Hands-on: Nokia N9

H

Depois de deixar o mercado brasileiro esperando meses pelo meu atual (e melhor de todos os tempos) despertador* N900, o novo Nokia N9 sai praticamente simultâneo com a Europa por aqui. Deve entrar em pré-venda em meados de agosto, para ser lançado oficialmente em setembro.  Só chega no “quarto trimestre”, corrigiu a Nokia nesta quarta-feira (27).

Nada de preço ainda (os colegas do Gizmodo chutam em torno de R$ 2.000, que é o preço mágico atual para um smartphone).

Três protótipos do smartphone com Meego circularam durante o Nokia Talk, evento da fabricante realizado hoje em São Paulo. Claro que aproveitei e botei minhas mãos sujas nos N9.

Mexer no N9 gera sentimentos diversos – de “como demoraram tanto a fazer isso” a “como pode ser tão simples e funcional?” e “oh, empurre a tela”. O “eu quero” que tive ao ver no anúncio do N9 ainda está em estado de suspensão.

(Na série “coincidências”, hoje também foi o dia que a Microsoft entregou o Windows Phone 7 “Mango” (que é fruta e é doce) para os fabricantes de aparelhos – logo mais devem surgir os primeiros smartphones com o OS.)

O design é o ponto mais polêmico: o corpo de policarbonato em peça quase única, sem parafusos, passa a impressão de um aparelho muito bem acabado… ou de um brinquedo de plástico (que se percebe mais no modelo vermelho/rosa que no preto). Como a própria Nokia gosta de dizer, o N9 é um aparelho disruptivo – e começa pelo design.

Note o pequeno ponto na parte inferior direita da tela: é a câmera frontal, posicionada em um local pouco comum.

A interface do Meego é bastante diferente do N900 e seu Maemo: saem os menus de apps com fundo translúcido (olá, Lion!), entra o clássico menu Nokia com as mesmas fontes e ícones do vindouro Symbian Anna.

Falando de interface, o N9 tem uma tela inicial (dois toques para “desbloquear”)…

São três telas principais, que se alternam ao puxar as bordas da tela – não existem botões físicos, certo? É o que a Nokia chamou de “swipe”.

A primeira tela principal é de aplicativos (e um viva para quem criou essa interface do Meego: nada de múltiplas telas iniciais, algo que o iOS resolveu com pastas de apps e que o Android ainda patina – quem precisa de 5 ou 7 telas iniciais?).

Uma tela “multitarefa” com os aplicativos abertos.

E os aplicativos continuam funcionando enquanto se arrasta uma tela, um belo detalhe – pode ser um vídeo rodando, um game, a câmera…

Finalmente, a terceira tela é a de notificações. Essa tela específica tem cara/cheiro de Windows Phone para mim.

Ao arrastar a base da tela para cima, surgem quatro botões de atalho (telefone/mensagens/câmera/navegador).

EÉ a solução encontrada para a ausência dos botões físicos na tela. Leva algum tempo para começar a entender como funciona.

Na parte traseira, a câmera de 8 megapixels com flash LED.

No topo do N9, duas portinholas e a entrada para fones de ouvido padrão 3,5mm.

Ao abrir uma delas, sai uma gavetinha para o microSIM card (o que deixa donos de iPhone 4 mais próximos do N9, por sinal)

E a outra portinhola é o slot microUSB para trocar dados com o computador e carregar a bateria. Os únicos botões físicos aparecem ali na lateral (volume/trava de aparelho).

Uma visão mais próxima da câmera.

E da sua tela de configurações. Será que finalmente se eu pedir pra deixar o flash desligado a câmera “aprende”?

E, mesmo com a câmera funcionando, olha a multitarefa aí de novo:

Depois de fotografar, dá para ver as fotos na galeria, amiga ao toque.

Entre os aplicativos, um atalho para o YouTube móvel

A versão especial com NFC de Angry Birds:

Pelo que entendi, o app Contas funciona como uma central de “social media” no N9. Acredito que é uma variante do modo online unificado (GTalk, Skype) do N900/Maemo. A conferir quando fizer o review do N9.

Finalmente, o navegador com este ZTOP aberto. Note que os banners em Flash não aparecem.

CComo já era comum no N900 com navegador completo, o browser do N9 abre sites completos, e não versões móveis.

O N9 oferece um monte de recursos adicionais, que serão cobertos em nosso review (assim que a Nokia Brasil mandar um pra gente, né?). Pela primeira impressão, é um aparelho promissor. Se a Nokia conseguir levar alguns desenvolvedores de aplicativos pra ele (algo que praticamente ficou no underground dos developers com o N900) e dar um ciclo de vida novo ao Meego, o N9 pode acertar no alvo – e é essa a tal disruptura que a Nokia fala tanto.

*meu N900, pela falta de apps novos e pelo meu cansaço de usar gambiarras para acessar meus serviços favoritos (BarrioSquare não é FourSquare, certo?), se transformou em media player (opa, 16 GB), câmera ocasional e melhor despertador de todos os tempos. Mesmo com os novos comandos por gestos nos novos Android, a capacidade de “soneca” do N900 (o velho e bom 5800 também tinha isso) ao virar o aparelho ainda é a melhor. E se estou com um Android, é susto todo dia na hora de acordar – quando o despertador funciona. 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

RSS Podcast SEM FILTRO




+novos