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Google: ONGs, Orkut e números enormes

O Google Brasil fez hoje um dos principais anúncios para tentar deixar sua vida – e de seus advogados – mais tranquila em relação í s comunidades no Orkut. Em parceria com a Câmara e-Net, o Google passa a contar com a ajuda de organizações não-governamentais para identificar com melhor qualidade crimes de pedofilia e pornografia infantil em sua rede social. Além disso, a subsidiária brasileira passa a ser procuradora do Google Inc. nos casos judiciais relacionados ao Orkut.

A Câmara e-Net vai criar um comitê para mapear quais são as principais ONGs, e as entidades terão acesso ao mesmo perfil especial de usuário fornecido já a alguns Ministérios Públicos no Brasil para acelerar o processo de identificar e notificar ao Orkut os perfis e comunidades problemáticos.


“O trabalho com as ONGs se baseia em três pilares: identificar os dados impróprios, removê-los do sistema e preservá-los para possí­veis processos judiciais”, afirmou Alexandre Hohagen, diretor geral do Google Brasil. O perfil de usuário especial, segundo Hohagen, tem como diferencial um botão extra para reportar abusos. O foco inicial são o combate í  pedofilia e í  pornografia infantil no Orkut, mas nada impede que crimes de ódio e spam sejam relatados também.

Hohagen também deu alguns números interessantes sobre o Orkut no Brasil:

– São 20 milhões de usuários ativos no paí­s – mais de 53% de toda a comunidade

– Os principais motivos de relatos de abusos são, na seguinte ordem: pornografia, violência, spam e pedofilia/pornografia infantil.

– Por semana, o Google recebe 20 mil denúncias de algum dos temas acima no Orkut. Apenas 5% delas são realmente graves – falta ainda bom-senso de muito usuário que fala mal dos outros e acha que reportar abuso de um ou outro usuário vai mudar alguma coisa. E muito da ‘pornografia’ se refere a nudez.

– 80 pessoas que falam português trabalham no serviço de suporte aos relatos de abuso – lá nos Estados Unidos.

– 24 horas, em média, é o prazo para uma denúncia válida ser verificada e sair do ar.

Ao divulgar números e tomar mais iniciativas de usar o poder da comunidades  – mesmo que ONGs que atuam em proteção í  infãncia – mostra que o Google Brasil tem se mostrado cada vez mais transparente para a justiça e para o usuário final. Afinal, é a comunidade que tem que entender do assunto, não o Google. Espero que a mí­dia não-especializada e os inúmeros processos legais entendam isso também.

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin