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Hands-on: BlackBerry 10 (protótipo)

Oh, BlackBerry. Existe uma distante luz no fim do túnel da crise, chamado BlackBerry 10. É a nova versão do sistema operacional, cheia de novidades na interface e no hardware, mas que só será anunciada em algum momento do primeiro trimestre de 2013.

Para contextualizar, os dados do IDC relativos ao terceiro trimestre de 2012 indicam que a RIM tem apenas 4,3% do mercado mundial de smartphones, contra 9,5% no mesmo período do ano passado, 15,3% em 2010 e 19,9% em 2009.

De qualquer modo, ver o novo sistema operacional da BlackBerry me parece algo promissor pra turma de Waterloo, no Canadá. Em um evento para desenvolvedores corporativos em São Paulo, a companhia deixou ver, mexer e fotografar em um protótipo utilizado para testes internos do BB10 – tudo sempre guiado pelos executivos da companhia.

Diz a BlackBerry que o aparelho final, a ser mostrado em 2013, será bem diferente desse protótipo, e até mesmo a interface deve mudar até lá. Esse protótipo usa um processador dual-core de 1 GHz e tem uma tela de 4,2 polegadas com resolução HD (1280 x 720).

Futuros BlackBerries com o OS 10 terão telas retangulares full-touch ou parciais (720 x 720) com teclado QWERTY integrado, e os novos smartphones devem vir com 4G de fábrica, incluindo as frequências usadas aqui no Brasil – entretanto, modelos sem 4G podem ser lançados na América Latina em uma primeira fase.

E o BlackBerry OS 7.1, usado em aparelhos atuais da marca? Vão continuar a existir como modelos de entrada para a RIM, já que não terão atualização para o novo sistema – apenas o tablet PlayBook tem upgrade garantido. Os apps Android vão continuar a rodar em um ambiente restrito dentro do sistema – e isso é bem legal (como já ocorre com o tablet da RIM).

O principal item que a BlackBerry cita nas demos do novo BB10 é o Peek: esta é a tela inicial, com todos os ícones de apps…

Mas basta arrastar a tela para a esquerda para ver, por exemplo, um último e-mail recebido. Uma espiada, literalmente.

E vale para todo o sistema operacional. Basta “puxar”da borda inferior da tela para a direita…

E você segue para o “peek” (veja ali no canto os emails não lidos)…

Ou para o modo multitarefa do sistema. Bem inteligente.

E, de novo, para a direita, o “peek”.

Os movimentos por gestos são o ponto forte do novo BB10 – um movimento no meio da tela leva ao “alternar entre modo pessoal e de trabalho”:

… que leva a um novo “desktop” só com apps corporativos e de produtividade.

O navegador, baseado em HTML5, me pareceu bem esperto (pena que não dê para dizer o mesmo da conexão por Wi-Fi…).

E o mesmo modo de arrastar surge aqui. Nada de pressionar botões – basta mover o dedo. Diz a RIM que o sistema está sendo pensado para ser usado com uma mão apenas – e dá sem muito problema.

O teclado virtual, para mim, foi a grande surpresa. Teclas grandes (e olha que eu tenho dedos avantajados) e um sistema de predição de texto bastante esperto: o software identifica o idioma que você está digitando e sugere palavras de acordo. Mas não é do tipo sugere-e-completa-sozinho: você precisa “jogar para cima” a letra e aí sim a palavra aparece no texto. Aos fãs de BlackBerry restantes e que não querem telas sensíveis ao toque apenas, essa é a boa resposta da RIM.

Ainda em pequenos detalhes do OS, ao bloquear o aparelho e arrastar do topo para baixo, o smartphone entra em modo “silêncio” – sem sons, com relógio visível e pronto para programar o alarme.

Finalmente, a câmera: o reconhecimento de faces funciona… e caso você não goste do jeito que a foto ficou, não precisa tirar outra (claro que aqui as condições de luz não eram as melhores…)

Mas basta tocar na área do rosto que surge esse círculo ao redor: basta girar o seletor e escolher uma imagem melhor, que foi capturada sem você perceber. Funciona em até quatro rostos na mesma foto. É um detalhe bacana, mas não sei se prático o suficiente para usar no dia-a-dia (“oi, espera que vou editar a foto?”)

Mais que isso a BlackBerry não deixa ver. Do que é hoje (um telefone que manda e-mails) para o BB10 (que parece um smartphone moderno e atual, cheio de novidades), é uma evolução gigante e mais que bem-vinda. O único problema é esperar até 2013, o que pode ser tarde demais.

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin