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Hands-on: Fujifilm Finepix X10

Com a nova Finepix X10, a Fujifilm expande sua linha de câmeras premium, agora com um modelo menor, mais em conta e equipado com lente zoom de 4x (oba!)

Estava eu aqui na Zumo-caverna pensando em maldades quando chegou uma sacolinha da Fujifilm Brasil, com isso aqui dentro dela:

Anunciada no início do mês passado, a Finepix X10 é o mais novo membro de uma família de câmeras premium da Fujifilm iniciada com a X100 (embaixo, que já testamos aqui no ZTOP) e que, reza a lenda, roubou o show durante a Photokina 2010 com sua combinação de sensor APS-C de DSLR, objetiva luminosa (F2.0), visor híbrido (digital e analógico) e tudo embalado dentro de um corpo de liga de magnésio com design retrô, bem ao estilo dos anos 1950~70.

De um certo modo, a X10 segue essa mesma filosofia, apesar que entendemos que a X10 é um animal diferente, por não ser apenas uma X100 melhorada e sim um produto que incorpora novas ideias e recursos que proporcionam uma experiência de uso completamente nova.

Entre os acessórios inclusos estão a bateria e seu respectivo recarregador, cabo USB, correia de couro, kit de fixação (argolas e protetores de couro + ferramenta de instalação), tampa da lente e certificado de garantia. Segundo informações impressas da caixa, entre os itens ausentes estão o CD com drivers e utilitários e o manual do usuário (em português), que devem estar disponíveis do seu lançamento no Brasil.

Entre eles, o que mais me chamou mais a atenção foi sua ferramenta de instalação da argola da correia que serve para abri-la, facilitando a sua instalação na câmera, além de impedir que algumas unhas se quebrem durante o processo.

Entre os acessórios opcionais já anunciados pela fabricante estão a capa protetora de couro modelo LC-X10 que no Brasil só estará disponível na cor preta:

… e um parassol de metal modelo LH-X10. Segundo o manual de instruções, esse acessório é formado por duas peças, um anel adaptador e o parassol propriamente dito. Assim é possível desrosquear essa peça do anel e instalar um filtro de 52 mm. Feito isso é possível rosquear o parassol de volta. Note que o elemento frontal da objetiva não gira durante o foco o que permite o uso de filtros polarizadores do tipo linear.

Medindo apenas 11,7 x 6,9 x 5,6 cm (LxAxP) e 362 gramas de peso (com bateria, tampa de lente e cartão de memória), a Finepix X10 é ligeriamente menor e mais leve que a X100. E assim como sua irmã mais velha, ela é fabricada no Japão e construída toda em metal, com sua base e cobertura feitas em liga de magnésio pintada de preto, um tom que no passado era muitas vezes reservada para os modelos voltados para profissionais e de fotojornalistas — por ser mais discreto e não chamar muita atenção no meio do público equipado com suas câmeras com acabamento em prata.

Quando desligada, a X10 forma um conjunto bastante compacto, mas não o suficiente para entrar em um bolso de camisa. Entretanto ela é pequena o suficiente para ser facilmente carregada dentro um bolso de casaco/jaqueta ou dentro de uma bolsa sem ocupar muito espaço.

A tampa da lente possui suas partes internas protegidas por uma uma camada de feltro, o que ajuda a mantê-la firme no lugar, pois se encaixa por meio de pressão.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção na X10 é o quanto ela… não chama a atenção. De fato, ela é tão discreta que alguns poderão até achá-la meio sem graça, principalmente se olhada de frente com seu visual limpo e nenhuma indicação de marca ou modelo.

Quando desligada, acredito que a X10 passaria facilmente por uma máquina de filme ou mesmo uma Toy Camera, o que pode ser algo muito interessante para aqueles que têm medo de andar com uma câmera na rua.

Tanto as dimensões quanto o estilo visual da X10 podem ser facilmente notadas quando a colocamos ao lado de outras câmeras do passado, como a Fujica Compact Deluxe (1967):

… ou a Agfa Optima Sensor (1982):

Se comparada com câmeras mais recentes, a X10 consegue ser menor que, por exemplo, a Lumix GF1 da Panasonic.

Mas o que me chamou realmente a atenção é como a X10 se parece com a PowerShot G10 da Canon, nem tanto na aparência e sim no seu “espírito”.

Note que apesar dos seus elementos externos como o visor, dials e botões estarem em locais ligeiramente diferentes, eles realizam praticamente as mesmas funções:

Isso de um certo modo nos sinaliza que o público-alvo da X10 deve ser o mesmo que hoje se interessa por uma PowerShot G12 ou suas concorrentes como a Nikon P7000, Olympus ZX-1 ou mesmo a Lumix LX5, que quer uma câmera compacta com lente zoom fixa, capaz de oferecer excelente qualidade de imagem e equipada com recursos e controles externos semelhantes aos encontradas nas DSLRs.

Mas, aparências à parte, uma coisa que diferencia a X10 das suas concorrentes é o controle da sua lente zoom. Não é motorizado, e sim manual  — algo raro em uma compacta de lente fixa.

Interessante notar que a Fuji incorporou a chave de liga/desliga ao anel de controle do zoom. A câmera fica desligada quando a lente está na sua posição de repouso.

Assim, ao girar o anel para a direita (sentido anti-horário) e colocado zoom na posição de 28 mm a câmera liga, ficando pronta para uso. Simples e genial. Depois de algum tempo sem uso, a câmera entra em um estado de dormência e para ligá-la basta pressionar o botão de disparo por um segundo até acordá-la. E assim com a X100 todos os controles tem um movimento firme e preciso e que passa a agradável sensação de estarmos manipulando um instrumento de precisão do passado e não um equipamento eletrônico.

Apesar de seu corpo principal ser relativamente delgado, a Fuji incorporou nele um engenhoso ponto de apoio de borracha para o polegar…

… e uma leve saliência (grip) no lado esquerdo da câmera.

Isso permite segurar a câmera com uma certa firmeza, permitindo até operá-la — focar e bater a foto — com apenas uma mão.

Apesar de que o ideal é que o usuário utilize as duas mãos para operá-la com mais segurança, além de sempre usá-la com a correia inclusa ou adaptar uma para o pulso.

Se comparada com a X100, a grande novidade da X10 é o fato dela vir equipada com uma lente zoom Fujinon Super EBC de 7.1~28.4 mm/F 2.0~2.8, equivalente de uma lente zoom de 4x (28~112 mm) em sistemas 35 mm.

Trata-se de uma lente bastante versátil, já que ela pode ser usada tanto para fotografar paisagens, fotos de grupos além de detalhes e fotos de rosto incluindo com efeito de desfoque de fundo (bokeh) graças à luminosidade da sua lente (F 2.0~2.8), que também permite fotografar em locais mal-iluminados, incluindo cenas noturnas até mesmo sem usar flash.


Segundo a Fuji, essa lente é formada por 11 elementos — sendo três delas do tipo aesférica (Aspherical) e duas do tipo ED (extra dispersion) — arranjados em 9 grupos, sendo que o conjunto traseiro possui um sistema ativo de estabilização de imagem (lens shift — yaaay!), recurso que não existe na X100. Em contrapartida, seu diafragma utiliza apenas sete lâminas, contra nove da irmã mais velha.

Interessante notar que, para simplificar as coisas para o usuário, a Fuji decidiu utilizar a mesma escala de distâncias focais usada nas câmeras 35 mm. Pode até ser que nem seja tecnicamente correto, mas é algo simples, intuitivo e que elimina o trabalho de ficar calculando fator de corte e coisas do tipo.

Outra característica muito bem vinda na X10 é o fato da frente da sua objetiva vir equipada com uma rosca cujo diâmetro interno é de  40 mm. O estranho é que não encontrei em nenhum lugar (incluindo o manual do usuário) qual o diâmetro exato dessa rosca – talvez por isso a indicação do uso do parassol LH-X10.

Atualização (25/10): Acabei de receber uma resposta do Sr. Tomohide Yazawa da divisão de marketing da Fujifilm do Japão que nos esclareceu que essa rosca interna é realmente de 40 mm, medida que não é compatível com nenhum filtro padrão do mercado ou seja, para se usar filtros na X10, só via adaptador LH-X10 e na medida de 52 mm.

… e falando em melhorias — ou, mais exatamente, correções — em relação ao desenho da X100, houve a mudança da posição do seletor de modo de foco (manual, autofoco simples ou contínuo), que saiu da lateral direita (um lugar onde todo mundo colocava a mão e poderia mudar a chave de posição) para a frente da câmera. O legal é que esse controle deixou de ser deslizante para se tornar giratório, dificultando ainda mais o seu movimento indesejado.

O que não mudou foram os microfones estéreo que continuam no painel frontal, à esquerda da janela do visor.

Logo abaixo dele, fica um LED que emite uma luz branca…

… que ajuda a câmera a focar a cena em locais pouco iluminados.

Com relação ao sensor de imagem, ao contrário da X100 que adotou um generoso sensor APS-C (22,2 x 14,8 mm) de 12 megapixels, a X10 utiliza um sensor EXR menor de 2/3″ (~8,8 x 6,6 mm) também de 12 megapixels.  Sua área de captura de imagem é quase 2,5 vezes maior que os de 1/2″ (6,4 x 4,8 mm) muito usado em câmeras compactas, como a FinePix F600 EXR ou a F500 EXR, ambas por sinal com resolução de 16 megapixels.

Isso pode até parecer estranho, mas a idéia aqui é que, com menos pontos divididos em uma maior área, teremos pontos — ou mais exatamente foto-sensores — mais sensíveis e capazes de capturar a luz de maneira mais eficiente. Algo como coletar gotas de chuva ( = luz) com uma bacia em vez de uma xícara de café.

Isso no final das contas resulta num sensor de imagem capaz de capturar imagens em ambientes com pouquíssima luz. O processador interno é o EXR, um chip dual-core que seria do mesmo tipo usado na X100 porém com um desempenho menor porém capaz de realizar plenamente todas as demandas da X10 como remover olhos vermelhos, processar panoramas, capturar vídeos em Full-HD etc.

 

A X10 captura imagens de até 4.000 x 3.000 pixels na proporção 4:3 ou menores no formato 3:2, 16:9 e 1:1 e panoramas de até 360°, tanto na vertical quanto na horizontal. No modo filmagem a câmera grava vídeos em 1.080p, 720p, VGA a 30 qps no formato H.264/mov em estéreo.

Interessante notar que a X10 pode trabalhar com níveis de ISO bastante elevados como ISO 1.600, 2.000, 2.500, 3.200, 4.000, 5.000, 6.400 e 12.800, mas para isso, o sensor de imagem limita automaticamente a sua resolução máxima — aumentando assim o número de foto-sensores usados para capturar um ponto de imagem — aumentando significativamente a sua sensibilidade sem comprometer a qualidade de imagem:

Isso fica claro em alguns modos de uso da câmera que desabilita automaticamente os modos de resolução mais altos (L) em alguns modos mais avançados:

Curiosamente, o modo de filmagem da X10 ainda possui a capacidade de gravar clipes de 30 segundos em alta velocidade, que depois podem ser usadas em efeitos de câmera lenta:

O problema porém é que nesses modos, a câmera só trabalha com baixas resoluções como 640 x 480 pixels  a 70 qps…


320 x 240 pixels a 120 qps:

E 320 x 112 pixels a 200 qps:

De volta para fora da câmera, é olhando de cima que podemos ver como o corpo principal da X10 é delgado (apenas ~3,6 cm de espessura). Note que ao contrário da X100 que vinha equipada com um sistema de disco de velocidade e anel de abertura, a X10 adota uma solução mais convencional — porém não menos elegante — que é o seletor de modos de operação, um sistema muito usado em DSLRs e que muitos usuários já estão bem familiarizados.

No canto direito concentram-se a maioria dos controles: à partir da esquerda vemos o seletor de modo de operação, o botão de disparo, o compensador de exposição (+/- 2 pontos) e a tecla de Fn que pode ser programada para executar uma função determinada pelo usuário.

E assim como a X100, seu botão de disparo possui um encaixe para cabo disparador mecânico, que pode ser usado em junto com o tripé para longas exposições:

Outra sacada interessante é a existência de uma luz de confirmação de foco bem ao lado do visor óptico. Essa luz também pisca na cor laranja para indicar que a câmera está processando uma imagem ou acessando o sistema de armazenamento.

Do outro lado podemos ver o compartimento do flash embutido e a sapata para o flash externo. Note que a saída do visor óptico não está alinhado com a ocular (mais detalhes sobre isso mais adiante).

Para acionar o flash embutido é necessário puxar essa pequena alavanca para baixo…

… o que faz com que o flash salte do seu esconderijo.

Apesar da sua aparência modesta, esse flash possui um alcance até que bem razoável — de 0,5 até 7 metros — isso graças a sua lente luminosa e um ISO relativamente alto (800).

Apesar disso acreditamos que esse flash deva ser usado mais como luz de preenchimento ou um recurso de contingência, já que a câmera tem uma sapata para flash externo. A Fuji oferece dois modelos originalmente lançados com a X100: os modelos EF-42 e EF-20, aparentemente um OEM da Sunpak. A propósito, o modelo abaixo não é um EF-20, e sim um Sunpak RD-2000 que instalei na X10 só pra ver como ele ficava:


A parte de trás da câmera concentra-se a maioria dos controles, a maioria usada para configurações, revisar e gerenciar as fotos e fazer alguns ajustes secundários. No geral, o layout dos controles é praticamente o mesmo da X100, com exceção do botão de balanço de branco (WB) que entrou no lugar do View Mode da X100. Com isso, a Fuji ganhou espaço para colocar o comando do timer do disparador (2 ou 10 segundos) na parte inferior do disco de navegação.

A grande novidade é o novo botão de jog, que deixou de ser aquele modelo que você só puxa para os lados para se tornar um disco que gira livremente para ambos os lados, acelerando o processo de localizar e selecionar as opções desejadas.

Interessante notar que essa rodinha pode funcionar junto com o anel giratório que circunda o botão de navegação presente na parte central da câmera. Assim, por exemplo, nos modos de prioridade de velocidade (S) ou de abertura (A), tanto um quanto o outro pode ser usado para selecionar a velocidade/abertura, enquanto que no modo totalmente manual (M) a rodinha é usada para selecionar a abertura, e o disco, a velocidade. Curiosamente, as Olympus Pen Digital modelos E-P1/E-P2/E-P3 funcionam de maneira semelhante.

Para quem não estiver acostumado, o uso desse anel pode ser meio complicado, já que como ele é fino ele existe a tendência dele escorregar caso você tente mexer nele pressionando com a base do polegar. A melhor solução besse caso é encaixar a ponta da unha nos ressaltos do anel e girá-lo para a posição desejada. Vale a pena observar que esse anel também serve para ajustar manualmente o foco da lente (MF) caso o usuário opte por desativar o modo de foco automático (AF-S/AF-C).

No lado esquerdo encontramos os botões de rever imagens, modo de fotometria (AE), zona de foco (AF) e balaço de branco (WB). Cuidado para não confundir AE e AF com o controle de trava de exposição/foco (AEL/AFL) localizado do lado direito da câmera.  Ao contrário do que esperávamos, no modo de reprodução o disco de jog não é usado para controlar o zoom na imagem. Como na X100, esse papel continua a ser dos botões de AE (zoom +) e AF (zoom -). Note que o visor óptico possui ajuste de dioptria ( -3.5  ~ +1.5 )

Sua tela LCD TFT é de 2,8″ com resolução de 460 mil pontos no formato 4:3. Aparentemente, é a mesma usada na X100.

A maioria dos ícones e informações que podem aparecer na tela podem ser vistas no diagrama abaixo:

Talvez o ponto mais polêmico da X10 é o fato dela não vir com o engenhoso visor híbrido, que deixou muita gente de queixo caído (incluindo o editor de testes deste ZTOP).

No seu lugar a Fuji optou por utilizar um visor totalmente óptico com zoom integrado que utiliza três lentes aesféricas e dois prismas de cristal óptico.

Segundo a fabricante, o uso desse sistema óptico resultou em um visor maior e bem mais brilhante (A) que soluções semelhantes encontradas na concorrência (B). A Fuji informa que o ângulo de visão do seu visor é de 20° e a área de visão é de 85%: o que você vê no visor é 15% a menos do que será capturado pela câmera.

O que pudemos ver é que a imagem produzida por esse visor é realmente grande, luminoso, super confortável (mesmo para quem usa óculos) e sua imagem é bem mais nítida do que pudemos capturar com nossa câmera. E como esse visor está mecanicamente acoplado com a lente, o enquadramento do visor acompanha o movimento do zoom. Entretanto, observamos alguns problemas como a presença de algumas aberrações cromáticas nas beiradas da imagem e a visão da lente que bloqueia parte da cena modo grande angular (embaixo).

Além disso a imagem do visor é totalmente limpa ou seja, nada de linhas de enquadramento, ponto de foco, quadro de compensação de paralaxe (muito importante no modo macro) e nenhuma informação de velocidade/abertura dentro dele.

Na nossa opinião, respeitando os seus limites, o visor óptico funciona — e muito bem diga-se de passagem — principalmente se comparado com alguns visores da concorrência que produzem um curioso efeito túnel, como se estivéssemos numa sala de cinema com a tela ao fundo:

Vale a pena observar que de modo algum esse visor substitui a tela LCD quando o assunto é enquadrar uma imagem com precisão. Assim acreditamos que o visor óptico deve ser usado mais em situações onde é difícil trabalhar com a tela LCD — em especial em ambientes abertos sob sol forte. De um certo modo — à medida que as pessoas se acostumam cada vez mais a bater foto com a câmera longe da cara — o visor óptico tem cada vez menos importância, o que nos leva a acreditar que a Fuji pode ter levado isso em consideração na hora de definir esse projeto.

Na lateral esquerda da câmera, existe um pequeno compartimento protegido por uma capinha de plástico…

… que dá acesso as portas HDMI mini e a um conector de desenho proprietário (boo!) que combina vídeo analógico e USB 2.0 (Hi-Speed).

Já na base da câmera podemos ver (a partir da esquerda) o acesso ao compartimento da bateria/cartão SD, o seu alto-falante mono e o encaixe do tripé de 1/4″ que, por sinal, não está alinhado com o eixo da objetiva.

O pessoal do DPreview adora tirar o couro das câmeras com esse ponto de fixação fora de centro, afirmando que isso dificulta o usuário interessado em fazer fotos panorâmicas com tripé.  Nisso eles têm razão, mas notamos que essa decisão também tem lá suas vantagens já que facilita o acesso ao compartimento da bateria/cartão de memória mesmo com a câmera montada no tripé.

A X10 possui uma memória interna de ~ 26 MB e seu slot para cartão de memória é compatível com os padrões SD, MMC, SDHC e SDXC. Uma tabela que relaciona tamanho do cartão x número de imagens pode ser encontrada aqui.

A bateria usada na X10 é uma NP-50 de íons de lítio e autonomia estimada de ~270 fotos com LCD ligado e no modo AUTO ou ~640 fotos com o LCD desligado (segundo o padrão CIPA).

O carregador que acompanhou nossa câmera é um modelo BC-45W e é daquele tipo que possui um plug padrão japonês/americano montado diretamente no bloco transformador. Essa pode não ser a versão final a ser distribuída por aqui, a não ser que venha com um adaptador compatível com o padrão nacional.

O mais curioso desse acessório é o fato de ser compatível com dois tipos de baterias da Fuji —  a NP-50 e a NP-45. Entretanto, pelo que pudemos levantar, esta última não é compatível com a X10 nem com a X100 (que usa uma NP-95). Isso nos leva a crer que esse carregador faça parte de alguma estratégia da Fuji de padronizar seu carregador e fazer com que o mesmo produto possa atender a mais câmeras.

Fotografando com a X10

Devido ao pouco tempo que ficamos com a câmera, não pudemos explorar todos os recursos da X10 que, por sinal, não são poucos.

Tome como exemplo o seletor de modos do X10 que, além dos tradicionais modos de Programa (P), Prioridade de Abertura (A), Prioridade de Velocidade (S), totalmente Manual (M), dois modos pré-configurados  pelo usuário (C1 e C2) e Gravação de Vídeo (que agora fica bem mais à vista que na X100), oferece novos modos como o EXR, Camerazinha, Adv. e SP.

Pelo que deu para entender o ícone da câmerazinha (AUTO) é um modo totalmente automático (semelhante ao iA da Panasonic Lumix ou o green zone/Auto da Canon) voltado para amadores, enquanto que o SP (Scene Position) representa os modos pré-programados de cena (Paisagem, esportes, pôr-do-sol etc.) Já o modo EXR tira proveito do conjunto da lente + sensor + processador de imagem para melhorar a qualidade de imagem automaticamente, enquanto que  o modo Adv. Advanced explora outras técnicas ainda mais avançadas e bem na moda nos dias de hoje, como o HDR.

No geral o modo de operar a câmera é praticamente o mesmo da X100, e encontramos recursos semelhantes como os modos de cores com nomes de filmes da empresa (Provia, Velvia, Astia)  modos de preto-e branco com simulação de filtros coloridos (amarelo, verde e vermelho), sistema de detecção e reconhecimento de rostos, modos de focagem etc.

No modo Programa (P) e selecionado o modo Velvia (o meu favorito) as imagens da X10 são de ótima qualidade com cores agradáveis e bom nível de detalhamento, o que era de se esperar de uma câmera para entusiastas. A imagem abaixo mostra a imagem capturada no modo grande angular (28 mm).

… e aqui no modo tele (118 mm):

Interessante notar que a X10 possui um modo de zoom digital que amplia a distância focal em 2x tanto no modo grande angular…

quanto no modo tele:

Fora isso essa objetiva também trabalha no modo macro, cuja distância mínima de foco varia de 10 cm  na posição de 28 mm até 50 cm na posição de 112 mm.

Fora isso, ela possui um modo Super-Macro que só funciona com a lente na posição de 28 mm e permite distância mínimas de até 1 cm.

Detalhe da imagem acima em 100% sem retoques:

Outro exemplo de Super Macro mostrando o efeito de desfoque (bokeh) ao seu redor:

Detalhe da imagem acima em 100% sem retoques:

Entretanto, nada nos impressionou mais nessa câmera do que sua capacidade de capturar imagens em condições baixíssimas de iluminação. No exemplo abaixo eu coloquei a câmera no modo Adv. e selecionei a opção Pro-Low Light e fiz a foto abaixo em um ambiente de total penumbra e sem usar o flash.

E o resultado foi esse com exposição de 1/38 s com f 2.2 e ISO 2.000:

Detalhe em 100% da imagem original e sem retoques. Note o baixíssimo nível de ruído mesmo com ISO 2.000:

Vale a pena observar que a câmera possui um modo específico para capturar imagens em HDR tirando três fotos e processando-as numa única imagem e que seu uso em algumas situações podem levar a resultados inesperados. Por exemplo: na imagem abaixo — que tirei para analisar o efeito de desfoque de fundo (bokeh) — eu acidentalmente deixei esse modo de HDR ligado e a câmera sempre batia três fotos. O resultado final, me pareceu muito ruim…

… já que além de meio desfocada, nela também surgiu uma curiosa sombra ao redor de algumas folhas:

Foi só depois de caiu a ficha, já que como nesse dia estava ventando um pouco, a planta deve ter se movido durante as três exposições, de modo que o processador de imagem fez o que pode para gerar uma imagem decente, o que deixa claro que esse modo não deve ser usada em cenas de ação. Moral da história: a câmera pode até fazer muita coisa, mas ela ainda não opera milagres.

Finalmente, temos abaixo um exemplo de gravação de vídeo em full HD 1080p:

Nossas impressões:

Na época em que testei a Finepix X100, percebi que a Fuji estava entrando de cabeça em um nicho de mercado em que ela pouco deu as caras — e quando se decidiu, o fez em grande estilo e da maneira mais barulhenta possível, com um produto genial de tecnologia ímpar que chamou a atenção de muita gente do mercado para a empresa com nome de monte.

Sob esse ponto de vista, a X100 cumpriu muito bem o seu papel de chamar a atenção para si, mas depois que ela chegou nas mãos dos consumidores, pudemos notar que como todo novo produto ainda na sua versão 1.0 ela ainda não estava realmente redonda, carregada com um firmware meio excêntrico e algumas decisões de concepção e design igualmente estranhas, como dispensar a tecnologia de estabilização de imagem, esconder a função de filmar dentro de um menu interno e uma estratégia de acessórios que obriga o usuário a gastar dinheiro com um anel adaptador para rosquear um filtro na sua lente. E com o preço sugerido de US$ 1.500 nos EUA e R$ 5 mil no Brasil, ela não pode ser considerada um equipamento barato, mesmo para os padrões americanos.

Com a chegada da X10, vemos que a Fuji aprendeu bastante com a experiência da X100, ouviu a choradeira do público e trouxe para o mercado um produto que traz o novo DNA da empresa mas que, ao mesmo tempo, está mais em sintonia com desejos do consumidor, incluindo no que se refere ao preço — US$ 600 nos EUA. No Brasil, a X10 será vendida pelo preço sugerido de R$ 2.999.

Para mim está claro que, ao contrário do que imaginávamos, a X10 não é um modelo acima da X100, e sim um modelo abaixo e mais em conta, o que vai de encontro com o que ouvimos dos executivos da Fuji durante a última Photo Image Brasil de que a X100 cresça para uma família de produtos . O interessante é que a com a X10 fica claro que os entre os futuros modelos que se posicionarão o acima da X100 haverá um modelo com lente intercambiável, que a empresa já confirmou o seu lançamento para fevereiro de 2012. Mas Antes disso em janeiro de 2012 (= CES?) haverá o lançamento da Finepix X-S1, uma super-zoom com lente Fujinon de 26x (24~624 mm equiv.) e equipado com o mesmo sensor de 12 MP e processador EXR da X10.

E como comentamos no início desse post, acreditamos que o público alvo da X10 é o mesmo que compraria hoje uma câmera compacta avançada como a Canon PowerShot G12, Nikon Coolpix P7000/7100, Olympus ZX-1, a Lumix LX5 ou até mesmo sua prima rica, a Leica D-Lux 5. E o interessante é que a Finepix X10 tem condições de bater de frente com todas elas e até conquistar alguns corações e mentes nesse meio.

Para mim o grande destaque da X10 fica por conta do conjunto objetiva zoom + sensor + processador de imagem que entregou resultados muito interessantes, principalmente quando trabalhou ambientes com iluminação complicada ou mesmo quase ausente. Some-se a isso a adição de um estabilizador de imagem mecânico (e não eletrônico) e temos assim um câmera muito atraente para os amantes da luz natural e das cenas noturnas. Mesmo equipado com um sensor menor de 2/3″ (contra o APS-C da X100), os resultados nos pareceram muito bons para um equipamento do seu porte.

Entretanto, para tirar proveito desses recursos notamos que a Fuji equipou sua câmera com tantos modos de uso — muitos deles bem sofisticados e/ou pouco intuitivos como o EXR e o Adv. — o que faz com que o usuário corra o risco de ser perder no meio de tantas combinações de opções e ajustes finos, o que pode ser o “nerdvana” para os entusiastas ou um tormento para os que querem apenas fazer uma boa foto. De um certo modo, esse último tem um porto seguro no modo “Camerazinha”, mas seria uma vergonha ele não poder explorar tantos recursos interessantes que estão disponíveis a apenas um clique acima ou abaixo do seletor de modo.

Com relação à sua ergonomia, se lembrarmos que ela foi inspirada em modelos bolados numa época em que isso não era levado muito em conta, no geral achamos que a Fuji fez um bom trabalho para uma câmera desse porte, tentando casar as linhas retas de uma câmera clássica com um bom ponto de apoio para o polegar e curvas discretas que, de algum modo, melhoram a sua pegada. Nossa única reserva fica por conta do seu anel giratório que circunda o botão de navegação. Por ser relativamente fino ele é um pouco difícil de ser operado, principalmente no modo de foco manual quando temos que dar muitas voltas nele, escorregando o dedo ou mesmo ativando funções indesejadas nesse processo.

Fora isso alguns podem até questionar a ausência do visor híbrido mas até onde entendo, a implementação de um visor desse tipo numa câmera com zoom, além de ser algo realmente complexo,  poderia aumentar o consideravelmente o custo de um produto cujo preço deveria ficar em torno de US$ 500. Assim restaram duas opções para a empresa: um visor totalmente eletrônico que sairia até barato, mas não seria nada que chamasse a atenção do usuário, ou o visor totalmente óptico que, apesar de alguns inconvenientes (como a falta de informações no visor e de correção de paralaxe, além da aparição da lente no modo grande angular) é na nossa opinião um visor grande, luminoso e de uso bastante confortável, principalmente se compararmos com alguns concorrentes cujo o visor só existe aparentemente para cumprir tabela e não para ser realmente usado.

Nossa única decepção com essa câmera fica por conta da frente da sua objetiva cuja rosca de 40 mm não aceita filtros padrão de mercado, sendo para isso necessário utilizar um acessório opcional LH-X10 que aceita a instalação de filtros de 52 mm. Não sei se existe algum motivo em especial — além de faturar algum dinheiro a mais com acessórios — que justifique tal decisão, mas já que ela existe eu acharia que pelo menos a Fuji poderia desenvolver um filtro protetor com rosca de 40 mm, impedindo assim que o usuário se preocupe em sujar/danificar/carimbar com o dedo o elemento frontal da sua preciosa câmera.

Apesar disso, nossa impressão inicial da X10 é bastante positiva e acreditamos que a Fujifilm tem em mãos um produto muito interessante, e se eles souberem vender bem esse peixe eles irão dar bastante trabalho para a concorrência.

So be it.

 

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • José Maurício 24/10/2011, 16:16

    Não conhecia o ZTOP e gostei muito da análise da Fuji X-10. Como sou um fotógrafo amador modelo anos 70, adorei a câmera retrô.

  • Leo Hegg. 24/10/2011, 16:30

    E o preco dela no Brasil? Ja foi divulgado?

    • mnagano 25/10/2011, 08:10

      No Brasil R$ 2.999 (+ capa de couro de brinde) com previsão de chegar ao mercado no final de novembro.

      Durante a coletiva, a Fuji disse que está pensando em criar um programa que facilite a venda (desconto/parcelamento) para grupos de interesse como a ABRAF. Mas isso ainda não foi anunciado.

      De resto, não existem planos de baixar o preço da X100 (R$ 4.999)

  • JoaoPaesN 24/10/2011, 22:24

    Pena que vai ser bizarramente caro 🙁

  • Rogério 25/10/2011, 13:04

    Bela câmera e excelente review. Já conhecia o site, mas o visitava esporadicamente. Cheguei a esse review através do Gizmodo.

  • edu 25/10/2011, 13:48

    Prezado Mário Nagano,
    seu (excelente, por sinal) "hands-on" está sendo elogiado no fórum Fuji do DPreview. (http://forums.dpreview.com/forums/readflat.asp?forum=1012&thread=39676331).
    Eu sugeriria que vc entrasse lá e aproveitasse p/ esclarecer uns pontos obscuros, tipo a tradução automática pelo google, "Fuji realized that was going to head in a niche market in which she gave the little guys", e o entendimento lá de que vc acha a X-10 cara, qdo. na verdade vc estava comparando c/ a X-100.
    Parabéns,
    –edu tanaka

  • edu 25/10/2011, 15:29

    Do tópico DPReview dito acima: "O review dá mesmo uma boa noção dos detalhes da câmera, de um jeito que o DPR podia aprender."
    Que moral, hein? Merecida. O link clicável (parêntesis são problema aí) é: http://forums.dpreview.com/forums/readflat.asp?fo
    –edu tanaka

    • mnagano 25/10/2011, 16:12

      Uia meu, que chique.

      Brigadão pelo toque Edu.

  • edu 25/10/2011, 17:28

    Não há do quê, o mérito é seu. Tem muito hands-on X-10 por aí, mas nenhum tão abrangente, e é isso que fujiófilos mundo afora notaram. Agora, tem uma coisinha que vc podia fazer p/ me deixar contente: NÃO arrancar os tags exif dos arqs jpeg de amostra. Já que essas fotos são p/ dar ideia do que esperar da câmera, os dados da captura da imagem são importantes p/ interpretá-las nesse contexto. No mesmo forum Fuji, um exemplo de como isso pode ficar interessante… ( http://forums.dpreview.com/forums/readflat.asp?fo
    ). Aliás, por coincidência, anteontem eu tinha postado lá mesmo sobre como tirar mais informações dos EXIF das máquinas Fuji c/ sensor EXR ( http://forums.dpreview.com/forums/read.asp?forum=… ).
    Claro, tô ligado que ZTOP não é especializado em fotografia e boa parte de seu público também não é. Mas, como ficou patente que vc é um sujeito que gosta e que manja de fotografia… 😉

  • Carlos 26/10/2011, 12:56

    Como o fotografo sabe qual o ponto de foco que a X10 escolheu para a foto, se nao ha indicacao alguma no visor otico? Eh meio que na sorte ou da pra saber com precisao o ponto de foco?

    • mnagano 26/10/2011, 20:16

      Nope, a única indicação que existe é a da luz do LED do lado do visor e o seu "beep" característico.

      O que pode ser feito é fixar o ponto de foco no centro da imagem e usar isso como referência.

    • edu tanaka 26/10/2011, 22:06

      O visor óptico, nesses casos, não serve de telêmetro (tipo Leica M9 e a Fujica mostrada acima). É um AUXILIAR da familiar telinha de LCD, e serve p/ propiciar:
      1. Aquele charme retrô;
      2. Visibilidade mesmo quando o sol bate direto na nuca do foitógrafo;
      3. Estabilidade mecânica — vc ganha um ponto extra de apoio da câmera num eixo longitudinal , i.e. o próprio rosto. Compare com esticar os braços p/ ver o LCD.
      3. Composição em tempo realmente real– vc se sente literalmente vendo a cena c/ os dois olhos, um ao ar livre e outro no visor, sem atrasos de digitalização/rasterização e sem algoritmos funicados de ganho de brilho p/ a imagem do LCD. Isso dá mais condição de se sentir imerso no que acontece na sua frente ou, em outras palavras, de incorporar a câmera como extensão natural da vista. (Mas isso é mais mania de fotógrafo de rua, tipo aquele HCB que morreu faz 7 anos sem deixar lá tanta coisa em foco perfeito.)
      Sim, tem desvantagens de tamanho, peso e, óbvio, custo. Ainda mais c/ 2 prismas e zoom atracado ao da objetiva. Mas notemos que o reviewer fez uma distinção bem lembrada entre o visor da X-10 e outros (à la Canon G12 e Nikon P7100), que basicamente o fabricante enfiou “só pra constar”.
      (Tudo bem que o visor tipo HUD da X-100 já é OUTRA história…)

      • Carlos 27/10/2011, 06:33

        é, só testando para saber….
        Vou aguardar o lançamento para ver se o uso constante do visor ótico, ao inves do LCD, é algo realmente prático e preciso na X10. Tenho uma X100 e o visor ótico é realmente preciso.

  • Ron Slovikoski 03/11/2011, 17:52

    I would love to buy that adjust a wrist strap you reference here but can't find it anywhere.
    Would you please provide a reference where I can find it?
    Thank you so much,
    Ron

    • mnagano 03/11/2011, 18:06

      Hi Ron,

      That strap came with my Canon WP-DC22 Waterproof Case. Therefore, I’m not certain where you can find one.

  • Daniel 10/12/2011, 19:22

    A camera tem lag quando é apertado o disparador?

  • Akira 12/06/2012, 10:31

    Tenho lido vários reviews sobre a fujix10, e desse site é o que mais gostei, muito completo, leitura suave.. virei fã !

  • Fábio Toledo 22/09/2015, 10:32

    Olá. Comprei minha camera X10 baseado nesse review (muito bom por sinal). Gostei muito dela e, além de suas qualidades técnicas, saber que ela é vendida oficialmente no brasil foi um alento. Contudo, ela parou de funcionar, levei na autorizada e eles disseram que a fujifilm não supre mais peças para essa câmera. Não acredito que a resposta para um cliente americano ou japonês seja a mesmo, “não temos a peça”. Acho que seria interessante adicionar esse item nos próximos reviews, “por quanto tempo você tem peças de reparo aqui no Brasil”.