Hands-on: Inmarsat IsatPhone Pro

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Da série “coisas que você não imagina que ainda existem, mas são reais e úteis”: um telefone por satélite (minha lembrança mais próxima dessa tecnologia é o antigo Iridium). O pessoal da Inmarsat lançou o IsatPhone Pro durante a Futurecom 2010, algumas semanas atrás, e deixou o aparelho comigo para brincar por uns dias.

Vale lembrar que o IsatPhone Pro não é um aparelho nem para mim nem para você, caro cidadão urbano: é um telefone básico que faz ligações, manda SMS e e-mails (até 1.600 caracteres) para quem está longe da cobertura de qualquer operadora de celular. Se você trabalha numa plataforma de petróleo em alto-mar, peça ao seu chefe (ou se você for o Amyr Klink, deve ter um desses). Ou se está no meio do mato sem cachorro, também.

O IsatPhone Pro é, sem dúvida, o maior telefone que já passou por aqui. Mede 17 x 5,4 x 3,9 cm e pesa 279 gramas . E deixa de smartphones “grandes”, como o Nokia N8 ou o Motorola Milestone 2, parecendo brinquedo de criança.

Para fazer o celular funcionar, basta estar em um local com vista para o céu aberto. Nada de prédios fechados, salas ou até mesmo uma avenida cheia de prédios altos (aqui em casa, por exemplo, funcionou melhor na janela do quarto – com uma melhor visão do sinal, do que no quintal, cercado pela parede da casa e o muro do vizinho). O IsatPhone Pro encontra o sinal pela primeira vez em uns dois ou três minutos (após ficar desligado por algum tempo) e, nas próximas, a localização é mais rápida. Ao encontrar o satélite, ele apita.

Seu uso é igual ao de qualquer outro telefone: basta discar e pronto. Quer dizer, precisa do código internacional: logo, uma ligação para o Brasil precisa de 0055 na frente e por aí vai. O IsatPhone Pro demora alguns segundos para “dar linha”, e a qualidade de ligação não é a mais incrível do mundo. Mas, como já disse, em uma situação de emergência, uma ligação por aparelho desses pode significar a diferença entre ficar perdido e ser salvo. O telefone só se conecta ao satélite se a antena estiver aberta.

O acabamento do aparelho o protege contra intempéries: funciona em temperaturas de -20 graus a 55 graus e tem proteção contra água (até 95% de umidade) e poeira. É quase um tanque de guerra telefônico.

Detalhe para o botão de volume ao lado:

O GPS do dispositivo localiza rápido sua posição, e nele está  – o que acredito – seu principal uso: envio da posição do GPS por SMS e por email em poucos cliques. Está perdido/na chuva/no deserto/no mar/na Serra do Mar, sem voz para falar? Só mandar a mensagem e uma possível equipe de resgate pode seguir suas buscas. E ainda economiza os caros minutos por ligação. A cobertura é global por quatro satélites (exceto determinadas áreas muito ao norte, como Groenlândia, Alasca e uma pequena parte da Rússia.

Veja o SMS que chega:

O IsatPhone Pro compartilha dos telefones convencionais alguns recursos básicos (agenda, alarme, registro de chamadas, calculadora, ajustes de configuração e um curioso e extremamente necessário alerta para minuto de ligação). Pela web, é possível enviar SMS gratuito para qualquer número de satélite da Inmarsat (outro recurso bacana, por sinal).

E ele tem conexão Bluetooth: para falar ao telefone, basta parear um headset compatível. A bateria, diz a fabricante, dura até oito horas de conversação e 100 horas em modo de espera. Seu tempo de recarga, com um plug micro USB, é de até 3,5 horas.

Esse conector microUSB pode, em casos extremos, ser usado como modem para um notebook (com taxa baixíssima de transmissão de dados: 2,4 kbps) e também para atualizar o firmware do dispositivo (com uma conexão decente no computador, por favor).

E quanto morre a brincadeira? Segundo a Inmarsat, o IsatPhone Pro tem o preço sugerido de R$ 3.499. A assinatura mensal custa R$ 75 e o valor do minuto para ligações é de R$ 5 (para telefones fixos) e R$ 5,96 (para celulares). No Brasil, quem comercializa essa solução é a Arycom. O aparelho, sem a menor sombra de dúvida, é algo extremamente de nicho, voltado a um pequeno público (com perfil mais corporativo) que precisa realmente desse tipo de solução.

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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