200/2000, quad-cores voltados para sistemas com um soquete, todos com soquete padrão “F”.

Observe nas imagens de roadmap que as cores identificam o processo de fabricação (verde = 90 nm, azul = 65 nm e vermelho = 45 nm). As informações em amarelo indicam novos recursos.

Existe ainda o Opteron 100/1000 “Budapest” com soquete AM2, nas versões quad e dual-core. Esse é um produto mais voltado para estações de trabalho, sendo que uma variação da versão dual-core seria a base o Phenom.

Inicialmente esses chips sairão com envelope térmico de 95 W (mainstream) e de 68 W (baixo consumo), com clocks variando de 1,7 GHz até 2,0 GHz.

opteron_core.jpgSegundo a AMD, um dos motivos para o Barcelona “demorar” para ficar pronto é que a empresa decidiu partir para uma reformulação completa do núcleo K10 em relação ao K8, de modo que o mesmo estivesse pronto para os avanços futuros.

Brandão explicou que foram criados grupos de desenvolvimento focados em cada sub-item do processador, de forma que cada um deles recebeu um tratamento especial que poderia ser convertido em mais eficiência e, no final das contas, melhor desempenho.

Uma das caracterí­sticas mais interessantes é a capacidade de controlar a velocidade de cada núcleo de maneira dinâmica e a capacidade de desligar pequenos circuitos e até áreas inteiras de cada núcleo, com o objetivo de economizar energia.

Outra implementação importante é o Balanced Smart Cache que adicionou um terceiro cache L3 de 2 MB (ou mais) de uso comum entre todos os núcleos, mantendo para cada um deles seu próprio cache de L2 de 512 KB e L1 de 128 KB.

Brandão explicou que, desse modo, as aplicações funcionariam bem em multiprocessamento e melhor ainda na virtualização de máquinas, o novo Nirvana do mundo dos servidores.

O controlador de memória também recebeu tratamento especial, sendo capaz de receber alimentação especí­fica, independente do núcleo de processamento. Assim, é possí­vel fazer com que alguns núcleos funcionem a velocidade reduzida (economizando energia) mantendo o controlador funcionando a todo vapor.

Curiosamente, esse recurso funciona somente nas novas placas-mãe com esse recurso previsto. Caso contrário, tanto os núcleos quanto os controladores trabalham com o mesmo clock, garantindo assim retrocompatibilidade com alguns modelos convencionais.

Ao contrário de sua concorrente, a AMD preferiu manter-se fiel ao padrão DDR2 em vez de partir para o FBDIMM, algo importante se levarmos em consideração que o controlador de memória dos chips AMD64 vem integrado ao núcleo do processador.

A empresa defende sua decisão, afirmando ver desvantagens no uso do FBDIMM, principalmente em termos de consumo de energia e de geração de calor. Testes apresentados pela empresa mostram que, mesmo sem estar trabalhando (idle), as FBDIMM consomem até 10,4 W contra 1,8 W das DDR2.

De qualquer modo, se for o desejo da indústria adotar o FBDIMM, será necessário somente alterar o desenho do controlador de memória e não todo o projeto.

Na minha opinião – como é tradição da AMD – o Barcelona é baseado num projeto conceitualmente interessante, sempre deixando caminhos abertos para futuras evoluções da plataforma.

Um bom exemplo é o fato do K10 permitir, por exemplo, que dois núcleos quad-core sejam montados lado a lado no mesmo encapsulamento – e unidos pelo Crossbar – transformando-se assim em um chip de oito núcleos totalmente funcional, o que pode ser uma vantagem competitiva nos próximos lançamentos.

O grande desafio porém, é comprovar que o Barcelona será capaz de performar igual ou melhor que seus concorrentes de Santa Clara, que já deu sinais claros de que não vai dar folga pra concorrência, lançando novos produtos quase que initerruptamente, alternando novos processos de fabricação com plataformas novas a cada ano, estratégia que eles chamam de “Tick-Tock”.

Pontos fortes da microarquitetura AMD64 como gerenciador de memória embutido, já está sendo previsto para o futuro processador “Nehalen” da Intel, previsto para 2008.

Além disso, a Intel já trabalha no CSI (Common System Interface)l. Uma nova tecnologia de comunicação que lembra o HyperTransport da AMD e que vai substituir o bom e velho Front Side Bus (FSB) , que ainda está dando conta do recado mas que já mostra sinais de idade.

Próximos passos

barcelona_dp_roadmap.jpgCom relação ao K10 para desktops, a AMD mostrou algumas tabelas descrevendo os produtos para sua linha de desktops, com o Phenom assumindo a posição de chip mais topo de linha, deixando os Athlon 64 como chips dual-core de entrada, a exemplo dos novos Pentium Dual Core, da Intel.

E, assim como o Celeron, o Sempron se mantém como o chip de valor e o último na versão single-core.

Mas ao contrário do pessoal de Santa Clara, Brandão não vê empecilhos de que o Sempron algum dia se torne um chip dual-core, já que muitos Semprons de hoje já foram Athlon 64 do passado. Trata-se apenas de uma questão de nomenclatura, conclui ele.

barcelona_roadmap_45.jpgEle também observa que, com a entrada do processo de fabricação de 45 nm, sua empresa terá condições de botar em prática novos chips já em estágio de desenvolvimento conhecidos pelos codinomes Shangai, Montreal e Suzuka (em vermelho).

Além disso, Brandão falou um pouco sobre o Fusion, o revolucionário processador com aceleradora gráfica integrada previsto para chegar ao mercado em 2009. Ele acredita que as primeiras versões serão voltadas para notebooks que poderão tirar mais proveito dessa nova tecnologia.

Entretanto, Brandão vê aplicações ainda mais interessantes no segmento de servidores, onde a capacidade de devorar números da aceleradora gráfica pode não ser usada para gráficos, mas sim como um co-processador vetorial, melhorando dramaticamente o poder de processamento desses chips.

Quem viver, verá.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Falaram algo sobre preços?

  • henrique martin

    não ainda. deve sair na apresentação do fim do dia.