Gol no Ar: serviço distribui entretenimento por Wi-Fi no avião (e não tem internet)

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Na próxima semana, quem embarcar em determinados voos da Gol com notebook, iPhone ou iPad poderá usar a rede Wi-Fi dos seus dispositivos para diversão a bordo (confirmando o que a gente adiantou ontem). O serviço Gol no Ar, que estreia dia 1 de setembro, oferece áudio, vídeo e textos, atualizados a cada pouso em um novo aeroporto. ZTOP voou hoje para ver como o Gol no Ar funciona – e é bem legal.

O Gol no Ar é, basicamente, um servidor de mídia instalado dentro da aeronave com um ponto de acesso sem fios. Depois de decolar, a equipe de bordo vai avisar que o serviço, gratuito, está disponível aos clientes. Basta ligar o Wi-Fi e sair navegando pelo conteúdo da Gol.

Em uma primeira fase, estão disponíveis materiais de parceiros como CBN (com boletins de áudio e colunistas), canais Globosat (GNT, Telecine, Canal Brasil, SporTV, Multishow), textos (da Editora Abril), canais de música e, por enquanto apenas no browser do notebook, alguns joguinhos (Tetris!).

“O servidor a bordo foi adaptado e provê a rede dentro do avião”, explica Ubiratan da Motta, diretor de inovação e novos negócios da Gol. O sistema foi todo desenvolvido pela companhia aérea nos últimos 14 meses. No lançamento, serão 35 aeronaves (ou 250 voos diários), com maior foco na ponte aérea Rio-São Paulo. Até o final do ano, serão 380 voos diários.

O conteúdo do portal multimídia da Gol está armazenado em um servidor central (a Gol usa Amazon Web Services). “Os provedores de conteúdo enviam os dados para a Amazon. Quando o avião pousa em um aeroporto, sincroniza dados por Wi-Fi com uma rede da Vex contratada para essa tarefa. O servidor checa novos conteúdos e atualiza o que der ou estiver disponível”, afirma Motta. São nove aeroportos já com infraestrutura para isso (SP-Congonhas, SP-Guarulhos, RJ-Santos Dumont, RJ-Galeão, BH-Confins, Salvador, Porto Alegre, Brasília, Belém e Fortaleza).

O Gol no Ar, no começo, funciona somente via navegador. Em um futuro próximo, de acordo com Claudia Pagnano, vice-presidente de mercado e novos negócios da Gol, serão lançados aplicativos para Android e iOS. “Essa é uma plataforma inédita em aviação comercial, e adequada ao nosso modelo de companhia aérea de baixo custo. Você traz a sua tela”, afirma (e seus fones também, espero). Quanto de banda vai consumir? “Ainda estamos aprendendo isso, assim como o conteúdo mais lido/acessado e em qual dispositivo”, comenta Motta.

Além de apps para plataformas móveis, Claudia explica ainda que novos recursos serão adicionados ao Gol no Ar no futuro, como chat entre usuários do serviço e disputas de games. Não há planos de oferecer conectividade à internet, mais por questões de infraestrutura e custo do serviço oferecido. Existe o plano também de lançar um serviço de SMS a bordo usando a rede de comunicação do próprio avião, mas sem data definida.

Na prática

O avião da Gol (um 737NG, com “Sky Interior” – preste atenção que essa aeronave tem tomadas convencionais entre os assentos) decolou de Congonhas com destino a Porto Alegre com um pouco de atraso. Após apagar o alerta de cinto de segurança, liguei o MacBook Air, o iPhone e o Milestone 3 para ver como o Gol no Ar funciona (até dia 1, a rede está protegida por senha, mas cada aeronave tem um símbolo indicando que ali tem entretenimento por Wi-Fi).

No iPhone conectou de cara, e a interface é bem limpa e clara. A qualidade de vídeos é muito boa, e a navegação não engasga. No notebook, Safari e Firefox, com Flash desatualizado, desistiram da ideia. No Chrome, sem  problemas. A qualidade de vídeo no browser é um pouco menor, mas dá para ver em tela cheia. Precisei ainda dar refresh em algumas páginas que travaram.

O uso do Gol no Ar no Milestone 3 foi mais curioso: ao acessar o site pela primeira vez, surgiu uma mensagem de erro que alguns recursos poderiam não funcionar. Tudo correu sem problemas, tanto em vídeo como em áudio. Em todas as plataformas, o carregamento dos vídeos foi bastante rápido (algo a se notar quando o Gol no Ar entrar em funcionamento: qual o gargalo da rede?)

Vale a pena? Se você tem um dispositivo com Wi-Fi e está sem nenhuma opção de diversão para ver no avião, sem dúvida. Na Ponte Aérea, não é um problema, já que o voo é curto. Agora em um voo do Sul/Sudeste para Belém ou Manaus, com mais de 4 horas de duração, qualquer oferta de entretenimento é mais que bem-vinda. O serviço funciona em voos domésticos – destinos internacionais, com duração mais longa, estão na mira, mas não terão conteúdos em outros idiomas.

Como bem resumiu o companheiro de viagem Ricardo Freire, “você não precisa aprender a interface do sistema de entretenimento do avião”. E é verdade: usabilidade, em tempos de mais gente voando no Brasil, é bastante necessária. O Gol no Ar é muito intuitivo, e a interface para iPhone/iPad é muito fácil de usar. No browser, é um site com diversas opções.

 

 

Disclaimer: ZTOP voou a convite da Gol, mas todas as opiniões aqui são nossas.

 

 

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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