Hands on: Ubuntu Netbook Remix

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ubuntu_net_remix

O pessoal da Canonical criou uma versão específica do seu Ubuntu para usuários de netbooks, chamada de Ubuntu 9.04 Netbook Remix. Com minha vaga experiência nesse sistema operacional, me senti a cobaia perfeita para responder à seguinte pergunta: um usuário final mais habituado com Windows é capaz de baixar, instalar e botar esse SO para funcionar em um netbook?

Segundo o site da Canonical, ela tem uma parceria com a Intel para oferecer uma solução específica para netbooks baseados no processador Intel Atom. A preocupação nesse caso foi atender a diversos requisitos, como, por exemplo:

  • Ser capaz de tirar o máximo do processador e chipsets da Intel (duh!).
  • Ser capaz de funcionar em configurações modestas como 512 MB de RAM e/ou 4 GB de disco SSD.
  • Sua interface gráfica deve funcionar bem numa tela pequena.
  • Sua interface com o usuário deve ser simples e intuitiva mesmo para usuários iniciantes.
  • Minimizar ao máximo os problemas de incompatibilidade de hardware e software.
  • O sistema deveria ser capaz de se instalar no netbook por meio de um memory key.

O resultado desse esforço foi o Ubuntu Netbook Remix, baseado na sua versão 9.04 e disponível para download gratuito aqui. As requisições mínimas do sistema são as seguintes:

  • Ser equipado com um processador Intel Atom
  • Pelo menos 384 MB de RAM.
  • Um memory key de pelo menos 1GB (para instalação do sistema)

Preparativos

O arquivo de imagem do Ubuntu (ubuntu-9.04-netbook-remix-i386.img) tem aproximadamente 946 MB e não deve ser queimado diretamente em um DVD e sim instalado em um memory key (citado acima) com o auxílio de um utilitário chamado Disk Imager que, no caso do Windows, pode ser encontrado aqui (orientação para Linux e Mac OS podem ser encontrados aqui).

Esse arquivo de nome win32diskimager-RELEASE-0.2-r23-win32.zip pode ser descompactado numa pasta de trabalho no desktop (onde também deixei o arquivo de imagem do Ubuntu) e executei o arquivo Win32DiskImager.exe já com o pen drive espetado no PC.

ubuntu_net_diskimager_screen

O uso desse utilitário é bastante simples: basta indicar o local onde está o arquivo de imagem do Ubuntu e a letra do drive do memory key (Device) e pressionar a tecla Write. Se tudo der certo você terá um memory key pronto para usar no seu netbook.

A escolha do hardware

A Canonical mantém uma página onde  relaciona os principais netbooks do mercado e como eles se comportaram com o novo sistema operacional. Muitos deles são conhecidos por aqui e que foram separados em três grandes grupos (até 17/05/2009):

  1. Tier 1 (funcionam muito bem ou apresentam problemas menores ou insignificantes)
    1. Acer Aspire One
    2. Asus Eee 1000
    3. Asus Eee 900a
    4. Asus Eee 901
    5. Dell Mini 9
    6. HP Mini 1033cl
    7. HP Mini 2140
    8. Lenovo S10
    9. Medion Akoya E1210
    10. MSI Wind U100
    11. MSI Wind U90
    12. Compaq Mini 701ES
  2. Tier 2 (funcionam mais ou menos bem, com alguns problemas mais sérios)
    1. Asus Eee900
    2. Asus Eee 701-SD / 702
    3. Axioo CMPC
    4. HP Mini 1000
    5. Kohjinsha SH6
    6. Samsung NC10
    7. Toshiba NB100
  3. Tier 3 (que reconhecidamente não funcionam com esse SO)
    1. HP 2133 Mininote

Henrique comenta: meio óbvio que uma parceria Canonical/Intel não vá funcionar direito num netbook com processador Via, como o HP 2133, certo?

Sugerimos que o usuário leia atentamente essa lista antes de se decidir pela instalação definitiva do Ubuntu Netbook Remix. No caso de dúvidas, o usuário pode optar pelo “modo de degustação” que não mexe no disco.

Analisando essa lista, eu decidi  instalar esse SO num velho conhecido nosso — o Positivo Mobo White 1050 —  baseado MSI Wind U100 que é descrito no site como Tier 1 e um produto onde o Ubuntu  “funciona muito bem” sem nenhum problema de compatibilidade.  Pedi um Mobo 1050 emprestado da Positivo e fui a luta.

Botando a mão na massa (e a outra no terço)

Antes de mais nada, é preciso reconfigurar a BIOS do Mobo para que o mesmo incialize o sistema não pelo seu disco rígido interno e sim por um disco USB (caso do memory key).

ubuntu_net_bios

Feito isso basta instalar o memory key com o arquivo de instalação do Ubuntu e reiniciar o sistema:

ubuntu_net_memokey

Se tudo der certo, a primeira coisa que o sistema deve perguntar é o idioma do instalador, logo após a tela inicial entra no ar com as diversas opções de instalação, incluindo a versão de degustação citada acima.

ubuntu_net_install_start_small

Como em qualquer procedimento desse tipo, o instalador realiza várias perguntas relacionadas ao idioma desejado, localização geográfica, layout de teclado e assim por diante. Na minha opinião a tela mais importante é a que pergunta como o Ubuntu vai ser instalado no disco. Como o Mobo 1050 já vem com Windows XP Home pré-instalado, existe a opção de limpar o disco e usar todo o espaço disponível para o Ubuntu ou reservar uma área específica para ele. Como esse netbook tem bastante espaço de disco, optei por reservar metade do disco para o Linux, preservando assim o Windows original que pode ser iniciado a qualquer momento por meio de dual boot que já é instalado e configurado automaticamente pelo instalador.

ubuntu_net_install_particao_small

Depois de mais algumas telas, o instalador solicita informações do administrador, se o usuário deseja migrar informações do Windows e finalmente se ele deseja iniciar o processo de instalação, que pode durar mais ou menos uma meia hora:

ubuntu_net_install_final_small

E não é que funcionou?

Se tudo ocorrer como o esperado o instalador avisa que o processo foi concluído e que o sistema tem que ser reinicializado. Como optei por manter o Windows no sistema, a tela inicial tem mais ou menos essa cara. A opção padrão é obviamente o Linux:

ubuntu_net_dual_boot

Sua tela principal lembra algo que já tinha visto no Google Chrome, ou seja, as aplicações mais usuais (ou favoritas) estão bem à vista do usuário enquanto que o resto das aplicações (incluindo as configurações do sistema)  ficam organizadas em tópicos no lado esquerdo da tela e as pastas de arquivos para documentos, músicas, imagens, vídeos e até o acesso a rede local ficam do lado direito. Note o fundo de tela com o nome “Mobo” importado do desktop do Windows (uia!).

ubuntu_net_tela_principal_small

No início, o usuário pode até estranhar a falta do botão “iniciar” mas acho que essa interface funciona bem já que além de simples, ela é bastante intuitiva e pode ser reconfigurada de acordo com o gosto do usuário. As informações que normalmente ficam no rodapé do Windows, como a barra de tarefas (aplicações ativas) e a barra de ferramentas (data e hora, estado da rede e da bateria) estão no topo da tela.

Entre as aplicacões que já acompanham o produto estão os seguintes títulos:

  • Firefox 3 (navegador web)
  • Evolution (cliente de email)
  • Pidgin (mensagens instantâneas e multiplataforma)
  • Rhythmbox (player de mídia)
  • FBReader (leitor de eBooks)
  • F-Spot (visualizador de imagens)
  • OpenOffice (suite de aplicativos de escritorio)

Entre algumas aplicações famosas que também podem ser instaladas nesse sistema estão o Adobe Flash, Adobe Reader, Java JVM Skype, etc.

ubuntu_net_browser_zumoCom relação ao suporte de hardware, o Ubuntu reconheceu praticamente todos os dispositivos disponíveis do sistema como o disco, mouse, placa de vídeo e resolução da tela, a acentuação do teclado acentuado em  e até mesmo o acesso da rede à internet (via DHCP).

De fato, para acessar a internet bastou ligar o cabo de rede na sua porta Ethernet e entrar no Firefox. Entretanto, notei que alguns recursos que costumam ficar normalmente desativados — como a webcam e o sistema de rede sem fio — não foram reconhecidos pelo sistema. Já tinha visto isso acontecer com o Mobo 1050 dentro do Windows onde era necesário ativar esses dispositivos pelas teclas de função como Fn+F6 para ativar a webcam e Fn+F11 — para ativar o Wi-Fi. Feito isso, o sistema automaticamente identificava um novo dispositivo e instalava os drivers necessários. Dispositivos USB como mouse sem fio, memory keys e até gravador de DVD foram reconhecidos automaticamente pelo sistema.

ubuntu_net_openofficeCom relação ao suporte de software, o Ubuntu utiliza um curioso sistema de busca e download de drivers, codecs e até aplicativos adicionais diretamente da rede o que facilita a vida do usuário mais leigo. Seu gerenciador de rede já está preparado para trabalhar com redes de banda larga móvel, VPN e até autenticação de rede ADSL via PPPoE.

Mas pelo que pude notar, os programas pré-instalados atendem bem as necessidades básicas do usuário de editar documentos simples, navegar e trocar mensagens na internet o que é, por sinal, a função básica de um netbook. Interessante observar que esse sistema operacional já está preparado para oferecer suporte para telas touchscreen o que pode incluir os novos netbooks convertibles como o classmate-PC tablet ou os tablets puros como o Shuttle X50, ambos baseados no processador Atom.

Por enquanto, eu gostei muito dessa versão do Ubuntu já que, de um certo modo ele atendeu às minhas expectativas de uma instalação simples e sem contratempos, resultando de cara num sistema quase que praticamente pronto para usar e os poucos ajustes necessários podem ser realizados por qualquer pessoa com algum conhecimento básico de rede.

Fica a dúvida de quem seria o público alvo desse produto, já que a maioria dos netbooks já saem de fábrica com um Windows XP Home pré-instalado e o resto com uma versão de Linux da casa. O que posso imaginar é que esse Ubuntu possa ser interessante para o usuário de netbook que deseje experimentar um Linux para usuário final, sem ter que mexer na sua instalação de Windows, ou aquele que comprou a versão com Linux e não está gostando do seu modo de uso. Finalmente, alguns integradores também podem pensar em adotar esse SO nas suas máquinas com Linux, bastando para isso fazer alguns ajustes finos que garantam que seu hardware será 100% compatível com o produto.

Nuff said!

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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