Hands-on: Nokia E7

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O mundo gira, a Lusitana roda e algumas coisas continuam iguais – ou quase. O Nokia E7, por exemplo. Lembram do Nokia N8? Então, basicamente é a mesmíssima coisa – entram aqui um teclado QWERTY muito simpático, uma tela maior e uma câmera menos poderosa.

Na prática, o Nokia E7 (preço sugerido: R$ 1.599)  é uma versão aprimorada para o mundo corporativo do N8, lançado no ano passado. O aparelho, que usa o sistema operacional Symbian (ˆ3), traz um hardware impecável, com tela grande e teclado confortável, mas ainda deixa a desejar no software.

As configurações de hardware do E7 são boas: tela de 4″ com tecnologia “Clear Black”, 16 GB de memória interna, saída de vídeo pela porta miniHDMI (permitindo ligar o aparelho a um televisor, por exemplo, com o cabo incluso na caixa), leitura de dispositivos externos via porta USB (como um pen drive, via cabo também incluso) e uma câmera de 8 megapixels, um pouco inferior à de 12 megapixels do N8.

Entretanto, os principais problemas presentes no N8 continuam a existir no E7. O Symbian usado no aparelho é voltado ao próprio telefone, e não à internet, como seus concorrentes (Android, iOS), que chegaram mais tarde ao mercado e roubaram a fatia da Nokia nos smartphones (não é a primeira vez que digo isso, e espero que seja a última). Facilidade de desenvolvimento de aplicativos, divisão fácil e garantida de receitas (no caso da Apple) e grande adoção de inúmeros fabricantes (no Android, o que acabou gerando a fragmentação da plataforma) ajudaram a Nokia a perder espaço (fora N outros motivos que não vale discorrer aqui).

O sistema operacional Symbian faz muito que os outros (iOS, Android) fazem? Sem dúvida, mas com mais passos e cliques envolvidos no processo. No E7, é possível fazer quase tudo (baixar apps, email, internet, redes sociais, compartilhar dados, usar o aparelho como modem, vídeos, fotos) que um Android ou iPhone fazem, só que com mais cliques.

A Nokia promete uma atualização em breve do sistema do E7 para a versão do Symbian codinome “Anna”, o que deve melhorar a experiência com software do aparelho. O “Anna” traz uma a interface renovada, novo método de entrada de texto, incluindo um teclado virtual QWERTY horizontal e divisão de tela na hora de digitar em um aplicativo, e um navegador renovado, que a Nokia diz ter melhor desempenho e é mais fácil de usar.

Merecem destaque dois itens do E8: o teclado QWERTY, com alfabeto completo e teclas de acentuação grandes e com espaço confortável para digitar, e a tela “Clear Black”, que melhora a visibilidade em locais externos – algo ótimo para usar o aplicativo Ovi Mapas, com navegação grátis, por exemplo, dentro do carro. A sensibilidade da tela é similar à do N8, que desliza fácil e rápido.

O E7, em seu lado corporativo, tem integração com e-mails da Microsoft na plataforma Exchange e permite configurar múltiplas caixas de entrada de e-mail. E a saída de vídeo por HDMI permite mostrar conteúdo da tela do celular (como apresentações e vídeos) ligado a um projetor ou TV com porta HDMI – uma boa ideia para não carregar o notebook em uma reunião.

O novo smartphone da Nokia consegue entregar resultados para quem precisa de múltiplas contas de e-mail em um aparelho com tela grande e teclado mais que confortável. Mas perdeu o trem da história dos smartphones, e com Windows Phone poderia ser algo bem melhor.

Mais fotos do E7:

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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