Hands-on com o eeePC

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O ASUS eeePC (compare o tamanho com o CD ao lado)

Acabo de voltar de um animado papo com Don Shieh, gerente geral de vendas da ASUS na América Latina, e Rodrigo Tamellini, da ASUS aqui no Brasil, onde tive a oportunidade de brincar com um eeePC e conhecer um pouco mais sobre o projeto.

Em primeiro lugar, o nome: tem gente lá fora, na imprensa norte-americana, chamado a máquina de “e3PC”. Está errado. A pronúncia é eee mesmo, com um ‘e’ longo. Os três ‘e’ representam a missão da máquina: Easy to Work, Easy to Learn e Easy to Play.

O ASUS eeePC sobre um notebook com tela de 12″Sabemos que ele é pequeno, mas só vendo de perto para ter uma boa noção de quão pequeno. Basta prestar atenção à  foto ao lado: não parece, mas o eeePC está apoiado sobre um outro notebook da ASUS, um modelo com tela de 12″ (que já consideramos pequeno). Ele também é muito leve, menos de 1 kg, e o visual em branco, levemente perolado, é muito bonito. Parece um “baby iBook”, e com certeza vai agradar aos que apreciam a estética dos produtos da Apple.


A configuração de hardware que mencionamos em nosso primeiro post sobre o produto mudou, para melhor. Ele ainda é um modelo “4G Surf” (ou seja, 4 GB de espaço em disco), mas agora virá equipado com uma webcam (ausente na configuração anterior), pelo mesmo preço (R$ 1.099). A câmera é fixa sobre o monitor LCD, e captura imagens a 15 quadros por segundo com qualidade boa o suficiente para um bate-papo via Skype.

Segundo Don, a ASUS hesitou em lançar um modelo com câmera porque o cliente MSN (Pidgin) não suporta chamadas de vídeo. A empresa tinha medo de que os clientes pudessem achar que a máquina estava quebrada, mas mudou de idéia quando viu a reação positiva e demanda dos consumidores pelo recurso.

Dos 4 GB de espaço no “disco” (na verdade memória Flash), 1,3 GB estão disponíveis para o usuário, o resto é ocupado pelo sistema operacional. Quer mais espaço? Espete um pendrive ou um cartão de memória: o leitor embutido suporta cartões SD e MMC, e um SD de 8 GB triplica o espaço total em disco disponível. De acordo com um adesivo na parte de baixo do micro, o chipset de rede sem fio (802.11b/g) é da Atheros. Não há Bluetooth (mas nada impede de usar um módulo USB, há três portas). A máquina tem um processador Intel de 900 MHz e chipset de vídeo também Intel, o 915 GM. O monitor é pequeno demais? Plugue um monitor externo, há uma saída VGA na lateral. Não gostou do teclado/mouse? Plugue sua dupla USB favorita e pronto.

Combinado com os 512 MB de RAM, o hardware é o suficiente para rodar uma distribuição Linux moderna, como o Ubuntu 7.10 Gutsy Gibbon, com Compiz ativado. Rodo o Gutsy em uma máquina de configuração similar (mas processador um pouco mais rápido) sem problemas. O eeePC também é compatível com o Windows XP, e não há nenhum segredo para a instalação: basta plugar um leitor de CD-ROM externo, seguir os mesmos passos que em um notebook comum e instalar os drivers (que acompanham o micro, em CD) depois.

A máquina leva apenas 20 segundos para inicializar, entre apertar o botão de força e exibir o desktop completo na tela. O OpenOffice.org Writer abre em cerca de 10 segundos, graças à  rápida velocidade de acesso da memória flash. Rodei vídeos em tela cheia, a partir de um pendrive, sem problemas de perda de sincronia entre audio e vídeo ou engasgos. O monitor LCD de 7 polegadas tem uma imagem realmente muito boa, com excelente nitidez e cores vibrantes. Notei que, tirando a borda da tela e os alto-falantes (um de cada lado do monitor), cabe um monitor LCD widescreen de 10″ ali, direitinho. Don confirmou que a ASUS tinha a intenção de lançar uma configuração com um monitor maior, mas decidiu reduzir custos e simplicar a linha de produto por enquanto.

O sistema operacional padrão do eeePC é o Linux, customizado pela própria ASUS. Algumas URLs no sistema de ajuda eletrônica dão a entender que ele é baseado no Xandros (por sua vez baseado no Debian). A interface é customizada para o dispositivo: a tela mostra os ícones (bem grandes) dos aplicativos disponíveis, e abas na parte de cima permitem selecionar diferentes categorias de aplicativos, como Internet, Work, Learn, Play e outras. Sim, o sistema operacional ainda estava em inglês, mas soube que uma versão em português já está sendo desenvolvida, e se não chegar junto com as primeiras unidades do micro, em dezembro, chega pouco depois.

Há um recurso de atualização do sistema online, portanto quem pegar um eeePC “anglófono” poderá ensiná-lo a falar português depois. Uma coisa interessante aconteceu no meio do papo (em inglês): eu disse a palavra “Office”, o micro bipou e abriu o OpenOffice.org. Ele tem reconhecimento de voz, recurso que ainda não tinha visto em prática em nenhuma distribuição Linux. Pelo que vi é possível definir como o micro reage aos comandos, criar novos comandos ou desativar o recurso de vez.

A interface gráfica do eeePC. Os í­cones estão divididos por tarefas

A questão do preço, do qual muitos leitores aqui do Zumo reclamaram, também foi abordada. Segundo Don, fica a cargo do cliente decidir se a máquina atende às suas necessidades e vale o quanto pesa. Se você acha que é mais negócio comprar um notebook maior pagando R$ 200 ou R$ 300 a mais, compre o notebook (de preferência ASUS, brinca o executivo) e seja feliz. Mas se você faz questão de portabilidade, ou talvez queira uma segunda máquina, o eeePC é uma ótima opção.

Em países mais desenvolvidos, como os EUA e Japão, o eeePC está sendo adquirido principalmente como segunda máquina, enquanto em países como a China e Brasil a empresa o vê preenchendo o nicho do “meu primeiro computador”. O primeiro lote de eeePCs que vem para o Brasil será importado, mas a ASUS tem planos para iniciar a fabricação nacional por volta de maio ou junho de 2008. Com isso os preços devem cair, pois eliminam-se parte das tarifas de importação e o micro poderá desfrutar dos benefícios do Processo Produtivo Básico/”MP do Bem”.

Pretendemos fazer uma análise aprofundada do eeePC (todo mundo: eeeee!), incluindo testes extensos de desempenho, assim que o primeiro lote chegar ao Brasil. A unidade que usei hoje era filha única, veio para uma demonstração entre os distribuidores da ASUS no país. Mas a impressão inicial que deixou foi realmente muito boa. E o mercado, no exterior, parece concordar: em Taiwan, o primeiro lote de máquinas sumiu das prateleiras em 30 minutos.

Sobre o autor

Rafael Rigues

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