Conheça Hiro-chan, um robô bebê sem face

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Descrito como um dispositivo de comunicação para uso terapêutico, o novo produto da Vstone afirma proporcionar uma melhor conexão emocional exatamente por não ter um rosto.

Voltado para uso em terapias para pessoas idosas, Hiro-chan poderia ser mais um robô interativo besta no mercado se não fosse pelo fato dele não ter um rosto o que, a primeira vista, pode parecer meio perturbador mas existe um motivo para tal.

Segundo sua criadora a Vstone, a principal característica deste robô (descrito como um “dispositivo de comunicação“) está na sua capacidade de passar rapidamente do estado de “tristeza” para “alegria” depois de receber alguns tipos de estímulo externo como um abraço ou seja, se negligenciado, o humor de Hiro-chan tornar-se-á cada vez pior e ele poderá até começar a chorar.

Mas se uma pessoa pegá-lo no colo e brincar com ele, um acelerômetro irá identificar tal atitude e ele começará a rir alegremente.

De fato a empresa implementou mais de 100 expressões / vozes diferentes (gravadas de bebês reais) garantindo assim uma grande variedade de estados de humor, tornando assim a experiência de uso ainda mais fluída e realista.

Projeção do próprio eu

Segundo a empresa, a ausência de uma face também permite que a pessoa que estiver interagindo com hiro-chan crie/projete mentalmente a sua própria imagem no mesmo, proporcionando assim um maior nível de apego.

Isso por sinal foi comprovado durante o desenvolvimento do produto, já que os participantes dos testes piloto reagiram mais positivamente às versões “sem face” do que com as versões “com face.”

Fora isso, nunca devemos ignorar o fato de que a ausência de um sistema mecatrônico capaz de expressar olhares e sentimentos pode ter ajudado (e muito) na reduzir (em muito) custo final do produto.

Telenoid baby

Essa idéia de projetar nossa própria imagem e sentimentos num robô (desde que ele exista condições, ou mais exatamente um “espaço em branco” para isso) foi estudado pela primeira vez pelo cientista Hiroshi Ishiguro diretor do ATR Labs que desenvolveu um experimento batizado de Telenoid (tele humanoid) que também um “dispositivo de comunicação” bem mais complexo que Hiro-chan, mas não menos perturbador diga-se de passagem:

Sob esse ponto de vista, Hiro-chan seria algo como um Telenoid Baby 😛.

Aplicações terapêuticas

Como já foi dito antes, Hiro-Chan foi criado para uso terapêutico em especial com pessoas idosas internadas em clínicas, hospitais e casas de repouso e que normalmente sofrem problemas de solidão e a falta de contato com outros indivíduos.

O robô mede 23 x 32 x 17 cm (LxAxP) pesa 460 gramas e é feito basicamente de algodão com enchimento de poliéster que protege um módulo eletrônico no seu interior equipado com acelerômetro de três eixos, alto falante com ajuste de volume e botão de liga/desliga.

Ele é alimentado por três pilhas AA (vendidas separadamente) e tem preço sugerido de 5.000 ienes (~R$ 186) e já pode ser encontrado na lojinha da empresa.

Mais informações aqui.

Bonus track

Se para nós a imagem de uma criatura sem rosto pode nos parecer estranha, no Japão isso poderia ser até apavorante (em especial para os mais velhos) já que no folclore de lá existe o noppera-bo um tipo de fantasma (ou yokai) sem rosto que normalmente assume a forma humana para assustar pessoas.

Ele(s) aparecem brevemente numa sequência do filme Heisei Tanuki Gassen Ponpoko (平成狸合戦ぽんぽこ) ou Pom Poko – A Grande Batalha dos Guaxinins (1994) dirigido por Isao Takahata para o Estúdio Ghibli…

… onde um grupo de tanukis se transformam em noppera-bo para aterrorizar um guarda na sua tentativa de expulsar os seres humanos que estavam invadindo suas terras para criar um novo conjunto habitacional:

Trata-se de uma interessante drama ecológico que fala muito sobre o choque da natureza com o mundo moderno e que se mantém atual mesmo depois de 25 anos.

Se Takahata vivesse no Brasil com certeza trocaria os tanukis por índios.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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