Google for Brasil: Wi-Fi grátis, privacidade, Assistente no KaiOS

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O Google realizou hoje em São Paulo seu terceiro Google For Brasil, evento para falar como a empresa faz coisas incríveis para o cada vez mais importante mercado local.

Três grandes notícias, ao meu ver: o projeto Google Station, para fornecer Wi-Fi gratuito, um posicionamento forte (e constante) sobre privacidade e a chegada do primeiro aparelho KaiOS ao Brasil com Google Assistente, o Positivo P70S.

Google Station

Wi-Fi público, rápido e de graça? É a proposta do Google Station, presente em 87 pontos de acesso na cidade de São Paulo, incluindo o parque Ibirapuera e estações da CPTM da linha Esmeralda (para quem não mora em SP, é a linha que passa na marginal Pinheiros entre os bairros de Pinheiros, Itaim, Vila Olímpia, Brooklin/Av. Berrini e Morumbi, onde estão localizadas as principais empresas de tecnologia da cidade).

Mas é de graça mesmo? Quase. O Google Station promete simplificar o acesso com apenas uma tela onde aparece uma propaganda (o primeiro patrocinador é o banco Itaú) e o pedido de cadastro: um número de telefone. E pronto, está conectado.

“Do ponto de vista do Google, é apenas para checar a informação do usuário e é feita uma vez só. Não vamos vender ou passar para terceiros, não vamos rastrear onde as pessoas navegam, só queremos colocar o usuário online”, disse Josh Woodward, Diretor de Produto do Google Station.

Os parceiros do Google no projeto Station são, inicialmente, os provedores America Net e Linktel, que encontraram no Google uma solução para um problema. Eles já eram parceiros da Prefeitura de São Paulo no projeto de Wi-Fi livre pela cidade (e que custava em torno de R$ 10 mi ao ano), mas desde o final de 2018 estavam liberados para “monetizar” os pontos de acesso.

O Brasil é o oitavo país do mundo a receber o projeto Google Station, que tem 10 milhões de usuários ativos espalhados por mais de 1.000 pontos de acesso na Índia (pioneira do projeto, em 2016), Indonésia, México, Tailândia, Nigéria, Filipinas e Vietnã.

Privacidade

Kent Walker, vice-presidente sênior de assuntos globais do Google, subiu ao palco do evento para dizer que “privacidade deve estar disponível a todos” e que a “confiança do usuário é a fundação de tudo que fazemos. Se perdemos a confiança, perdemos consumidores”.

Kent anunciou um maior controle de privacidade para os usuários do Google – usar Androids como chave de segurança e maior capilaridade de informação em apps como Mapas, Busca e Assistente (dentro do menu de aplicativos, é a opção “Seus dados no…”). YouTube será o próximo a receber o recurso.

O executivo falou ainda sobre os controles de auto-deletar para Atividade na Web e de Apps (e definir um período entre três e 18 meses, de acordo com escolha do usuário, que os dados serão apagados de forma automática). Em breve, o recurso vale para o histórico de localização do Google e, até o final do ano, Mapas e Busca ganham um modo anônimo para navegação. “Quatro milhões de pessoas no Brasil visitaram nossa ferramenta de checkup de privacidade este ano”, disse o executivo.

Mas nem tudo são flores no mundo de privacidade do Google. Só nos últimos dias, o YouTube foi chamado de “playground para pedófilos” e chegou a afirmar que “se o discurso de ódio é parte de um argumento maior, tudo bem” (e depois disse que, errr, não é bem assim).

Perguntei pro Fabio Coelho, presidente do Google Brasil, o que a empresa está fazendo para combater isso. A resposta foi bem direta:

“Liberdade de expressão tem uma linha tênue entre capacidade de opinião e discurso de ódio. Só que ódio é crime e deve ser removido do ambiente digital. Precisamos entender qual é a fronteira que a sociedade considera hoje para o que a sociedade considera inaceitável, dependendo da conduta. Isso evolui com o tempo e liberdade de expressão é flexível em gerações que pensam de formas diferentes. Tem essa variável do tempo no meio do caminho, somos julgados por opiniões do que dissemos dez anos atrás. Na dúvida, temos que respeitar as liberdades individuais e essa fronteira precisa ser flexível”.

Positivo, o KaiOS e a smart home

A Positivo tem se mostrado um parceiro fiel do Google no Brasil. Ano passado estavam na lista inicial de aparelhos com Android Go e este ano trouxeram mais coisas ao palco do Google For Brasil.

A primeira foi o “super featurephone” P70S, um aparelho que roda sistema KaiOS e que será vendido pelo valor sugerido de R$ 279 a partir do mês que vem (e tem botão dedicado para Google Assistente e, assim como seu irmão menor P70, roda WhatsApp também). Com comando de voz fica muito mais fácil usar o aparelho, então é uma novidade muito bem-vinda da Positivo.

Segundo a Positivo, as especificações técnicas do P70S incluem “acesso ao KaiStore e possui botões dedicados ao Google Assistente e ao WhatsApp. Além disso, tem conexões 2G e 3G, WiFi, Bluetooth, sistemas de navegação GPS e GLONASS, rádio FM, bateria de 1.350 mAh e câmera traseira VGA e LED Flash. Seu processador é Quad Core de 1,3 GHz, conta com memória RAM de 512MB, armazenamento de 4GB e tela de 2,8’’ TFT LCD, que oferece melhor qualidade de imagem. Por fim, tem entrada para dois Micro SIM Cards, MicroSD de até 32GB, fone de ouvido e porta USB.

A segunda novidade da Positivo é o anúncio da sua linha de produtos para casa inteligente com Google Assistente – lâmpadas, tomadas, câmeras de segurança – que também começam a ser vendidos mês que vem, com preços a partir de R$ 99 (só não disseram qual item terá esse valor).

Ainda no tema “Google e Hardware no Brasil, essa relação complicada desde os tempos de Nexus 7“, Fabio Coelho reafirmou que “tudo de hardware do Google é feito com parceiros. A tecnologia evolui rápido é mais fácil trabalhar com parceiros do que entrar direto, já que eles têm mais capilaridade e entendimento do mercado local. Só vamos trazer produtos se tiverem o volume e o preço corretos”, afirmou.

O que mais aconteceu hoje no Google for Brasil:

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o fundador do ZTOP+ZUMO e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP+ZUMO em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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