Hands-on: “Gunpla” Gundam Mk-II A.E.U.G. Prototype Mobile Suit RX-178 (2 de 3)

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Na segunda parte dessa série, falamos sobre a experiência de construir um Gunpla (kit de montar do Gundam) da série RG.

Depois de nossa breve introdução ao mundo do Gunpla chegamos ao que realmente interessa: como montar um desses kits do Gundam. O nosso modelo escolhido foi o Gundam Mk-II A.E.U.G. Prototype Mobile Suit RX-178, presente que o nosso colega e chapa deste Ztop+Zumo Marcelo Gonçalves trouxe do Japão junto com o último mangá do Yotsubato.

E quem é esse Gundam Mk-II A.E.U.G. Prototype Mobile Suit RX-178?

(Resposta curta para pessoas normais:)

Ele é um robô que apareceu em um desenho animado japonês dos anos 1980.

(Resposta longa para nerds:)

Segundo o Gundam Wiki, o modelo RX-178 MK II aparece na série de anime Mobile Suit Zeta Gundam, que é o sucessor do legendário modelo RX-78-2 que serviu na Guerra de Um Ano iniciada em UC 0079 (ou 2079 DC) quando o principado de Zeon declara sua independência da Federação da Terra e inicia uma guerra que se espalha por todos os continentes, envolvendo também as demais colônias espaciais e lunares.

Já a sigla A.E.U.G. se refere ao Anti-Earth Union Group, que é a principal facção antagonista do movimento da série Mobile Suit Zeta Gundam e Mobile Suit Gundam ZZ. Neste caso, o termo Anti-Earth (“Anti-Terra”) é meio que um equívoco já que o AEUG era em si uma facção política dentro da Federação da Terra, porém mais elitista do que o governo anti-Federação.

Segundo a história, em UC 0087 três protótipos do RX-178 Mk-II foram desenvolvidos pelos Titãs na colônia espacial Green Noa 1, mas todos foram roubados pelo A.E.U.G., sendo que dois foram desmontados para estudos e o terceiro foi colocado em serviço, ganhando assim a sua pintura característica no padrão de cores azul marinho sobre branco.

Entre as deficiências mais notáveis deste modelo está a sua blindagem que utiliza um composto de cerâmica de liga de titânio considerada obsoleta. Fora isso sua estrutura tem problemas de rigidez associada à resistência do material em especial nas pernas, sendo que e esse problema persistiu mesmo após seis revisões de projeto.

Mesmo assim, ele ainda participou de muitas das missões importantes do A.E.U.G, como o ataque a Jaburo e a batalha contra o MRX-009 Psyco Gundam em Hong Kong.

Eventualmente para melhorar seu desempenho, a AEUG contratou a Anaheim Electronics para construir uma nova nave de suporte para o Mk-II, resultando no FXA-05D G-Defenser, um caça que poderia ser acoplado ao Mk-II para criar o RX-178 + FXA-05D Super Gundam que tem velocidade superior, mobilidade e poder de fogo.

No final da Primeira Guerra Neo Zeon, o RX-178 Mk. II foi severamente danificado contra a NZ-000 Queen Mansa e abandonado por Elle Viano.

Reza a lenda que a unidade foi recuperada e reparada, mas acabou retirando-se do serviço depois que o A.E.U.G foi reabsorvido na Federação da Terra, sendo colocado na reserva ao lado do Zeta Gundam.

Sim, toda essa informação pode até parecer um exagero para descrever apenas um entre centenas (ou seriam milhares?) de Gundams e suas variantes…

… mas isso pode ser comparado por exemplo, com os TIE Fighters da franquia Star Wars que começou com um modelo padrão (e uma versão “avançada” para o big kahuna Darth Vader no episódio 4) mas que proliferou para dezenas de modelos ricamente descritos com dados e factóides detalhadíssimos em sites e Wikis na Web, sendo que muitos deles só apareceram ou foram mencionados em livros, revistas, jogos ou quadrinhos — ou seja — os fabricantes de brinquedos agradecem!

Aviso sem compromisso aos mestres Gunplayers

O objetivo desse post não é de ensinar o pai nosso ao vigário e sim de mostrar para nossos leitores como é simples e até divertido a experiência de montar um Gunpla.

Desse modo, iremos nos concentrar no básico, ou seja, na montagem em si deixando de lado algumas técnicas mais avançadas de montagem e acabamento.

Dai se algum montador mais experiente se sentir ofendido por essa matéria, por favor aceite nossas sinceras desculpas e aproveite o espaço dos comentários para suas críticas construtivas, correções e dicas é claro!

Nós aqui do Ztop+Zumo agradecemos a ajuda.😊 

E o que vem dentro da caixa?

Como é comum nos kits de plastimodelismo, ele vem na forma de um conjunto de armações ou grades de plástico (neste caso 11) também chamados de “galhos” ou “runners” de diversos tamanhos, cores e tipos de materiais plásticos como ABS, poliestireno e polipropileno…

Nagano comenta: Sempre que abro uma caixa de kit para montar, meu pensamento é sempre o mesmo: “Olha o tamanho da encrenca em que me meti!”

… que contém as peças usadas na montagem, todas devidamente identificadas por números.

Completam o conjunto uma cartela de apliques e adesivos…

… e o manual de montagem que, apesar de estar todo em japonês, é possível se guiar apenas pelos diagramas e as ilustrações:

Isso de um certo modo explica o seu custo relativamente baixo, já que, como podemos ver, um Gunpla não é mais que uma caixa de papelão cheia de pecinhas de plástico embaladas do jeito que saíram do molde de injeção.

Os preparativos

Como já dissemos antes, um dos grandes atrativos do Gunpla está na sua facilidade de montagem sem comprometer muito o resultado final, o que torna essa atividade bem mais prazerosa e gratificante para um público mais amplo:

Para aqueles que nunca montaram um kit de plastimodelismo, vale a pena conhecer algumas dicas básicas:

Antes de mais nada, dê uma estudada no kit e no manual de montagem e procure se familiarizar com um dos galhos sendo que cada um possui um identificador próprio como “A”, “B1”, “E2”, etc…

… e procure organizá-los de uma maneira que eles sejam fáceis de serem localizados e sacados. Para isso até existe um acessório chamado runner shelf, mas acreditamos que algo mais simples e genérico como um escorredor de pratos poderia ser adaptado para esse uso:

Outra dica importante é não remover a peça do galho antes de realmente usá-la na montagem!

Repetindo: Não remova a peça do galho antes de realmente usá-la na montagem.

E para que isso fique muito bem gravado na sua memória: Não remova a peça do galho antes de realmente usá-la na montagem.

De fato, também recomendamos que o montador nem retire o galho do seu saquinho de plástico até a hora de realmente usá-la na montagem.

Isso porque como o montador estará manipulando quase que um quebra-cabeça com centenas de peças (sendo muitas delas iguais, simétricas ou só muito parecidas) o único modo seguro de identificá-las é pela sua posição no galho.

Fora isso, por causa do tamanho é bem fácil perdê-las no meio de tantos pedacinhos de plástico que irão se espalhar pela mesa.

Ferramentas para montagem

Em tese — é possível montar um Gunpla sem usar ferramenta alguma! — já que é fácil torcer e arrancar as peças dos galhos só com os dedos e juntá-las de acordo com as instruções do manual.

O problema é que ao fazer isso, ela deixa rebarbas meio esbranquiçadas na peça que podem comprometer o acabamento e o aspecto final da montagem:

Sob esse ponto de vista, o ideal é que em vez de “arrancar” as peças, o montador deveria cortar a peça do galho, usando uma ferramenta apropriada (mais sobre isso embaixo) e depois retirar o excesso de material com um estilete ou até lixa para dar o acabamento final:

Para isso, diversas empresas oferecem kits de ferramentas para hobbistas de Gunpla, formadas no geral por ferramentas de corte, manipulação e acabamento como alicates, estiletes, limas e lixas diversas. Por sinal nada que muita gente já não tenha em casa:

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é gunpla_tools.jpg

Talvez a única ferramenta que o montador talvez tenha que adquirir seja um alicate de corte rente (também chamado de “nipper”) usado para remover as peças do galho, apesar de alguns tentem se virar com um estilete, alicate de cutícula 😱 ou até mesmo cortador de unha do tipo Trim 😱😱😱.

Fato é que o mercado oferece uma infinidade de tipos e modelos para todos os bolsos e gostos, sendo que os próprios fabricantes de kits costumam oferecer alicates específicos para essa função:

Apesar de que, cá entre nós, eles não nos parecem ser muito diferentes daqueles usados em trabalhos de eletrônica:

Nós aqui do ZTOP+ZUMO somos fanáticos por ferramentas, mas como nunca tivemos um alicate deste tipo, não teríamos condições de indicar uma marca ou modelo que não seja aquela recomendada pelo próprio fabricante.

No nosso caso, tivemos a sorte de ter algo que atendeu bem a essa necessidade que foi o nosso bom e velho alicate de corte Knipex que comprei numa lojinha da Sta Ifigênia em mil novecentos e antigamente:

Feito na Alemanha, ele lembra uma pequena torquesa, só que a sua boca não é reta e sim obliqua, o que permite também usá-lo como um alicate de corte com bico:

Infelizmente ele não possui nenhum número de referência, mas a sua versão moderna me parece ser este modelo 62 12 120:

Com relação ao estilete, optei por usar um modelo No. 732 Extra-Grip Utility Knife da Crain Tools, uma empresa americana da cidade de Milpitas (Vale do Silício) que fica no grande estado da Califórnia:

A vantagem que vemos nessa ferramenta é que seu cabo, além de grande, possui uma ótima pegada, o que torna o seu uso mais confortável.

E onde foi que comprei essa faca? Na verdade, eu achei ela caída na rua quando passeava na cidade de Pleasanton que também fica na região do Vale do Silício no grande estado da Califórnia.

E como estamos mexendo com objetos cortantes, uma boa dica é de sempre usar algum tipo de proteção sobre a mesa de trabalho, sendo que muitos optam por usar uma Base de corte da Olfa. No nosso caso, um modelo A3:

Entre as outras ferramentas que serão menos usadas estão pinças, limas e lixas sendo que essas últimas são usadas para dar um melhor acabamento final nas peças. Para quem quiser se aprofundar mais nesse assunto nos recomendamos a leitura deste site.

Técnicas de corte

Entre as técnicas básicas que todo montador de Gunpla deveria dominar, talvez a mais importante é a de saber como cortar a peça do galho da maneira mais eficiente possível.

Esses locais são exatamente os pontos onde o plástico foi injetado na peça…

… de modo que o bom senso nos diz que é só alinhar a face de corte do alicate com a lateral da peça e separá-la do galho. Simples, não?

Em muitos casos sim, mas em outros existe um lado melhor onde a espessura é menor…

… o que torna o corte menor, mais preciso e menos “estressante” para a peça:

O problema é que essa face pode não estar visível e muito menos ao alcance da ferramenta de corte porque ela fica meio que perpendicular ao plano da lâmina:

Neste caso, a dica é fazer o corte em duas etapas, ou seja, o primeiro corte é feito um pouco antes do ponto de contato do galho com a peça

… e depois com a peça solta temos condições de fazer um segundo corte rente na peça numa posição mais ideal:

Feito isso, basta inspecionar o corte para ver se é necessário retirar algum excesso de material com o estilete ou com a lixa e a peça está pronta para ser montada — simples, não?

Uma dica meio besta, mas que pode salvar o seu dia é tomar um pouco de cuidado na hora de cortar peças muito pequenas porque dependendo da energia aplicada no corte elas podem sair “voando” para bem longe da sua vista e — depois para achar…. 😵

Outra dica (esta realmente. Importante) é tomar o cuidado de não confundir um excesso de material com uma parte da peça, como por exemplo um pino de encaixe.

Mas quando existe esse risco, ele é normalmente citado no manual de montagem:

Opa, você matou essa aula de japonês pra ir jogar truco no diretório acadêmico? Uma solução que pode amenizar esse perrengue é usar um app tradutor como o Microsoft Translator ou o Google Translator, que possuem um recurso de capturar um texto com sua câmera e traduzir o que ele conseguir ler:

Pela nossa experiência com a versão da Microsoft ele funciona razoavelmente com textos isolados, relativamente grandes e bem legíveis.

Mão na massa:

No geral, podemos dizer que o processo de montagem até que é bem simples e direto:

  1. Cheque no manual de montagem qual a próxima peça a ser usada.
  2. Localize a peça desejada no galho.
  3. Remova a peça do galho.
  4. Dê um acabamento na peça.
  5. Monte a peça no modelo segundo a indicação do manual.
  6. Terminou a montagem? Se sim ótimo! (Corra pra galera e comemore.)
  7. Caso contrário, volte para o passo 1.

De um certo modo, montar um Gunpla é o mesmo que fazer um bolo, ou seja , se você seguir os passos indicados pelo manual de montagem…

… não tem como errar:

Uma dica importante é que devido a alta qualidade desses kits, as peças sempre se encaixam de primeira e de maneira perfeita de modo que caso isso não ocorra, não tente forçar o encaixe porque provavelmente o posicionamento de uma das peças está errado — ou seja — cheque novamente o manual de montagem a procura de pequenos detalhes como linhas, depressões e ressaltos normalmente destacados nas ilustrações com “brilhos”…

… e tente novamente:

Uma curiosidade dessa figura é que ela possui “mangueiras hidráulicas” que devem ser montadas nas pernas do Gundam, sendo que para isso o kit veio com um pedaço de tubo de tecido trançado e outro de fio elétrico de igual tamanho:

O interessante neste caso é que o manual de montagem possui uma pequena escala que indica o tamanho exato dos tubos…

… e que também pode ser usado para marcar o ponto exato do corte:

Na teoria, as pontas dos tubos ficariam no lugar apenas por pressão, mas neste caso eu resolvi usar um pouco de cola escolar branca para fixar a peça:

E o resultado final até que ficou bom, né?

E como já falamos na primeira parte desse hands-on, essa série RG tem uma característica bem interessante que é o fato dessa figura possuir uma espécie de esqueleto interno…

… onde sua “armadura externa” é montada. Primeiro nas pernas…

… depois a tanga…

E finalmente o tronco e os braços:

Já a cabeça da figura exige uma operação especial de montagem, já que é necessário para colar a etiqueta adesiva com os olhos do Gundam que deve ser retirada da cartela de apliques…

… e assentado perfeitamente sobre uma peça transparente de alguns milímetros de largura:

A dica neste caso é não retirar a peça do galho e usar a moldura como um suporte mais firme e estável para aplicar a etiqueta.

Depois disso a peça pode ser removida:

Essa técnica por sinal, também é recomendada na hora de unir ou pintar peças muito pequenas.

E depois de mais meia dúzida de passos, a cabeça está pronta…

…para completar a montagem básica do Gundam:

Sobre o acabamento e pintura

Como podemos ver nas imagens acima, mesmo sem nenhum retoque, o Gunpla tem uma apresentação final muito boa, apesar de que nada impede que o montador mais experiente possa customizar o seu modelo com a adição de alguns acessórios ou mesmo com uma mão de tinta:

Mas para aqueles que gostariam de dar um tapinha a mais no visual do seu modelo, o mais simples é usar os apliques e adesivos que já acompanham o produto…

…. sendo que no fim do guia de montagem existe um diagrama super hiper detalhado de onde grudar o que aonde:

Para mim esses apliques podem ser tanto uma benção quanto uma praga, já que muitos deles não passam de linhas ou quadradinhos minúsculos cuja largura fica abaixo de 1 mm o que exige uma certa perícia e olhos de águia para que o resultado final saia perfeito.

Mas cá entre nós, a não ser que o montador se envolva em alguma competição oficial ou queira apenas impressionar as garotas e os amigos nerds, o montador casual não é obrigado a usar todas as etiquetas, sendo que o nosso conselho é que ele utilize todos aqueles que achar bacana (e tem muitos), ignorando o resto.

Para essa empreitada a nossa dica é que o usuário tenha em mãos alguns instrumentos que podem ser úteis como uma pinça de bico fino (quanto mais pontudo melhor), cotonete (ou similar) e um pouco de água:

E para aqueles cuja vista já não é mais como antigamente, uma dica é usar uma lupa de cabeça que também pode ser útil em outras partes da montagem:

Como primeiro exemplo, vamos fazer algo simples como aplicar o logo RX-178 (item 114) no ombro direito do Gundam:

Primeiro mergulhe a ponta do cotonete na água é molhe o local onde o aplique será fixado. O motivo neste caso não seria de limpar o local (mas que não é uma má idéia diga-se de passagem) e sim de criar uma fina lâmina de água (ou mais exatamente uma acúmulo desse líquido) sobre a mesma:

Depois disso, localize o aplique 114 na cartela e retire-o cuidadosamente com a pinça. No início, achávamos que ele fosse algum tipo de transfer ou decalque a base de água mas trata-se de uma etiqueta adesiva semi-transparente:

Feito isso, aplique a mesma no local desejado, de preferência sobre a área molhada. Isso faz com que ela não grude definitivamente sobre a superfície, permitindo assim que o montador possa fazer alguns ajustes finos antes de fixá-la definitivamente com uma leve pressão do dedo:

Aqui podemos Notar que a parte transparente da etiqueta tem um acabamento fosco, o que combina bem com a superfície opaca do Gunpla, apesar de que esse efeito translúcido pode ser indesejável em alguns casos, em especial sobre superfícies mais brilhantes.

Para finalizar essa área também aplicamos as etiquetas 50 e 54 que são detalhes do tipo “dois-em-um”:

Para ilustrar um exemplo mais extremo, vamos colar as etiquetas de número 51 que ficam na base dos ejetores de cima do Rocket Pack desse Gundam:

Isso porque essa etiqueta é irritantemente pequena e difícil de ser manipulada, especialmente por pessoas com mãos grandes:

A dica neste caso é que essa operação não seja feita no fim da montagem e sim durante o mesmo, ou seja, aplique a etiqueta sobre a peça ainda preso no galho que neste caso proporciona uma base firme para segurar a peça por menor que ela seja:

Feito isso, a peça pode ser removida do galho e instalada da montagem:

Considerações finais

Em um mundo como o nosso que a cultura do agora e da gratificação instantânea parece dominar nossas vidas, montar um Gunpla pode parecer um antagonismo, já que ele é um bom exemplo daquele tipo de atividade que não adianta você meter o pé no acelerador porque ele não vai ficar pronto em menos horas — a não ser que você seja algum tipo de doido de pedra.

No meu caso só levou uma semana. 😉

De um certo modo, montar um Gunpla é meio que uma mistura de hobby, passatempo e terapia ocupacional já que além de ajudar a esvaziar a mente e clarear nossas ideias nos afastando do estresse do dia a dia, essa atividade estimula e desenvolve nossas habilidades cognitivas ou seja, aprimora a capacidade de resolução de problemas e potencializa o raciocínio, além de melhorar nossa percepção visual e espacial.

Fora isso, essa atividade também desenvolve a coordenação motora já que além de saber como ajustar e manipular peças tão pequenas, o montador também deve saber como encaixá-las perfeitamente.

Um terceiro atrativo é o de desenvolver habilidades sociais já que montar um Gunpla não precisa ser uma atividade solitária, mas que também pode ser feita junto com outras pessoas de mesmo interesse ou não, que podem trocar idéias, dicas e até um pouco de bravata nas redes sociais o que também pode melhorar a autoestima e aumentar a confiança em si mesmo.

Como dizem por ai, o prazer de algumas viagens não estaria no destino e sim na jornada. Isso porque a graça estaria exatamente em todos aqueles bons (e maus) momentos que você passou no caminho e que irão se transformar em boas (e más) lembranças que você carregará pelo o resto da vida.

Sob este ponto de vista, montar um Gunpla seria uma dessas viagens, só que o prazer de chegar ao destino também é meio que garantido.

Isso porque a montagem final, mesmo que sem nenhum acabamento é muito bom, o que nem sempre acontece com os kits de plastimodelismo mais tradicionais por que você pode até fazer uma boa montagem mas pode ferrar tudo com uma pintura amadora e horrivelmente mal feita.

De fato depois de analisarmos o produto montado, podemos até afirmar que alguns deles chegam a ser superiores ao de uma figura de ação comprada “pronta” na loja.

Por exemplo, embaixo temos uma amostra do número de peças usadas para montar um componente relativamente simples como a blindagem dos ombros…

… algo que com certeza seria feito bem com menos peças e menos operações de montagem do que numa figura de ação, já que neste último caso o interesse do fabricante é de o máximo resultado gastando o mínimo possível, incluindo é claro a mão de obra.

Ou seja, de um certo modo o que a Bandai faz é investir mais na engenharia e na fabricação dos componentes de um Gunpla, repassando o custo da mão de obra de montagem para o consumidor final que, por sua vez, ganha no preço menor, no prazer de montar e na qualidade do produto final, que pode ser superior ao comprado pronto na loja (uma estratégia por sinal adotada por algumas empresas até com outros tipos de brinquedos).

Resumindo, montar um Gunpla pode até não ser gratificação instantânea mas é, com certeza, gratificação garantida!

E ai Kayatt curtiu?

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é IDF16_BR_DEV_pedro_kayatt-990x743.jpg

Na terceira e última parte dessa série, falaremos sobre nossa vista ao Gundam Base Tokyo a mega loja de Gunpla que fica no complexo Diver City Tokyo Plaza na ilha de Oidaba, lar do maior Gunpla do mundo:

Fiquem ligados.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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