Hands-on: Gashapon (um Kinder Ovo sem chocolate)

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Perambulando hoje de manhã pela Avenida Paulista, topei com uma máquina de Gashapon, um ícone da cultura geek do Japão e que agora começa a se disseminar por aqui.

Para quem nunca foi apresentado, o Gashapon é uma máquina de moeda que vende algum tipo de prêmio aleatório — normalmente uma miniatura ou outro tipo de penduricalho.

O produto em si é muito parecido com nosso Kinder Ovo, porém sem o chocolate — o que pode ser um alívio para os pais preocupados com os hábitos alimentares das crianças — já que neste caso a surpresa vem embalada em uma cápsula de plástico. O nome vem do barulho que a máquina faz quando fazemos a compra (“gacha-gacha!”) e  “pon” da cápsula caindo no compartimento de saída.

Mas o que realmente diferencia o Gashapon de sistemas parecidos como as máquinas de chiclete que já temos por aqui é que os brinquedos são de melhor qualidade. Por causa disso custam até mais caro, sendo que cada um deles sai por 100 até 500 ienes (R$ 2  a R$ 10) lá na terra dos nipões.

E ao contrário do Kinder, que pode passar até um ano sem renovar sua coleção de brinquedos, os fabricantes japoneses criam dezenas de coleções durante a temporada, com os temas mais variados como animais, insetos, super-heróis, miniaturas de objetos (câmeras, consoles de jogo), personagens de mangá, anime e videogames, garotas em trajes mínimos (ou até mesmo sem roupa) etc.

Cada máquina oferece séries de quatro, seis, dez ou até mais itens, permitindo assim que o comprador opte pelo tema que mais lhe interesse. Isso faz com que muitas lojas mantenham seções inteiras dedicadas ao produto, como essa que vimos na BIC Camera de Osaka, uma das maiores redes de eletrônicos do Japão:

Mas como o consumidor pode escolher o tema mas não necessariamente o item que ele deseja, a experiência de colecionar Gashapons é a mesma de juntar figurinhas. E para atiçar ainda mais o pessoal, muitas séries quando completadas formam pequenos dioramas, enquanto que outros possuem um personagem raro/secreto cuja aparência nem é divulgada. De fato, existe até um mercado paralelo para negociar séries completas em lojas especializadas.

Pelo que vimos, o sistema que chegou ao País é o da Takara Tomy, que comercializa seus produtos sob a marca Gacha (já que o nome Gashapon é de propriedade da Bandai). Segundo o pessoal do Made in Japan, elas foram trazidas pela Edimagic em parceria com a Gacha Internationalque conta com licenças da Disney, Nintendo, Littlest Pet Shop, Bob Esponja e Hello Kitty entre outros.

O modelo que vimos oferecia quatro temas: dois baseados em Mario Bros, um Littlest Pet Shop e outro da Disney. Cada brinquedo sai por R$ 3, sendo que o consumidor deve inserir três moedas de 1 real ao mesmo tempo no slot da máquina e girar o dial para que e a cápsula caia no compartimento ao lado. Existe um aviso que caso se queira adquirir mais de um item, que retire a primeira cápsula antes de prosseguir com a próxima compra sob o risco de elas entalarem.

Vale a pena notar que os brinquedos estão bem escondidos dentro das cápsulas, de modo que é praticamente impossível saber o que pode sair da máquina. Bater, chutar ou mesmo chacoalhar também não adianta muito, já que corremos o risco de receber o mesmo tratamento de quem estiver tomando conta das máquinas.

Em nome do interesse científico, investimos R$ 6 da nossa verba de pesquisa aqui do lab para ver como é o brinquedinho. A cápsula em si possui uma articulação e trava (que pode servir depois de porta-trecos) e o brinquedo (neste caso, um pingente de celular) veio protegido dentro de um saquinho plástico junto com um folheto que relaciona todos os outros itens dessa série.

De fato, achamos que o brinquedo apesar de pequeno até que é bem feito. Agora… Se ele vale R$ 3 eu diria que valeu mais pela farra do que pela satisfação de tê-lo pendurado no meu celular.

Fora isso. se levarmos em consideração que um Kinder Ovo custa entre R$ 3,30 ~ R$ 4,16 a unidade, o Gashapon pode ser uma opção de melhor custo x benefíco, além de ser diet e com zero de açúcar. 🙂

 

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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