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Hands-on: HD SSD Samsung de 64 GB

Conforme promessa de campanha, segue abaixo um teste rápido com o disco rí­gido Samsung modelo MCCOE64G8MPP de 1,8″ (menor que o HDD padrão de 2,5″) que já pode ser encontrado nos notebooks LenovoThinkPad X300 vendidos no Brasil.

Como é comum nos ThinkPads, o acesso ao disco rí­gido é bastante simples, bastando remover um parafuso que fixa uma tampa localizada na lateral do portátil. Daí­ é só puxar uma fita presa ao disco que ele sai sem nenhum esforço.

Minha intenção era montar esse disco SSD em uma porta SATA de um desktop e rodar os benchmarks. Mas ao comparar os conectores (embaixo), eu notei que, apesar do conector de dados ser o mesmo, o mesmo não pode ser dito da entrada de alimentação, de modo que o plano foi para o saco.

O que pude fazer então foi rodar os benchmarks no próprio X300 e comparar os resultados com outro disco rí­gido montado em outro portátil. No meu caso, um Lenovo ThinkPad T61p.

Como o X300 estava com Windows Vista Business, não pude usar o bom e velho HDTach e fiquei apenas com o HDTune. E como o sistema operacional do X300 estava no SSD, não foi possí­vel realizar os testes de escrita do HDTune, que não roda em disco de sistema.

Os resultados com o SSD da Samsung estão logo abaixo:

A seguir estão os resultados do mesmo teste realizado em um disco rí­gido para notes Hitachi HTS541680J9SA00 de 80 GB e 5.400 rpm:

E aproveitando a oportunidade, fiz o mesmo com outro disco Hitachi HTS722010K9S de 100 GB e 7.200 rpm:

O que os gráficos mostram é que a taxa de transferência (linha azul) do SDD da Samsung é realmente maior (média de 55,3 MB/s) se comparado com um disco padrão de notes de 5.400 (36,6 MB/s) e até mesmo de 7.200 rpm (51,2 MB/s). Entretanto, podemos notar que, nos discos magnéticos, a taxa de transferência varia de acordo com a posição da informação no disco (maior na parte interna), o que não ocorre no SDD, cuja velocidade é mais ou menos regular.

O que é realmente de saltar aos olhos é o tempo de acesso (pontos amarelos) do SDD (0,4 ms) se comparado com os discos magnéticos (17,5 e 14,9 ms). Quanto menor, melhor.

Minha conclusão (por enquanto) é que os discos SSD apresentam inúmeras vantagens como não fazer barulho, ser muito velozes no acesso e leitura dos dados, consumir menos energia (algo como 20~30 minutos a mais de vida de bateria) e serem bem mais resistente aos choques mecânicos mesmo em funcionamento (bye bye, acelerômetros). Entretanto – por ser uma tecnologia ainda nova no mercado – existem dúvidas que ainda precisam ser esclarecidas em relação a esses discos, por exemplo:

1. É sabido que um chip de memória flash se desgasta com o uso, ou seja, apesar de sua aparente resistência aos maus tratos, as operações de leitura e gravação naturalmente desgatam circuito, de modo que, com toda certeza, um dia o SDD irá pifar, mas ninguêm ainda sabe quando. Pior, se isso acontecer os dados lá contidos não poderão ser recuperados tão facilmente como num disco magnético. Nesse caso, backup deve ser um hábito tão importante quanto escovar os dentes todos os dias.

2. Também se fala muito que o desempenho do SDD não é lá grande coisa para gravar dados e, com o passar do tempo, ele pode até piorar a medida que o ní­vel de fragmentação dos arquivos aumenta com o uso. Infelizmente não pude fazer testes de gravação, de modo que isso deverá ficar para outra oportunidade.

3. Finalmente, o custo por megabyte ainda é alto nos SDDs. Fazendo uma busca na web notei, por exemplo, que o disco usado no X300 (P/N 43N3400) ainda não está a venda no site da Lenovo Brasil, mas ele já está a venda nos EUA pela bagatela de US$ 1.499, contra US$ 499 de um disco rí­gido convencional mais caro do catálogo: um 41N5738 de 200 GB, 7.200 rpm e criptografia por hardware. Um modelo básico como o 41N5662 de 80 GB e 5.200 rpm sai por apenas US$ 99. Ah sim, um X300 por lá está em torno de US$ 3.300 mas pode ser encontrado nas ofertas em torno de US$ 2.700.

Tudo isso mostra que o disco SSD pode ter um futuro promissor, mas não acredito que ele seja um mata-disco-magnético, pelo menos por mais algum tempo (ou anos, como diz a Seagate no quadro abaixo).

De fato eu me lembro de uma entrevista que fiz no a quase uma década (ou mais) com Phil Hester que, na época, ainda trabalhava na IBM e me mostou o primeiro MicroDrive de 170 MB, numa época em que os cartões CF ainda estavam nos 16~32 MB. Eu me lembro que perguntei para ele se todo o esforço e investimento para criar um micro disco rí­gido não poderia ser melhor empregado para criar uma solução de estado sólido. Sua resposta foi simples: por incrí­vel que pareça ainda é mais barato fazer um disco rí­gido do que uma solução equivalente de estado sólido.

Seu argumento era verdade no século passado e parece continuar firme e forte ainda hoje.

Ainda em tempo: acabei de receber uma newsletter da Seagate que informa que a empresa prepara seu primeiro disco SSD de 2 TeraBytes (isso mesmo, 2.048 GB!!!) para o ano que vêm (2009). Mas por enquanto ele será um produto bastante caro e voltado especialmente para datacenters de empresas que precisam das vantagens da tecnologia SSD (tempo de resposta e baixo consumo) e não se importam em pagar (muuuito) a mais por isso.

A Seagate estima que o custo de armazenamento em um SSD está em torno de US$ 3,58/GB nos dias de hoje e ela não pretende produzir esses discos para o público em geral enquanto preço não cair para algo em torno de US$ 0,10/GB, o que a empresa estima que não acontecerá nos próximos 4~5 anos.

Assim, o foco da empresa ainda estará por um bom tempo voltado para os discos rí­gidos, mas desde o ano passado, ela já investe e desenvolve sua própria tecnologia SSD para que o produto esteja disponí­vel quando for necessário.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Guilherme

    bom, andei lendo que a Seagate estaria interessada na Super Talent, que anda produzindo ótimas soluções em disco sólido. Talvez essa demora para produzir SSDs venha na falta de condições para produzir os SSDs em larga escala.
    Quanto ao MTBF dos discos SSD, os fabricantes estão começando a disponibilizar informações sobre o tempo de regravações. Ao que parece esse fator já não preocupa mais, como por exemplo os discos da MTRON, neste link: http://www.mtron.net/English/Product/overview.asp , que apesar de não colocarem seu tempo de uso como sua principal vantagem, estima sua durabilidade em 100000 regravações ou 140 anos de uso.
    Abraços!

  • Oi Guilherme,

    Sim, 100.000 regravações é o padrão do mercado para as memórias Flash do tipo NAND usada nos cartões SD/xD (as do tipo NOR usadas nos cartões CF duram bem menos) mas não devemos misturar as estações, já que uma coisa é a operação de apagar e regravar uma célula de memória (que desgasta o circuito físico) e outra é a simples localização e leitura de seu conteúdo (que não faz nada). Acredito que os 140 anos se aplica a leitura e não a regravação de dados.

    Mais informações aqui: http://lwn.net/Articles/234441/