Google Chrome OS vai levar o Linux ao desktop?

G

chrome_netbook

Agora a coisa é séria. É o Google, grande buscador onipresente (onisciente?) que mostra suas cartas na mesa para levar a internet ainda mais longe com o Chrome OS. E os detalhes, ah, os detalhes, contam algumas coisas ainda mais interessantes.

Em resumo, o Chrome OS é o sistema operacional baseado em cloud computing.

Bote uma base Linux (será baseado direto no kernel do Linux, “que não tem sabor”, segundo Felix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil), rode o Chrome por cima e deixe todos os aplicativos na internet. Sem configurações bizarras de rede, drivers, codecs e tudo aquilo que espanta o usuário médio do Linux hoje em dia (não me venham com o papo de que “você cria seu Linux compilando código”. Eu mantenho distância de qualquer compilador na minha vida desde 1997, pelo menos, e tenho certeza que 99% da população não-nerd quer usar um sistema, não criar o seu próprio.). Acredito, sim,  que o Chrome OS irá tornar extremamente fácil a experiência do Linux no desktop. A resposta está na simplicidade.

E acho que estou no caminho certo. Vamos ao post original do Google sobre o tema:

Velocidade, simplicidade e segurança são os aspectos principais do Google Chrome OS. Estamos projetando o sistema para ser leve e ligeiro, para ligar e já te levar à web em poucos segundos. A interface de usuário é mínima para te atrapalhar pouco, e a maior parte da experiência do usuário vai para a web. Como fizemos com o navegador Chrome, vamos voltar ao básico e redesenhar completamente a arquitetura de segurança do OS, para que os usuários não tenham que lidar com vírus, malware e atualizações de segurança. Deve apenas funcionar”.

“(…) Computadores têm que melhorar. As pessoas querem acesso instantâneo ao e-mail, sem perder tempo esperando pelo boot do computador e a abertura do browser. Eles querem computadores que funcionem tão rápido como da primeira vez”.

Desse modo, baseado na simplicidade (e apenas nela), o Chrome OS tem tudo para ganhar. Seu sucesso, entretanto, não depende apenas do Google. Depende muito dos desenvolvedores criarem uma base forte de aplicativos online (Google Docs já é uma “killer app” para o Chrome OS logo no começo) e, de nada adianta ter aplicativos e sistema operacional se não existirem máquinas rodando o Chrome OS.

Na seara do hardware, entramos numa zona nebulosa e altamente interessante: o Chrome roda no velho e bom x86, mas também em processadores ARM. E, além de saber se o Chrome OS funciona mesmo, de certo modo o Google vai acabar causando uma boa “briga” (no sentido de boa para o usuário) ao tornar o Chrome OS disponível em mais de uma arquitetura de processadores, daquelas boas de acompanhar dos bastidores. Sem parceiros de hardware, o Chrome OS não será nada (e é algo que sua concorrente Microsoft sabe fazer muito bem: amarrar acordos de distribuição muito bem feitos). “Google não vai fazer hardware. As marcas são dos OEMs, não temos uma lista ainda”, disse Ximenes.

Ah, mas qual o interesse do Google em ter um sistema operacional? A internet é o mercado de atuação do Google, é aqui que a empresa ganha dinheiro. Quanto mais gente online, de preferência com um sistema operacional controlado por eles, melhor para a turma de Mountain View. “O modelo de negócios é similar ao do Android, oferecido de graça. Queremos baixar o custo do dispositivo e trazer o usuário para o mundo online”, explicou Ximenes. “Não vamos cobrar pelo software nem teremos publicidade no sistema. Os anúncios só vão aparecer na experiência de navegação na web”, conclui.

De qualquer jeito, vamos ter que esperar até 2010 para ver o Chrome OS em ação. Apesar do foco inicial nos netbooks-sempre-conectados, o Chrome OS também será projetado para máquinas maiores, como desktops (diferente do Android, que foca nos portáteis, do celular até mesmo ao netbook). Lembro que até 2010 temos no caminho um Windows 7 e um Snow Leopard, novos sistemas operacionais da “velha guarda”.

A Apple, pelo que conheço, não vai se importar muito com o Chrome OS (afinal, Apple e Google compartilham membros em seus conselhos de administração) e os aplicativos de Chrome OS vão rodar no browser em qualquer outro sistema. Já a Microsoft, bem, essa temos que aguardar a reação (se é que vai reagir).

Em tempo: mandei um e-mail para a Microsoft perguntando se falariam alguma coisa sobre o Chrome OS. A resposta foi um simples e lacônico “não comentamos sobre o anúncio”.

nota atualizada às 12h50 com informações fornecidas pelo Google Brasil

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

RSS Podcast SEM FILTRO




+novos