50 dias com o Samsung Galaxy Note 8

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A Samsung lança hoje no Brasil seu smartphone topo de topo de linha, o Galaxy Note 8. Em vez de escrever um longo review falando de novo que já disse antes (e repetindo o eco de outros reviews), resolvi listar as coisas que eu mais gostei no aparelho.

Conseguir amostras de produtos para teste um dia após o seu anúncio mundial é algo muito raro.

Nesses dez anos de ZTOP, me lembro apenas do caso histórico do Motorola Razr i, mas nesse foi sorte: eles estavam distribuindo produtos para os jornalistas na saída do evento em Londres, eu me fingi de louco (e fiz um loooongo discurso de convencimento pra Luciana, diretora de comunicações da Moto. Oi Lu!) e voltei para o Brasil com um (rolou um ciúmes forte de um parceiro de negócios meu na época, mas deixa pra lá. Velha máxima: sempre preste atenção nos gadgets que seus colegas de trabalho usam).

Agora com o Note 8 foi um pouco diferente. Ao sair do hotel indo para o aeroporto, a turma de PR da Samsung (oi Claudia! oi Carol!) me surpreendeu com uma caixinha e um lindo, longo e ameaçador termo de confidencialidade prometendo minha alma ao Chaebol em caso de publicação prévia de review. Esse era o único limitante, poderia postar fotos por aí ou fazer um unboxing (estamos em 2017, isso é desnecessário, né).

Nesse meio tempo outros celulares foram anunciados, mas me mantive 75% do tempo com o Note 8. E cheguei a uma conclusão importante após esse tempo – mais do que qualquer outro período que eu tenha passado com um modelo da linha Galaxy Note: a danada da caneta Stylus, ops, S Pen, é viciante. Agora eu entendo porque muitos consumidores no exterior ficaram bravos quando ocorreu o recall do Note 7. Como ficar sem a canetinha? (Samir me fala isso faz tempo, mas olha, era difícil me convencer).

Outro motivo para não escrever um review do Note 8: suas funções principais (ou a maioria delas) são idênticas às do Galaxy S8/S8+ (com algumas melhorias que citarei abaixo).

Então, iniciando a rápida lista de destaques:

A escrita na tela apagada: nesse tempo, tive uma semana inteira de reuniões acompanhando um cliente em São Paulo. O ato de tirar a S Pen do seu compartimento e poder começar a escrever em uma tela escura (as anotações ficam em branco) é libertador. Depois, se quiser ver e-mails ou WhatsApp, basta desbloquear a tela e abrir o aplicativo Samsung Notes para editar sua nota (e cabem fotos, áudios e rabiscos no arquivo, que pode ser exportado para PDF).

O desbloqueio de tela com uso da íris: é melhor e mais rápido (visivelmente mais veloz, trocadilho incluído) que o do Galaxy S8. Grande parte das pessoas pode reclamar do sensor de digitais na parte traseira, mas eu e minhas mãos grandes não temos problema com isso.

A câmera dupla: é o primeiro Galaxy com duas câmeras. Não é o primeiro smartphone com duas câmeras, mas no geral o desempenho do Note 8 é muito bom, equivalente ao S8, um pouco melhor por causa da segunda lente com zoom. E tem o modo Dinâmico, que desfoca o fundo (ele engasga de vez em quando com condições adversas de luz, mas com luz do dia fica excelente). Alguns exemplos:

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Flor #galaxynote8

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O desempenho e a bateria: Em benchmarks, o desempenho do Note 8 é quase idêntico ao do S8+. Rápido, veloz, responsivo (o desbloqueio rápido de íris que o diga), mas o aparelho que recebi veio com hardware coreano com algumas diferenças do modelo brasileiro (como a bandeja para SIM duplo, por exemplo, e alguns bugs de software, como dicas do YouTube alemão na Bixby e um app novo de notícias resumidas, Upday, com a vantagem de ser menos intrusivo que o Flipboard).

Um dos itens criticados por aí quando o Note 8 foi anunciado foi a capacidade menor de bateria (3.300 mAH) em comparação ao S8+(3.500 mAH) e ao Note 7 (também 3.500 mAH). Na prática, não mudou muita coisa não. Meus resultados de uso intenso – incluindo a S Pen e anotações na tela – me fizeram chegar à maioria dos dias com algo entre 28-35% de carga. Precisei usar minha bateria externa somente duas vezes, mas porque o dia tinha sido mais intenso que a média e incluiu video-conferências.

PenUP: é o motivo mais divertido de usar o Note8. É um app cheio de problemas (só funciona online, tem uma interface confusa), que mistura rede social de desenhos/pinturas com atividades/desafios. Na prática, você pode desenhar no Note8 e compartilhar com o mundo seus rabiscos (não é meu caso) ou colorações (sim, o meu caso: pintar desenhos! usar giz de cera sem sujar nada!). E ainda ganha likes por isso 🙂

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Domingo #galaxynote8 #spen

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Em resumo, é isso. O Samsung Galaxy Note 8 se provou um excelente companheiro de testes e é uma recomendação um tanto óbvia de compra: é o melhor smartphone da Samsung (até a chegada do S9 ano que vem). É caro, é para um nicho muito específico (e o S8/S8+ são boas alternativas sem caneta e mais baratas), mas é muito bom. Amanhã, encaixotar o bichinho e devolver para nave-mãe. Esse é daqueles que dão tristeza ao devolver – o que é um excelente sinal.

Samsung Galaxy Note 8

O que é isso? Smartphone de tela gigante topo de linha com Android 7.1.
O que é legal? Desempenho rápido, apps da S Pen, câmera muito boa.
O que é imoral? Design muito parecido com outros modelos da Samsung pode incomodar.
O que mais? É o único smartphone com caneta Stylus, o que dá um diferencial enorme no uso diário. Estou curioso para saber se o iPhone X será mais caro ou barato que o Note 8 no Brasil.
Avaliação: 9 (de 10). Entenda nosso novo sistema de avaliação
Preço sugerido: R$ 4.399 (versão com 64 GB) e R$ 4.799 (128 GB), em pré-venda a partir de hoje
Onde encontrar: Samsung

Sobre o autor

Henrique Martin

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin

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