Um passeio fotográfico com o Galaxy S20 Ultra (parte 2)

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Acredito que cada pessoa tem sua lista de prioridades na hora de escolher um celular. O topo da minha lista é a câmera. Precisava trocar o Samsung Galaxy S9 e optei pelo Galaxy S20 Ultra

Texto e fotos por Joel Nascimento Jr., especial para o ZTOP

O superfone da Samsung vem com um complexo sistema de câmeras e lentes que garantem performance nunca antes vistas, principalmente em teleobjetiva. Após alguns dias explorando as capacidades do Ultra, tenho algumas conclusões.

Nota do Henrique: este texto dialoga com a minha experiência com a câmera do S20 Ultra na parte 1 deste texto. O Joel tem uma visão de consumidor que a imprensa especializada não necessariamente tem – e nem sempre gosta de demonstrar interesse.  

Galaxy S20 Ultra: grande angular

Tenho certo medo de grande-angulares em celulares. Algumas vezes os resultados ficam mais para um olho-de-peixe com distribuição não uniforme e distorcida. No geral as imagens ficaram ótimas. Dá pra ganhar alguns “passos pra trás” sem distorção.

Modo Noturno

O elefante no armário do conjunto de câmeras/AI. Para qualquer tipo de imagem animada o modo noturno é impraticável no mundo real. Para criar uma composição, a câmera pede ao menos três (ou mais) segundos de exposição com a câmera parada.

Para imagens estáticas, fica o eterno debate sobre imagens surrealisticamente claras, tirando luz de onde nem existe a olho nu. Aqui comparo o modo automático x modo noturno nos mesmos lugares nas imagens duplicadas:

Macro

O zoom híbrido em 2X gera macros melhores do que com a lente padrão do S20 Ultra. O resultado é satisfatório, apesar do ponto focal ser extremamente reduzido. O que acaba gerando bokeh por uma diferença de milímetros. Tentei ajustar “na unha” pelo modo Pro, sem melhores resultados. 

Isso é um detalhe de um hidrante enferrujado!

Spacezoom e Tele

Aqui mora a verdadeira razão de justificar o preço elevadíssimo do S20 Ultra. Desde que o mundo moderno tornou as câmeras fotográficas amadoras em simples acessórios, o zoom sempre se tornou uma função abandonada e praticamente recolhida à fotografia “profissional”. 

Fiquei muito impressionado com as possibilidades fotográficas do spacezoom desde seu anúncio (e não, você não precisa ser um tipo esquisito que fotografa pessoas a distância pra se beneficiar das vantagens do Spacezoom. Só precisa saber fotografar.

Num campo de até 10X, a qualidade é pra lá de aceitável (inclusive à noite!). Isso quando necessária pois, com 4X já é possível resultados de foco e tele que fazem toda a diferença (dica: você nunca mais fotografará seus bichinhos da mesma forma).

Enquanto o Spacezoom de 100X é uma extravagância que serve mais como um ponto comercial para a Samsung, zoom de até 30X pode ser usado em diversas situações como shows, palestras ou lugares com distância de até 500 metros.

O que eu não gostei na câmera do Galaxy S20 Ultra

  • A interface é confusa. Muitas camadas de funções flutuantes que aparecem ou não. O pequeno controle deslizante para ajustar o brilho da imagem diversas vezes foi confundido com a troca de foto para vídeo. Os botões-atalho para o zoom são úteis, mas seguem uma lógica confusa, pulando de 4 para 10, 30 e 100. 
  • Bixby Vision. Apenas desligue. Sim, é útil, mas a intrusão dela sem solicitação cada vez que você abre a câmera atrapalha mais que ajuda.
  • Autofoco. Seguimos esperando uma solução via software. Se você tem o costume de deixar o foco travado para uso mais elaborado, esse é o humor do autofoco míope do S20 Ultra. 

“E aí, Joel, valeu o investimento?”

Sim. A despeito de todos os extras que o Galaxy S20 Ultra tem acima dos seus parentes da linha S20, a minha escolha foi decidida pela câmera e estou muito feliz com a escolha. Se vale a diferença no valor pago pelo S20 Plus, depende da sua necessidade de uma câmera com uma tele comparável a uma boa point-and-shot com zoom de até 20X. Se você é fotógrafo amador, vai fundo no investimento que não vai se arrepender.

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin é o criador do ZTOP e da newsletter de tecnologia Interfaces. Já escreveu na PC World, PC Magazine, O Estado de São Paulo, Folha de S. Paulo e criou o ZTOP em 2007, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC.

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