GITAI e JAXA anunciam parceria para enviar robôs com telepresença para o espaço

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Empresas realizam testes com robôs comandados da superfície da Terra para substituir astronautas em estações espaciais.

A GITAI em parceria com a Agência espacial Japonesa (JAXA) anunciaram uma parceria para estudar a viabilidade do uso de robôs controlados com tecnologia de telepresença para substituir astronautas na ISS. O principal objetivo seria de reduzir os custos de enviar água, oxigênio e outros suprimentos para o espaço em torno de 10%.

Tele o quê?

Telepresença se refere a um conjunto de tecnologias que permitem que uma pessoa se sinta como se estivesse presente em um local remoto por meio de estímulos sensoriais como visão, toque, som, etc.

Fora isso a telepresença também exige que o operador tenha condições de interagir com o local remoto (movendo objetos, enviando mensagens, etc.) o que faz com que o canal de comunicação deve ser bidirecional e de baixa latência de modo que a posição, movimentos, ações, voz etc. do usuário podem ser detectados, transmitidos e duplicados no local remoto para criar esse efeito de ambos os lados:

Talvez a aplicação mais comum de telepresença seja a boa e velha videoconferência, apesar de que a chamada telerobótica já começa a se tornar lugar comum especialmente na área de medicina.

Quem é a GITAI?

A Gitai é uma startup com sede em San Francisco e filial em Tóquio fundada em 2017 e cujo negócio é criar robôs capazes de substituir astronautas, reduzindo assim o custo da mão de obra no espaço em até 90%.

Para isso a empresa investe em hardware e software para sistemas robóticos além de técnicas de compressão de dados e comunicação de baixa latência (mais sobre isso adiante).

Porém o que chama a atenção dessa empresa é que ela andou contratando algumas pessoas da notória (e bem misteriosa) SHAFT incluindo o seu CEO e fundador Yuto Nakanishi.

Para quem não sabe, a Shaft foi fundada por membros do laboratório JSK da Universidade de Tóquio que inventaram um novo tipo de motor que foi usado em um robô bípede que participou do DARPA Robotics Challenge de 2013 cujo desempenho foi tão bom que a empresa foi comprada pela Alphabet (uma subsidiária do Google) mas que foi fechada no fim de 2018 por não ter encontrado um comprador (mais sobre isso aqui).

O curioso é que no início desta semana o The New York Times noticiou que, sem fazer muito alarde, o Google reativou sua divisão de robótica, só que mais focada em desenvolver a parte de software de IA do que de hardware.

E qual é a participação da JAXA nessa iniciativa?

Segundo o anúncio de ontem (25/03) os “testes de campo” desse novo robô estão sendo conduzidos numa réplica do seu módulo de pesquisa Kibo que a JAXA mantém na terra para testes e simulações e que será usado pela GITAI como plataforma de testes.

Um dos grandes desafios desse experimento é que na estação espacial, o acesso a rede é bem limitado o que pode comprometer o desempenho do sistema de telepresença.

Mesmo assim o robô da GITAI batizado de Model 6 conseguiu realizar diversas tarefas simples mas que mostraram ser difíceis para outros robôs como ligar e desligar chaves e botões, usar ferramentas, manipular objetos flexíveis e carregar objetos pesados:

Esses testes foram realizados no fim do ano passado entre os dias 25~27/dezembro, sendo que o Model 6 conseguiu realizar 13 das 18 tarefas programadas, ou seja, um nível de sucesso de 72%.

De fato, o anúncio se refere a continuação desses testes nas instalações da JAXA.

Além desse trabalho, a JAXA também anunciou no último dia 12 de março uma outra parceria com a Toyota para desenvolver um veículo de exploração lunar do tamanho de dois micro-ônibus com espaço suficiente para abrigar dois astronautas (ou até quatro numa emergência) e capacidade de percorrer até 10.000 km de solo lunar.

Por que isso é relevante?

Com o crescimento das oportunidades de uso e exploração comercial do espaço — em especial na construção de novas estações orbitais privadas que podem ser usadas tanto para negócios quanto para lazer e turismo — também crescerá a demanda por mão de obra no espaço.

E isso sem falar nos custos envolvidos para o custo desse pessoal dentro de níveis economicamente viáveis, já que trabalhar e viver no espaço pode não ser exatamente uma atividade muito agradável, para não dizer bem perigosa.

Sob esse ponto de vista, o uso de robôs é uma alternativa a ser considerada, principalmente levando em consideração a saúde física e mental dos astronautas.

Mais informações aqui.

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Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

Por Mário Nagano

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