Hands-on: Audi A1 (na estrada)

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Você já experimentou uma pimenta oriental chamada La Yu? Não? Aqui vai uma dica: é bom respeitá-la e usá-la com parcimônia. O conselho vale também para o Audi A1.

Eis os motivos…

1 — Tanto o Audi A1 quanto o frasco da pimenta La Yu são pequenos e…

2 — Nunca, jamais, julgue o conteúdo pelo tamanho da embalagem… Os dois são picantes. Muito picantes.

A convite da montadora alemã, este ZTOP experimentou o novo hatchback em duas grandes rodovias do interior do Estado de São Paulo, no último sábado (12).

(breve comentário dos donos da casa: não, não vamos virar um blog de carros, tá? mas achamos legal falar de outros brinquedos bacanas de gente grande de vez em quando)

A ideia do teste era conhecer, em condições reais de trânsito, os recursos tecnológicos do carro e descobrir do que ele é capaz. Nosso destino: Campinas. Pela frente, a Bandeirantes e a Anhanguera.

Para começo de conversa, apesar de pequeno, o Audi A1 não é um carro de brinquedo. Seus 3,95 metros de comprimento, 1,74 metros de largura e 1,42 metros de altura escondem um lobo bem esperto em pele de cordeiro.

Sob o capô, o motor 1.4 TSFI, com sistema de injeção direta de combustível e turbocharger com intercooler, entrega nada menos do que 122 cavalos de potência máxima e torque de 200 Nm. Em português simples e claro, o carro é pequeno sim, mas anda forte na estrada e tem boa retomada nas ultrapassagens. Apesar disso, o A1 é surpreendentemente silencioso para um veículo de comportamento mais agressivo.

Além do mais, o hatchback é estável e transmite segurança ao motorista mesmo em condições adversas, como sob a chuva e em pista escorregadia e sinuosa (que encaramos durante parte de nossa jornada, em uma estradinha entre Itupeva e Campinas).

Marilu comenta: Aqui vale uma informação importante. Dividi a direção do carro com o ótimo Leo Nishihata, do Jalopnik. Foi ele quem guiou o A1, no limite, na estradinha citada anteriormente… 😀 Valeu, Leo! Os outros dois convidados para o teste — Guilherme Nascimento Valadares e Junior WN, do Papo de Homem — se revezaram ao volante de mais um Audi A1 oferecido para teste. À frente do grupo, Lothar Werninghaus, diretor de treinamento e consultor técnico da Audi, pilotando um A3 e desvendando os detalhes técnicos do A1 em cada parada.

A construção do Audi A1 e a combinação de elementos, como suspensão ligeiramente mais firme, inspirada nos esportivos da marca, pneus mais largos e de perfil mais baixo, sistema eletrônico de estabilização ESP, entre outros recursos embarcados, garantem estabilidade mesmo nas curvas mais difíceis. Ao volante, temos a impressão de que o carro cola na pista, seja ela reta ou curva acentuada.

Para testes e sessões de demonstração, a Audi trouxe da Alemanha unidades do A1 equipadas com pneus 215/40 R17 e rodas aro 17. Entretanto, as unidades que serão vendidas no Brasil virão de fábrica com pneus 215/45 R16 e rodas aro 16. Segundo a montadora, a diferença no perfil do pneu e diâmetro das rodas garantirá um rodar mais macio nas esburacadas ruas e estradas brasileiras.

No quesito consumo de combustível, o A1 surpreende. Segundo a montadora, o consumo médio é de 18,8 km/litro de gasolina — 15,4 km/l na cidade e incríveis 21,7 km/l na estrada. Para se ter ideia do isso significa, basta dizer que o modelo alemão consome menos, andando bem mais rápido, do que muito carro popular produzido no Brasil.

Câmbio
A Audi equipou o A1 com o sistema de transmissão chamado S-Tronic. Dotado de embreagem dupla (uma para marchas pares, outra para ímpares), o câmbio de sete velocidades oferece bom escalonamento e a agradável sensação de que quase não há queda de rendimento na troca de marchas. A marcha seguinte está sempre pronta para uso.


No modo D, o carro roda dócil, privilegiando o conforto nas trocas quase imperceptíveis. Em S, é o motorista quem controla as trocas por meio da alavanca de câmbio ou dos shift-paddles (borboletas), instalados junto ao volante.

Além de alterar as relações de marcha, a escolha de um desses modos afeta o comportamento da direção eletro-hidráulica do veículo. Dirigir o Audi A1 na estrada é divertido e as ultrapassagens e retomadas são mais espertas do que as obtidas com um carro equipado com câmbio automático convencional.

O sistema de direção usado no A1 é o eletro-hidráulico com pinhão e cremalheira. Na cidade, e em manobras de baixa velocidade, a direção é leve na medida certa e ágil, garantindo conforto. Em velocidade de estrada, a sensação é de controle absoluto em retas, curvas e ultrapassagens.

Vida a bordo
O A1 é sim o carro de entrada da Audi, mas isso não significa que o acabamento seja menos caprichado do que aquele encontrado em outros modelos da montadora.


O painel de linhas sóbrias tem toque espumado e traz quatro grandes saídas de ar. Elas podem receber a aplicação de acabamentos de cores diferentes, oferecidos como acessórios. Os detalhes cromados são discretos e não chegam a roubar a atenção do resto do conjunto. A alavanca de câmbio tem acabamento em couro.


Os bancos da frente contam com laterais envolventes e sistema de aquecimento. O motorista tem à disposição banco com regulagem de altura, além de volante com sistema de ajuste da coluna de direção. Tudo divino e maravilhoso até aqui, mas notamos um pecadinho no A1. Sentimos falta do ajuste de altura dos cintos de segurança dianteiros.

Ok… O detalhe não chegou a incomodar esta repórter, considerando sua altura (1,67 metros). Entretanto, para um carro de preço sugerido inicial na casa dos R$ 89.900, a ausência dessa opção de regulagem simples causa certa surpresa.

Henrique comenta: Marilu testou o gadget mais caro já visto neste ZTOP!

Para o carona, o A1 reserva bom espaço para as pernas. Já quem vai no banco de trás pode achar o carro apertado. Apesar de ter lugar para quatro pessoas, o Audi A1 é ideal para no máximo dois adultos.

Revestido de couro macio ao toque, o volante de três raios oferece empunhadura esportiva e deixa à mão o controle do sistema de som e das funções do computador de bordo, entre outros recursos. As alavancas de seta e de acionamento dos limpadores de para-brisa estão bem posicionadas, assim como as borboletas de troca de marchas, não incomodando o dirigir.

Ao contrário de outros hatchbacks premium, como o Mini, o painel de instrumentos do Audi A1 fica onde todos deveriam estar: na frente do motorista. Conta giros, tela do computador de bordo e velocímetro usam traços limpos para facilitar a leitura das informações.

A parte central do painel abriga uma tela de 6,5 polegadas retrátil capaz de exibir imagem em cores. Por meio dela, é feito o acesso ao sistema Audi Music Interface, que aceita a conexão de iPods, iPhones, cartões de memória e tocadores de MP3.

No quesito segurança, o A1 traz o que se espera de um carro premium: ABS (sistema antitravamento), sistema eletrônico de estabilização ESP e airbags dianteiros frontais, laterais e de cabeça dianteiros e traseiros.

O A1 e o mundo lá fora

O Audi A1 não é um carro com “cara de fofinho”. 🙂 Mais discreto e sóbrio do que outros modelos da categoria batizada de “carros de imagem”, como Mini, Fiat 500 e Smart, o modelo de entrada da montadora alemã tem ares de “menino mau”, graças ao desenho dos faróis e da grade em formato de trapézio.

Marilu comenta: Particularmente, não gosto de “carros fofinhos”. No trânsito selvagem de São Paulo, ninguém respeita os “cuti-cuti” sobre rodas. Além do mais, é sempre muito bom ter um motor de respeito sob o capô para poder escapar de certas situações.

Quem vê o modelo pelo retrovisor, acha que o A1 é um veículo bem maior e esportivo. Essa impressão impõe respeito em quem segue na frente do hatchback e, às vezes, ajuda a conseguir passagem mais facilmente.


O A1 não é o R8, mas atrai olhares. Em Campinas, parados no semáforo de uma avenida, notamos alguns pedestres fotografando o hatch. No caminho de volta a São Paulo, em trecho de lentidão na Rodovia dos Bandeirantes, o motorista de um Fiat Uno Mille se esforçou para ficar por alguns instantes ao nosso lado para observar o carro.

O arco em cor diferente da pintura do resto do veículo é oferecido como opcional. Mas isso não significa que todas as cores de arco estão disponíveis para combinação com todas as cores da palheta usada na carroceria. É preciso ficar de olho nas opções de combinação oferecidas para cada cor.

Marilu comenta: Se pudesse comprar, escolheria meu A1 em uma cor só, mas isso é questão de gosto e cada um tem o seu.

Comprar ou não, eis a questão…
Ah, os impostos brasileiros… Se na Alemanha o preço do Audi A1 parte dos 19.900 euros (R$ 46.311,28 pela cotação de 14/03/2011), aqui a conta sobe para R$ 89.900 no preço inicial sugerido pela fabricante.

É claro que com esse valor dá para comprar carros nacionais maiores, sim. Entretanto, não estamos avaliando apenas o tamanho aqui. O A1 tem muito mais a oferecer em termos de prazer em dirigir do que modelos nacionais maiores na mesma faixa de preço.

Outros modelos considerados como “carros de imagem”, como Fiat 500 (valores sugeridos a partir de R$ 59.360) e Smart não podem ser comparados ao A1 por conta da diferença de proposta e de desempenho. Os dois andam menos e compará-los ao modelo de entrada da Audi não seria justo. Entre os modelos Mini, o Mini Cooper Pepper custa a partir de R$ 88.100 e oferece 120 cv de potência.

Como diz a música… “Se eu pudesse, e se o meu dinheiro desse…”, o Audi A1 seria um forte candidato a ocupar a garagem lá de casa… Por enquanto, meio a contragosto, continuarei usando o Metrô.
Ah! E por falar em Metrô, vejam só quem nós flagramos em plena estrada na manhã do dia de testes…


Sim, caros leitores… Até um heroico vagão de Metrô da Linha 1 — Azul da cidade de São Paulo gosta de pegar estrada de vez em quando. Se ele pode, nós também temos o direito, não é?

Resumo: Audi A1
O que é isso? Hatchback compacto premium.
O que é legal? Divertido de dirigir na estrada, veloz para um carro com motor 1.4, estável e seguro. O câmbio S-Tronic tem sistema de embreagem dupla, o que torna a troca de marchas quase imperceptível. Lista de opcionais inclui sistema de áudio Bose de 465 watts com 14 alto-falantes e teto solar elétrico, entre outros acessórios.
O que é imoral? Falta do ajuste de altura dos cintos de segurança dianteiros.
O que mais? A frente com desenho agressivo impõe respeito no trânsito. Faróis de xenônio e LEDs (para uso diurno) iluminam o caminho.
Preço sugerido: a partir de R$ 89.900.
Onde encontrar: Audi

Dados técnicos:

Motor: transversal dianteiro com quatro cilindros em linha, 1.4 TSFI, com sistema de injeção direta de combustível e turbocharger com intercooler. A gasolina.
Cilindrada: 1.390 cm³
Potência: 122 cvTorque: 200 Nm disponível continuamente entre 1.500 e 4.000 rpmDireção: eletro-hidráulica com pinhão cremalheira.
Câmbio: S-tronic de 7 velocidades.Freios: a disco ventilado na dianteira e a disco sólido na traseira, com sistemas ABS e EBD.
Dimensões: 3,95 m de comprimento; 1,74 m de largura; 1,42 m de altura; 2,47 m entreeixos
Peso: 1.125 kg
Tanque: 45 litros
Porta-malas: 267 litros (920 litros com o banco rebatido)

Sobre o autor

Marilu Araujo

Marilu Araujo escreve sobre TI desde 1997. Atuou em publicações especializadas, como PC Magazine Brasil e ZDNet Brasil. Escreveu para Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo. Trabalhou do outro lado da mesa, em agência de comunicação. Neste Ztop+Zumo, vai falar também sobre tecnologia embarcada em carros e em outros veículos. No Twitter: @mariluaraujo

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