Hands-on: Acer 11 N7 C731-C9DA, um Chromebook duro na queda

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Criado para o mercado educacional, o Chromebook Acer 11 N7 é um portátil bastante robusto e preparado para sobreviver a quedas, batidas e até derramamento de líquidos.

Apresentado pela primeira vez durante a  25ª edição do Bett Educar 2018, o Chromebook Acer 11 N7 (C731-C9DA) é um produto que foge da imagem de que o Chromebook nada mais é do que um notebook leve, fino e capado.

Isso porque o 11 N7 foi projetado para atender o mercado de educação, o que significa que ele precisa ser resistente o bastante para suportar a dura rotina do dia a dia das escolas do ciclo fundamental e ensino médio (que nos EUA é chamado de K-12).

Essa idéia por sinal não é nova, já que vimos ela pela primeira vez na Lenovo que, em 2011, desenvolveu o ThinkPad X130m um modelo baseado no X100 que recebeu diversas modificações baseadas em feedback de professores para ser “à prova de estudantes”…

… o que fez com que a empresa a reforçasse ainda mais um produto já bem conhecido pela sua resistência, como por exemplo:

  • Novas laterais de borracha para absorver impactos.
  • Cantos reforçados para reduzir a possibilidade de danos caso este caia de quina no chão.
  • Portas de comunicação montadas dentro de recessos no gabinete.
  • Dobradiças dimensionadas para resistir até 30 mil ciclos de abrir e fechar sua tampa.
  • Moldura reforçada de plástico com 1,2 mm de espessura para melhor proteger sua tela LCD.

Citamos esses itens porque, de um certo modo, o 11 N7 traz várias delas no seu projeto, junto com uma plataforma mais eficiente e moderna o que faz dele até um sucessor espiritual do X130.

Fora isso, é inegável que tais características também atraia um público mais amplo interessado num equipamento com alto nível de resistência e durabilidade, como veremos adiante:

Simples e utilitário

Medindo apenas 29,7 x 2,2 x 21,0 cm (LxAxP — fechado) e 1,23 kg de peso (ou 1,48 kg com a fonte) o 11 N7 é dono de um visual bastante simples e utilitário…

… sendo que o seu gabinete externo é feito de policarbonato na cor cinza com acabamento fosco o que passa uma agradável sensação de solidez e sobriedade ao conjunto:

Já a sua base possui um outro tipo de acabamento…

… em relevo o que melhora a sua pegada durante o seu transporte, assim como amplos pés de borracha que ajudam a manter o produto de maneira firme e estável sobre a mesa de trabalho, além de possuir uma espécie de cinta de material emborrachado que circunda toda a lateral portátil protegendo-o assim melhor contra batidas e quedas:

Com relação as suas portas de entrada e saída o 11 N7 vem equipado apenas com o essencial, ou seja, uma porta USB 3.0 no lado direito onde também fica o seu slot para trava de segurança padrão Kensington…

… e no lado esquerdo ficam a entrada de alimentação, saída de vídeo padrão HDMI, outra USB 3.0, slot para cartão SD e porta combinada de som/microfone:

Vale a pena destacar que suas duas portas USB 3.0 também incorporam o recurso de Charging Port (vide a presença do relâmpago)…

… que fornece um pouco mais energia do que uma USB 3.0 de linha, permitindo assim alimentar/recarregar outros dispositivos móveis:

A boa notícia é que notamos que essa porta mantém-se energizada mesmo quando o portátil está no estado de dormência o que permite usar o 11 N7 como uma bateria de emergência para alimentar/recarregar o seu smartphone. Só que a não ser que exista alguma opção bem escondida em algum menu do Chrome OS, essas portas não permanecem ligadas quando o portátil estiver desligado.

Mas falando de energia, também acompanha o produto uma fonte de alimentação da Acer modelo A13-045N2A de 45 watts

aaa 253 gramas

… com entrada bivolt de 100~240 volts CA e saída de 19 volts CC de 2,37 A:

O seu plugue de energia tem um diâmetro de ~3mm e tem a ponta preta o que acreditamos ser o padrão da casa para suas fontes de menor potência (~45 watts?).

Dizemos isso porque como já aprendemos no passado que os pluges de ponta amarela estão presentes nas fontes e notebooks de até 65 watts, enquanto que as fontes com plugue na cor roxa são de 135 watts. Também já é possível encontrar em alguns modelos mais potentes da linha Predator (como o Helios 300) um conector vermelho, com potência de 180 watts!

A entrada energia do 11 N7 possui um LED piloto que informa o estado da carga da bateria sendo que ela brilha na cor âmbar se estiver carregando, passando para verde quando carregado.

Como o próprio nome sugere, a tela do 11 N7 é do tipo LCD de 11″ com resolução HD (= 1.366 x 768 pixels) montada numa ampla e resistente moldura com uma webcam com resolução HD 720p laeado por um array de dois microfones:

Uma curiosidade dessa tela é que ela pode girar até 180° o que segundo a Acer facilita o compartilhamento de conteúdo durante as aulas.

Aqui podemos ver que apesar de não ser considerado um modelo leve e fino, o 11 N7 também não pode ser considerado um modelo volumoso e pesado…

…sendo que muito disso é graças ao nível de miniaturização dos seus componentes como veremos mais adiante.

Teclado a prova de criança!

Como era de se esperar de um Chromebook, o layout do seu teclado segue o padrão ABNT2 nacional…

… que difere do tradicional padrão IBM PC apenas na sua carreira de teclas de função que trocou o notório padrão F1~F12 por funções mais claras e diretas:

Mas segundo a Acer, uma das características únicas desse teclado é que ele é a prova de crianças, ou seja, as teclas foram desenhadas de um modo que os infantes não consigam arrancar os botões usando as unhas!

Fizemos esse teste e constatamos que a idéia por trás desse recurso é que as bordas das teclas são largas, lisas e minimamente inclinadas, de modo que ao apoiar a unha na lateral da mesma, ela simplesmente escorrega e escapa, impedindo assim que a tecla seja arrancada por falta de um ponto firme de apoio:

Mas como este ztop+zumo não recua diante de um desafio (principalmente vindo de um teclado feito para crianças), fomos adiante e conseguimos enfiar um palito (que também poderia ser a ponta de um lápis ou caneta) por baixo da tecla e a levantamos e, mesmo assim, ela resistiu bravamente não desencaixou da base — impressionante! ?

Mas como este ztop+zumo não admite ser derrotado por um teclado besta (principalmente um modelo feito para crianças) resolvemos apelar e usamos um estilete para levantar outra tecla e, novamente — ela até que cedeu mas não escapou! ???

Isso nos leva a crer que, em condições normais de pressão, temperatura e juízo na cabeça, esse teclado realmente cumpre o que promete, apesar de que ele pode sucumbir à um estudante delinquente mais determinado que, na nossa opinião, mereceria levar uma bronca do diretor que também deveria mandar a conta do conserto para seus pais!

Mas como este ztop+zumo não tem medo de diretor de escola (só do gerente de produtos da Acer, o Adriano Barros) nós partimos para a ignorância e decidimos que, já que a gente não consegue arrancar as teclas, arrancamos o teclado inteiro e aproveitamos essa deixa para analisar outra afirmação da empresa, de que esse teclado…

Também é resistente a água!!!

Ou mais exatamente, que ele resiste ao derramamento de água — ou seja, nada de jogar o 11 N7 no lago ou no rio! — Aliás, esse recurso é bem comum em notebooks corporativos mas raro em modelos de linha voltados para o consumidor final.

Ao analisarmos o interior do seu hardware, notamos que isso é possível graças a presença de uma placa de metal fixada na base do teclado o que isola o mesmo das partes eletrônicas do 11 N7 permitindo até que o portátil continue a funcionar mesmo depois de molhado.

Note que essa base de metal possui dois compartimentos capazes de coletar e acumular até 330 ml de líquido que são eliminados do sistema por meio de duas aberturas existentes na base do portátil:

Segundo o site da Acer esses itens de durabilidade do 11 N7 foram “testada(s) a nível militar” porém sem citar alguma norma.

Já o site do Submarino.com afirma que esse portátil foi certificado com a norma MIL-STD 810G nos quesitos de alta e baixas temperaturas, umidade, vibração e chuva, além de resistência a quedas de até 122 cm, pressão na tampa superior de até 60 kg (parte A), derramamento de água até 330 ml no teclado e touchpad.

O curioso é que essas normas sempre falam essencialmente de derramamento de água e não de outros líquidos mais nocivos como café, refrigerante, iogurte, urina de gato, etc.

Por dentro do 11 N7

E já que conseguimos arrancar remover o teclado do 11 N7 também pudemos dar uma olhada no seu interior que impressiona pela simplicidade do desenho e o reduzido número de componentes presentes na placa-mãe que ocupa praticamente o mesmo espaço físico da bateria e, mesmo assim, ainda podemos ver diversas áreas não ocupadas.

Viva a lei de Moore!

O que podemos ver nesse projeto é que a parte eletrônica é montada no fundo de um gabinete cujo formato até lembra uma forma de bolo com o teclado servindo como tampa. Note a presença de diversos ressaltos na forma de barras que servem para reforçar a estrutura da carcaça, impedindo que a mesma ceda ou deforme quando exposta a cargas de compressão e/ou de torção:

Também pudemos constatar que as espessura das paredes desse gabinete varia em torno de 1,5 mm até 3 mm (nas bordas), o que reforça a afirmação de que o 11 N7 pode resistir a quedas de até 1,22 metros, o que é mais ou menos a altura de uma mesa até o chão:

A empresa também afirma que as dobradiças da tela também foram reforçadas para permitir até que o portátil seja até segurado pela borda da tela LCD sem danificar o sistema. Note também que a base de metal da dobradiça da direita também serve como o ponto de fixação (vide a seta) para a trava anti-furto padrão Kensington.

Com relação as suas especificações técnicas, o 11 N7 analisado por este ztop+zumo veio equipado com um processador Intel Celeron N3060 um SoC dual-core de 14 nm voltado para notebooks de entrada cuja CPU (baseado na microarquitetura Airmont) roda a 1,6~2,48 GHz e que também vem equipado com 2 MB Cache.

Já a sua GPU integrada é um HD Graphics 400 (Gen8/Braswell) equipada com 12 EUs (Execution Units) que rodam a uma velocidade de até 600 MHz. Ela suporta aceleração de vídeo de 4K/H.265 e seu desempenho gráfico pode ser considerado modesto não sendo a melhor opção para jogos em 3D mais avançados, apesar de que isso não é tão relevante no caso de um Chromebook.

Já uma característica bem interessante desse chip é que o seu seu consumo relativamente baixo — TDP de 6 watts (SDP 4 Watts) — o que permite que ele possa ser resfriado de forma passiva, ou seja, ele dispensa o uso de um cooler com ventoinha.

A para tirar proveito disso, os engenheiros da Acer tiveram a interessante idéia de criar um ressalto na base de metal do teclado para fazer com que o mesmo encoste diretamente na pastilha do SoC (por meio de uma interface térmica), permitindo assim que o mesmo funcione como um grande cooler passivo. Simples e genial.

Logo acima do processador fica o banco de memória RAM ( 4 GB LPDDR3 ) formado por quatro chips soldados diretamente na placa-mãe:

Já a direita podemos ver um chip de memória Flash do tipo e-NAND de 32 GB (sendo que o SO ocupa algo em torno e 7 GB) ao lado de um chip MEC1322 um microcontrolador integrado que também é usado para gerenciar o teclado.

Alguns podem até achar essa capacidade de armazenamento meio baixa, mas a idéia neste caso é que o usuário utilize o serviço online do Google Drive como principal área de armazenamento. Fora isso também é possível usar discos externos com porta USB ou pen drives para aumentar o armazenamento local como os modelos ultra compactos com o Ultra Fit da Sandisk também equipado com porta USB 3.0 que pode ficar permanentemente instalado numa das portas USB sem fazer muito volume, um conceito que eles chamam de”plug-and-stay“:

Já da extremidade direita da placa podemos ver um slot PCI-mini ocupado por uma plaquinha Wi-Fi 80211ac modelo 7265NGW da Intel:

E como já dissemos antes, quase a metade do interior do 11 N7 é ocupado pela sua bateria da Acer modelo AP16J8K de 45 Wh / 4.050 mAh:

Segundo a empresa, a sua autonomia é estimada em torno 12 horas conforme as condições de uso.

Já nos cantos direito e esquerdo do portátil podemos ver os dois alto-falantes estéreo:

Vale a pena notar que a saída de som dos alto-falantes parecem não ter nenhuma proteção que impeça a entrada de água o que nos leva a crer que — como já vimos em outros notebooks robustecidos — que eles foram feitos resistem a respingos e derramamento de água desde que o portátil esteja com a tampa do monitor e/ou teclado voltado para cima e não o contrário!

No geral, pudemos ver que o 11 N7 não é um notebook capado, ou seja, a sua placa-mãe não possui conectores vazios ou espaço para componentes que não foram instalados. A consequência direta disso, é que ela não aceita nenhum tipo de upgrade, como aumentar sua capacidade de armazenamento ou adicionar mais memória (a não ser que os chips sejam dessoldados e substituídos por novos.)

De resto, como não existem partes móveis (como motores e ventoinhas) no 11 N7, o seu funcionamento é totalmente silencioso o que também contribui para aumentar a sua confiabilidade.

Sobre o Chrome OS

Como o Henrique costuma dizer “Chrome OS é Chrome OS “…

…de modo que que não há muito o que falar além de tudo que já dissemos em outras análises de Chromebook ou seja, o sistema em si pouco mudou o que não é algo ruim, diga-se de passagem …

Em suma: se você usa Chrome é isso aí, business as usual

… em especial no que se refere a experiência de uso do navegador Chrome que é praticamente a mesma do PC com Windows:

Apps de Android do Chrome OS?

Talvez a novidade mais bacana do Chrome OS nesses últimos tempos esteja na oferta de software, já que além das apps diponíveis no Chrome Webstore

… o Chrome OS agora também roda apps do Android sendo que o 11 N7 já sai de fábrica com o app do Google Play pré-instalado no sistema:

E como é rodar uma app de Android no Chrome? Em tese, a experiência de uso é “quaaase a mesma”.

Isso porque já que como a tela do 11 N7 não é do tipo touchscreen, os toques na tela tem que ser dadas com o clique do mouse o que pode comprometer a sua usabilidade:

Vale a pena ressaltar que, dependendo do app de Android, a tela pode não ser totalmente preenchida, caso do Super Mario Run:

Já em outros casos como o Angry Birds

… e o Netflix, a tela é totalmente preenchida o que nos leva a crer que se o app foi feito para rodar num tablet ele irá funcionar no modo de tela cheia do Chrome OS :

O que chama a nossa atenção neste caso é que a instalação e uso dos apps de Android pode resolver ou pelo menos amenizar uma das maiores críticas do Chrome OS que seria a falta de aplicações que rodem localmente ou até mesmo off-line (como editores de imagens e de textos), e isso sem falar de aplicações duplicadas como o Google Maps do Chrome

… e a versão para Android:

Nossas conclusões:

Num mercado meio que marcado pela mesmice dos produtos, gostamos do 11 N7 porque ele funciona mais ou menos como uma máquina de escrever para nativos digitais, ou seja, ele é simples, prático, funcional e faz o que promete de uma maneira que as pessoas entendem.

Mas esse espírito de “menos é mais” que seria o grande paradoxo desse produto, porque ele foi feito para usuários cuja cabeça está literalmente “na nuvem” o que pode ser algo meio difícil de engolir por uma geração passada que até hoje carrega sua vida digital no num computador “pessoal” no sentido exato da palavra!

Talvez seja por isso que o Chromebook se deu tão bem no mercado de educação, já que nessas instituições o computador nem sempre é pessoal e sim algo compartilhado, o que faz com que o modelo de seleção/gerenciamento de usuário nativo do Chrome OS encaixe como uma luva nesse modelo.

Fora isso, gostamos muito do seu hardware robustecido — algo raro em equipamentos nessa categoria e faixa de preço — o que nos faz crer que ele poderia ser igualmente aproveitado em outras áreas como automação de força de vendas, serviços públicos, trabalhos de campo ou qualquer outra atividade que demande por um equipamento simples e resistente capaz de trabalhar o dia inteiro longe da tomada.

Talvez o que impeça o uso mais disseminado do Chromebook seja o fato dele só oferecer conectividade via Wi-Fi o que poderia inibir o seu uso em locais longe de casa ou do trabalho. Neste caso, a solução poderia estar no uso dos smartphone como um modem 3G/4G por meio do recurso de tethering.

Dentre as coisas que não gostamos no 11 N7 talvez a maior delas esteja relacionado com sua tela que poderia até ser Full HD mas reconhecemos que isso poderia impactar negativamente um produto voltado para preço.

Fora isso, alguns poderiam também argumentar que a tela do 11 N7 poderia ser do tipo touchscreen o que não faz a mínima falta no Chrome OS, mas que melhoraria — e muito — na hora de rodar os apps de Android. Novamente, o fator custo vai contra esse desejo, apesar de que, em outras geografias a Acer oferece esse produto com esse recurso.

E apesar do seu preço sugerido de R$ 2.200 já é possível encontrar esse produto no varejo por preços de variam de R$ 1.400 até R$ 1.800 o que é um preço bem interessante para um Chromebook.

Mais informações no site da empresa.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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