ZTOP+ZUMO

Hands-on: Fujifilm Instax WIDE 300

Nova câmera instantânea da Fuji adota um novo formato de filme com o dobro da largura do sistema mini.

No nosso mundo em que tudo fica cada vez mais imediato, temporário, digital, etéreo e até descartável é impressionante que muitos ainda se apegam a coisas antiquadas como uma foto impressa.

Sob um certo ponto de vista até meio filosófico, fotografias são instrumentos de auto-reflexão que também atendem a nossa necessidade primordial de preservar e compartilhar nossas memórias de uma maneira simples, prática e sem depender de tomada ou bateria.

fujifilm_instax_wide_300_fotos2

Assim, não é de se estranhar que o sistema Polaroid ainda sobrevive como um produto de massa, já que ele combina essa capacidade de fazer uma foto impressa “à moda antiga” com a comodidade e o imediatismo com que estamos acostumados hoje. De fato, essa experiência — também chamada de “gratificação instantânea”— é algo super bacana, né?

Mas a Polaroid já não produz câmeras instantâneas desde 2007 e film-packs desde 2009, apesar de um pequeno grupo estar recriando o produto. E desde então, a única grande compania que ainda mantém uma linha de câmeras instantâneas é a Fujifilm com seu sistema instax, e o membro mais recente dessa família acaba de chegar ao Brasil: A instax WIDE 300 (preço sugerido: R$ 999).

Instax_Wide300_body_overall

Anunciada durante a feira Fotografar 2015, a WIDE 300 também traz um novo formato de filme batizado de de instax WIDE (à esquerda)…

… cujo cartucho (ou film-pack) é bem maior que o instax mini e como o tal, vem carregado com 10 chapas de filme com sensibilidade ISO 800.

… e por causa disso, produz imagens bem maiores —  6,2 x 9,9 cm — o que é o dobro do instax mini (6,2 x 4,6 cm):

Instax_Wide_300_intro_wide_film

Isso amplia a versatilidade desse sistema, já que o formato mini — com sua orientação na vertical — era mais adequada para retratos, enquanto que o WIDE permite enquadrar com mais naturalidade grupos de pessoas, objetos e até paisagens num formato retangular mais familiar para o consumidor final. Isto porém impacta no custo final da foto, já que baseado no preço do seu film-pack de 20 fotos (R$ 132) calculamos que uma foto tirada na WIDE sai em torno de R$ 6,56 contra R$ 3,50 do mini.

Outra consequência direta do uso desse novo film-pack é o tamanho da câmera, que até lembra até um modelo de médio formato…

Mas que apesar disso, graças uso de policarbonato na sua construção, a WIDE 300 é uma câmera relativamente leve (~772 gramas) e com uma boa pegada, o que faz com que seu uso bastante confortável, mesmo por longos períodos de tempo.

Esteticamente falando, ela é bem diferente da sua antecessora, ficando mais próxima da instax mini 90 Neo Classic (embaixo) cujo visual retrô e tons de prata e preto fazem muito sucesso na linha X da Fuji.

Instax_mini90_NEO_overall

Tecnicamente falando, a WIDE 300 é uma câmera instantânea equipada com uma lente fixa de 95mm/f14 formada por 2 elementos em dois grupos. Seu disparador varia de  1/64 até 1/200 segundo e funciona apenas no modo automático com opção de ajuste manual para mais ou menos 2/3 pontos de exposição.  Seu flash eletrônico tem alcance efetivo de até 3 metros com tempo de recarga de 0,2 até 6 segundos e que dispara automaticamente quando o seu sensor de iluminação achar necessário.

Desligado, o corpo mede aproximadamente 16,8 x 9,5 x 12,1 cm (LxAxP) e 772 gramas de peso com o filme e as baterias instaladas.

Instax_Wide300_body_front

Uma sacada interessante desse design é a implementação de uma empunhadura com botão de liga/disparador integrado o que permite segurar essa câmera de maneira bastante firme e confortável. Note o grande anel de ajuste de zona de foco (0,9~3m e 3m~infinto) e a ranhura superior por onde sai a foto impressa.

Instax_Wide300_body_top

A parte de trás é dominada pela grande tampa que dá acesso ao compartimento do film-pack. Seus principais controles — o painel LCD, o ajuste de exposição (L (Lighter) = mais claro e D (Darker) = mais escuro) e o controle do flash (sempre ligado ou automático) — ficam na parte de cima, assim como o visor de enquadramento que fica numa saliência lateral (à esquerda) junto com um LED vermelho que pisca para avisar que a câmera ainda não está pronta para uso.

Instax_Wide300_body_backl

Os projetistas da Fuji também aproveitaram essa empunhadura saliente para abrigar o compartimento de baterias onde cabem quatro pilhas AA e cuja autonomia é estimada em aproximadamente 10 film-packs ou 100 fotos.
Instax_Wide300_body_lefta

Note que quando ligada, a câmera extende a objetiva para a sua posição de uso, o que aumenta em 4,2 cm o comprimento da câmera. Mas como já dissemos antes, ela não é do tipo zoom e o seu anel emborrachado ao redor da lente serve apenas para ajustar para uma das suas duas zonas de foco que vai de 0,9 m~3,0 m na primeira posição (ideal para retratos de uma ou duas pessoas) e de 3,0 m até o infinito na segunda.

Instax_Wide300_body_righta

O curioso é que ao ligarmos a câmera, ela assume a primeira posição passando para a segunda posição por meio de um leve movimento no anel da lente no sentido horário. O bizarro é que para voltar para a zona anterior, ao fazer o movimento no anel, a lente parece “resetar”, voltando para a posição inicial:

Acreditamos que esse detalhe é muito importante para o usuário iniciante, já que o bom senso nos diz que ao ligar a câmera, ela está pronta para “uso geral”, ou seja, fotografar qualquer coisa que esteja entre um metro e o infinito, quando a realidade, ela está realmente pronta é para fazer retratos (mais sobre isso embaixo).

Instax_Wide300_focus_zone1

E assim como a mini 90 Neo Classic, a WIDE 300 possui um ponto de encaixe padrão de 1/4″ o que permite montar essa câmera num tripé, o que pode ser algo muito útil para aqueles que desejam tirar retratos com diversas pessoas mantendo o mesmo cenário de fundo. Observamos porém que ela não possui temporizador de disparo nem controle remoto (boo!)

Com relação aos acessórios, já acompanha o produto, quatro pilhas AA, correia de pescoço e uma curiosa lente de aproximação/selfie. Note que a WIDE 300 não vem com film-pack incluso, que precisa ser comprado à parte.

Instax_Wide_300_acessorios

Colocar o film-pack na WIDE 300 é um procedimento simples e direto: Primeiro pressionamos a trava da porta…

… para termos acesso ao interior da câmera:

Feito isso, basta colocar o film pack tomando o devido cuidado de alinhar as duas marcas amarelas localizadas tanto no cartucho quanto na borda da câmera, logo abaixo do botão de flash.

Feito isso, basta fechar a tampa e ligar a câmera…

… para checar se o contador (regressivo) de exposições começa com 10.

Fora isso, também é preciso disparar a câmera uma vez para que ela ejete a capa de proteção que cobre a frente do film-pack, expondo assim a primeira chapa para o registro da foto:

Caso você não tenha certeza se que a câmera está com filme ou não, existe uma pequena janelinha redonda na tampa por onde dá para ver a presença (ou não) daquela marca amarela do cartucho.

E caso você abra acidentalmente o compartimento do filme, o pior que pode acontecer é você perder uma ou duas chapas de filme, já que a câmera irá entender que você colocou um novo cartucho e primeiro filme da fila será ejetado como se fosse a capa de proteção do film-pack. O grande problema neste caso é que o contador do filme volta para 10 e a próxima chapa pode sofrer com a entrada de luz:

Fujifilm_Instax_Wide_300_vazamento_013

No geral, a experiência de tirar fotos com a Wide 300 é muito parecida com as antigas câmeras de filme como a boa e velha Olympus Trip 35 ou a mais recente LOMO LC-A ou seja, ajuste a zona de foco, olhe pelo visor, enquadre o tema e pressione o botão do disparador…

Instax_Wide300_holding… e aprecie a sua foto, que deve começar aparecer em menos de um minuto, mas as cores finais costumam aparecer depois de mais tempo.

Fujifilm_Instax_Wide_300_test1_009

Simples, não?

Agora, para aqueles que não desejam queimar filme à toa (não se esqueçam —  R$ 6,56 a cópia!) e ter mais garantias de fazer uma boa foto, aconselhamos seguir algumas regras básicas como:

  • De dia, prefira sempre fotografar em locais abertos e/ou bem iluminados, de preferência sob a luz do sol.
  • Neste caso, posicione-se de modo que a luz do sol ilumine o seu assunto de frente e não por trás.
  • Sempre respeite a distância mínima de foco já que menos que isso, as fotos sairão desfocadas. Uma sugestão é saber a distância do seu passo seu para frente e para trás, o que pode ser uma boa maneira de medir distâncias.
  • Ao bater a foto, segure a câmera com firmeza, inspire fundo, prenda a respiração e pressione gentilmente o botão disparador para minimizar trepidações.
  • Em locais de muito escuros não se arrisque — use o flash (apesar da WIDE 300 disparar o flash automaticamente, quando achar necessário).

Ztop in a Box: Conhecendo melhor o filme instax

Para quem nunca teve contato com uma foto instantânea, talvez valha a pena explicarmos algumas coisas.

Acredito que tecnologia de revelação usada no sistema instax surgiu em meados de 1973, época do lançamento da cultuada Polaroid SX-70 que também introduziu um novo filme com o mesmo nome, onde o negativo, o papel fotográfico e os reagentes químicos que imprimem as fotos estão contidas numa única mídia que até lembra um envelope, sendo que a parte da frente podemos ver a chapa de filme e na sua base uma espécie de compartimento (ou blister) que contém a pasta química que faz a revelação do filme.

Fujifilm_Instax_Wide_300_foto_tras_leg

Depois de bater uma foto, ao sair da câmera a mídia passa por uma sistema de roletes que espreme o blister e espalha o seu conteúdo por dentro da chapa iniciando assim o processo de revelação, que aparece no lado oposto dela. Note que o excesso de pasta reveladora é acumulada num segundo compartimento existente na parte de cima da mídia.

No geral, o tempo de revelação leva em torno de três minutos, mas isso varia dentro da sua faixa de trabalho que varia de 4°~40° Celsius. Segundo a Fuji, em locais muito frios, a foto pode demorar mais para ser revelada de modo que ela sugere que as fotos batidas sejam colocadas em um local mais morno — como o bolso de um casaco — para acelerar o processo. Mas colocá-la perto de fonte intensa de calor (como um aquecedor) pode sim prejudicar a formação da imagem.

A empresa também recomenda que foto não seja muito manipulada durante a revelação, já que se pressionarmos a superfície da foto corre-se o risco da área tocada embaçar. E ao contrário do que vemos nos filmes e na TV, chacoalhar a foto não acelera sua revelação.

Se todos esse cuidados forem tomados, o resultado final é uma imagem com acabamento brilhante (muito parecida com a produzida em minilabs) que oferece uma boa resistência a água e a maus tratos. O curioso é que a borda larga na sua base é muito usada para escrever anotações e dedicatórias. E como qualquer foto, o ideal é que o fotógrafo segure a foto pelas bordas, evitando assim sujar a imagem com marcas de dedos.

Segundo a Fuji, sua durabilidade é a mesma de uma foto de minilab e pode durar décadas se arquivada corretamente dentro de um álbum e ficar longe de fontes de raios UV como a luz do sol.

A grande vantagem dessa tecnologia (também conhecida como Integral Film) é que ela é um sistema “limpo” que não gera resíduos (como nos film-packs Polaroid tipo 80/550/667). Mas devido ao fato da mídia ser  — de um certo modo — um saquinho de plástico com resíduos químicos no seu interior, alguns cuidados devem ser tomados para que seu conteúdo não seja exposto, como não dobrar a foto, recortar a imagem com uma tesoura, fazer buracos com furador ou mesmo com grampeador — e é claro, não deixe que crianças pequenas mordam a foto.

O sistema de enquadramento da WIDE 300 é do tipo visor direto com um círculo na área central que serve como uma espécie de mira. A imagem apesar de nítida, não é muito grande gerando o chamado “efeito túnel”.

Jpeg

Sob a luz natural, as imagens capturadas pela WIDE 300 produzem tons naturais, porém levemente puxados para o neutro, o que pode ser parcialmente compensado com o uso do botão L/D…

Fujifilm_Instax_Wide_300_norm_006

… que pode aumentar a exposição em + 2/3 de ponto de exposição…

Fujifilm_Instax_Wide_300_super_007

… ou diminuir na mesma proporção (- 2/3 de ponto de exposição):

Fujifilm_Instax_Wide_300_sub_008

Já o uso do flash automático proporcionou exposições bem mais consistentes apesar de que alguns fotógrafos não apreciarem o efeito chapado gerado por esse sistema. Notamos que o botão de flash presente no painel da câmera serve apenas para forçar o disparo do flash e usá-lo como luz de preenchimento em fotos contraluz, ou seja, neste modelo não é possível desligar o flash por completo.

Fujifilm_Instax_Wide_300_gato_005

 

De fato, o melhores resultados são obtidos na captura de retratos ou mais exatamente fotos de uma ou mais pessoas, dentro de ambientes bem iluminados, como podemos ver nestas imagens de divulgação da Fuji.

fujifilm_instax_wide_300_fotos

Um acessório bem curioso que já acompanha a WIDE 300 é a lente de aproximação que, como o próprio nome sugere, permite aproximar ainda mais o tema da câmera, nas não tanto — algo como 40~50 cm — com a lente ajustada para a zona de 0,9~3,0 m.

E o que parece ser uma anteninha é na verdade uma espécie de “mira auxiliar” que na hora de fazer um uma foto de close-up, ajuda o usuário a compensar o erro de paralaxe do visor em relação à objetiva.

Para isso, basta alinhar o furo da mira auxiliar com o centro do tema a ser registrado e bater a foto:

Instax_Wide300_macro2

O uso desse acessório não é lá muito intuitivo, mas com um pouco de prática é possível obter bons resultados:

Fujifilm_Instax_Wide_300_close_004

Outra sacada legal desse acessório é a presença de um pequeno espelho que ajuda o usuário a fazer selfies.

 

Neste caso, o procedimento é bem mais simples: segure a câmera com a objetiva na sua direção, estique o braço, use o espelho para enquadrar sua imagem e bata a foto:

Instax_Wide300_selfie2

No geral, nossa impressão é que a Instax WIDE 300 não é necessariamente a melhor câmera para uso geral, mas é uma excelente máquina para fazer retratos. Dizemos isso porque suas características técnicas, formato do filme e ajustes de foco favorecem mais a captura de um ou mais temas  a uma distância média — nem muito perto, nem muito longe — o que não é o caso, por exemplo, de paisagens já que o excesso de detalhes da cena ficam muito pequenos numa imagem de apenas  6,2 x 9,9 cm.

De fato, a própria Fuji recomenda o uso dessa câmera para profissionais de eventos que costumam trabalhar em ambientes conhecidos com temas até repetitivos, como fotografar os participantes de uma festa e presentear a foto como lembrança.

Observamos porém, que tanto o usuário leigo quanto o fotógrafo mais experiente poderá ter que passar por um processo de aprendizado (normalmente baseado em tentativa e erro) para dominar todas as peculiaridades e manhas da fotografia analógica/instantânea, principalmente no que se refere a estimar a distância correta de foco e se será necessário ou não compensar a exposição, técnicas por sinal que muitos fotógrafos que só viveram a era das câmeras auto-tudo nunca pensaram que precisariam dominar.

Assim, a instax WIDE 300 poderia ser até considerada um produto de nicho, mas preferimos evitar esse termo já que ao usá-lo podemos passar a falsa sensação de que se trata de um produto complexo, inacessível ou que só atrairia o interesse um número limitado de consumidores.

Honestamente, não acreditamos que isso seja o caso da WIDE 300, já que se o usuário tiver conhecimento das suas vantagens, limitações e estiver disposto a bancar os seus custos, trata-se de uma câmera fácil de usar, super-divertida e isso sem falar na sensação de “gratificação instantânea” que também é algo super bacana né?

Mais informações aqui.

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • dflopes 29/04/2015, 14:21

    Sendo redundante, excelente análise.
    Nagano San, quando vc fala “Polaroid já não produz câmeras instantâneas desde 2007 e film-packs desde 2009”, e a Polaroid Z2300?

    Até gostaria de comprar uma dessas, mas sabendo que meus filhos vão acabar esse pack em 2min, é melhor esperar eles crescerem.

    • Mario Nagano 29/04/2015, 15:39

      A Z2300 é uma câmera digital que incorpora uma mini-impressora térmica com tecnologia Zero Ink ou ZINK (http://goo.gl/7wrhcs) que nada tem a ver com o sistema químico e analógico da Polaroid/Instax.

      De fato também recebi da Fuji para testes a instax SHARE, aquela impressorinha que gera fotos em filme instax mini a partir de imagens enviadas do smartphone.

      Hands-on em breve.

      • dflopes 29/04/2015, 15:50

        na espera.
        Decidindo se compro essa impressora, pois as crianças podem tirar fotos com o smart e selecionar o que imprimir…
        MAs o preçinho. ¬¬’

        • Mario Nagano 07/05/2015, 08:26

          Review no ar:

          http://www.ztop.com.br/review-fujifilm-instax-share-sp-1/

          Dica: Se vc realmente quiser comprar ela no site da Fuji com o preço velho, melhor correr já que a previsão é que ele aumente (beem) de preço (de ~R$ 800 para ~R$ 1.250) depois do dia das mães.

  • gordon 01/05/2015, 15:19

    You can hack your instax to do cool stuff. http://believeinfilm.com/article/hack-your-fuji-instax