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Hands on: sorvete de astronauta

Passeando pela lojinha do The Tech (Museu de Inovação de San Jose) na semana passada, topei com um item clássico nesse tipo de varejo: o Sorvete de Astronauta ou Astronaut Ice Cream (US$ 2,50).

Produzido pela American Outdoor Products Inc., trata-se de uma fatia de sorvete liofilizada. O produto passa por um processo de desidratação, onde a água do alimento é retirada por um processo de sublimação a frio, sem passar pelo estado líquido. A vantagem dessa técnica é que, além de preservar os alimentos por um longo período de tempo independente da temperatura, eles se tornam extremamente leves, facilitando assim o seu armazenamento e transporte. De fato, a primeira vez em que ouvi falar em sorvete desidratado foi num manual de campismo.

Segundo informações impressas no verso da embalagem, seu peso bruto é de apenas 16 gramas e o sorvete é do tipo b napolitano (morango + nata + chocolate) e tem 120 calorias, sendo 50 só na gordura do leite usado na receita.

O produto vem selado numa embalagem aluminizada e ao abri-lo pude ver a fatia de sorvete embrulhada num saquinho de papel com alguns cortes na sua superfície, por onde a água deve ter sido retirada.

Ao remover essa segunda proteção chegamos à guloseima propriamente dita, cuja aparência é realmente de uma fatia de sorvete porém muito seca e frágil e que lembra vagamente um doce de suspiro.

Por ser um produto que não exige refrigeração, esse sorvete não é gelado (duh!) e já está pronto para ser consumido. Seu sabor também lembra vagamente o de suspiro — principalmente na sua textura — e que, aos poucos, derrete na boca revelando uma consistência levemente cremosa com sabor bastante acentuado do leite que até se sobressai sobre os sabores de morango, nata e chocolate, ou seja, meio sem graça. Acredito que as trincas no doce tenham sido causadas pela manipulação/transporte do produto.

Com relação à experiência de consumir esse produto, acho que deve ser o mesmo que comer espetinho de escorpião assado na China: vale mais pela curiosidade e pela experiência do que pelo prazer propriamente dito. Ou seja, é algo que se come uma vez na vida para impressionar as garotas (ou os amigos nerds) e repetir só se gostar mesmo.

De qualquer modo, acredito que seu sabor pode até melhorar se consumido em ambientes mais estimulantes como no topo de uma montanha gelada bem longe da civilização ou no isolamento do espaço sideral. E isso vale tanto para o sorvete seco quanto para o escorpião no espeto. ;^)

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Vi um alemão backpacker em um albergue carregando váááários pacotes metalizados desses, mas devia ser “comida de verdade” :p

    E a descrição me lembrou um curso de gastronomia básico pra intermediário.
    Você trabalhou na área Nagano?

  • Bruno Luiz

    Será que não tinha que adicionar água para ficar “cremoso”? Pode ser uma pergunta idiota, mas se tiraram água pode ser que seja para o alimento durar mais e quando for comer o mesmo seja necessária a adição da água.

  • Boni

    O sabor não seria “NAPOLITANO”???? hehehehe

  • No fim dos anos 80, quase trabalhei numa empresa de alimentos liofilizados. Seu nome era Liotécnica e ficava na Rodovia Régis Bittencourt, se não me engano. Era de militares e fazia alimentos para uso militar, mas depois voltaram-se para o mercado de merendas escolares e de varejo. A empresa ainda existe. Mas acho que ainda não fazem sorvete…

  • Alberto

    bom dia pessoal,

    achei uma empresa que se chama Lio Foods, acho que o site é http://www.liofoods.com.br

    Abrçs