Huawei Mate 30 Pro: consegui o Google, mas… o que falta?

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Com um pouco de paciência e exploração, o Huawei Mate 30 Pro agora roda os Google Mobile Services, e com isso eu consigo ter um smartphone de verdade no mundo ocidental.

Vale notar que esse processo de instalação do Google no Huawei Mate 30 é um processo alternativo e não é oficial da marca, que ainda está sob restrições comerciais do governo norte-americano. Não existe previsão de lançamento do Mate 30 Pro no Brasil (ou, até onde sei, no mundo ocidental).

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Tudo começou no Twitter, no dia 23.

Fiz as fotos do post do Moto G8 Plus com o Mate 30 Pro e tive o pensamento acima muito sincero. O Mate 30 é um baita smartphone. Uns dois minutos depois (verdade), um amigo manda um arquivo no WhatsApp: um PDF com instruções de como instalar os GMS no Mate 30.

As instruções incluíam ir a um site de compartilhamento de arquivos e baixar um .ZIP com um monte de arquivos, incluindo .APKs, .XML, .TAR, .ZIP:

Na teoria, o processo de instalação seria muito simples e direto ao ponto: copie os arquivos dessa pasta para um pen drive/cartão de memória, instale o APP-RELEASE.APK no Mate 30, faça um backup, crie uma senha de backup, substitua arquivos no backup e o restaure. Com isso dando certo, era só abrir o APP-RELEASE.APK, dar as permissões e instalar os APKs com os serviços do Google.

Na prática, era o método do misterioso site LZPLAY.net, que ficou no ar por alguns dias e sumiu – e fazia isso automaticamente. Mas…não foi bem assim.

Eu criei a senha de backup (não havia nenhuma instrução para criar uma senha específica no documento original, apenas segui as regras da Huawei de 8 caracteres, incluindo números e letras. Até aí, dava tudo certo – só que ao restaurar o backup usando a minha senha, o sistema dizia que a senha estava errada. Formatei o telefone umas 3x. Sempre o mesmo erro. Argh. Desisti naquele momento para tentar depois.

Sexta-feira (25) resolvi tentar de novo. O mesmo problema. Avisei meu contato, que me mandou um vídeo-tutorial (!). Eu não estava doido, mas digamos que a senha que criei não era a senha correta.

Vi qual era, repeti o processo e consegui concluir os passos, pronto: Google Mobile Services com o pacote todo funcionando de forma perfeita. Ou quase.

Uma coisa é tirar da caixa um smartphone, digamos, da Motorola ou da Samsung, e restaurar seus backups da nuvem do Google porque, bem, você é um consumidor conhecido, de certo modo. No Mate 30 Pro, não tem “backup” pra restaurar, porque não tem nada para restaurar. Eu estava começando do zero – e instalando cada app do Google, um por um. Mas estava feliz, direto da Play Store.

Pausa para uma questão de segurança: o método LZPLAY.NET é problemático porque o app (todo em chinês, vale notar) pede permissões de administração do aparelho, o que abre uma brecha para, sei lá, espionagem, roubo de dados, envio de informações para um país estranho e o céu é o limite para sua imaginação paranoica.

Porém, contudo, todavia, entretanto, seu APK (APP-RELEASE) pode ser desinstalado após o processo, mesmo antes de fazer login no Google.

E instalar o Google Play Services e a loja Google Play trazem um bônus de segurança: a verificação Play Protect, que me deixa um pouco mais tranquilo.

Naquele momento, com um smartphone “zerado” de fábrica e cheio dos apps chineses originais, a App Gallery da Huawei (a lojinha de aplicativos deles) pediu para atualizar automaticamente os apps pré-instalados (eu iria apagar 99% deles depois).

Nessa hora, algo curioso aconteceu: o Play Protect começou a barrar a atualização dos apps chineses por… motivos de segurança ou coleta de dados (foram uns 8 com essa mensagem):

Apps chineses desinstalados (o único que deixei foi a versão chinesa do TikTok, uma obsessão pessoal e que pode ser usado sem login), hora de voltar à Play Store e instalar meus apps do dia a dia.

Entrei na Play Store, acessei a lista de aplicativos que eu tenho e comecei a baixar. Depois fui ao meu Galaxy Note 9 para ver a organização das pastas. 99% dos apps instalaram sem problemas, com apenas três exceções, que dizem não ser compatíveis com meu aparelho:

  • Netflix (algo muito útil – e que nem aparece nos resultados da busca da Play Store);
  • United Airlines e American Airlines (no momento, não são necessários. O da Delta Airlines e da LATAM foram instalados sem problema).
  • um app de banco (conta pessoa jurídica, que também é muito útil – mas tenho no Note 9, então não é um problema) – o pessoa física foi, assim como apps de outros bancos que não uso mais. De qualquer modo, por uma questão de não confiar 100% na solução de segurança, não vou usar apps de banco no Mate 30 Pro (quem tem, tem medo, né?).

Depois ainda tive um problema ao acessar meus contatos, mas foi problema meu mesmo que esqueceu de instalar o APK necessário do pen drive (e tudo funcionou normalmente).

No geral, já dá para usar o Mate 30 Pro como aparelho do dia a dia. Existem, porém, pequenas idiossincrasias de integração de sistemas – com apps da Huawei “oficiais” não falando direito com serviços do Google.

Exemplo: uso o relógio Huawei GT2 para monitorar exercícios. Consegui usar o app Huawei Health no Note 9 e no iPhone 11 sem problemas – no Note 9 o Health se integra ao Google Fit. No Mate 30 Pro, nem aparece essa opção (a única é o MyFitnessPal). Mas não é algo que mude a vida – e ainda mais porque os dados sincronizam via nuvem entre todos os aparelhos.

Agora vou voltar pro iPhone 11 e volto a falar do Mate 30 Pro depois.

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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