Gadget do passado: IBM Model M, o teclado “cult”

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Quando o assunto são meus gadgets preferidos, eu não poderia deixar de mencionar o meu bom e velho IBM Model M, considerado Cult pelos seus admiradores, ao ponto de manterem sites dedicados à sua memória, manutenção e uso, além de um verbete no Wikipedia.

Ao contrário dos atuais teclados de bolha que mais parecem brinquedos de plástico, os Model M são os Toyota Bandeirante dos teclados de PCs: grandes, pesados (quase 2,25 kg), robustos e confiáveis ao ponto de agüentar o uso diário por décadas a fio.

Por exemplo, o modelo que uso no meu PC é um MCA64F7707 (foto) produzido pela MC&A no Brasil para os microcomputadores IBM PS/2 em meados da década de 1980, ou seja, quase 20 anos de uso e disposição para mais 20!

Os Model M também são notórios pelo seu barulho característico ao pressionar suas teclas (click!, click!, clack!), o que passa uma sensação táctil bastante agradável para o usuário, mas não necessariamente para o ouvido das pessoas ao redor.

Sob um certo ponto de vista, o Model M é um produto típico do design industrial norte-americano (simples, racional, robusto, meio monótono…) e da empresa que o criou — a IBM — uma expert no assunto, uma vez que ela produziu durante anos máquinas de escrever na sua divisão de Lexington que, posteriormente, daria a origem da Lexmark. De fato, a experiência de uso do Model M (incluindo a barulheira) lembra vagamente a máquina de escrever IBM Selectric, mais conhecida no Brasil como “IBM de esfera”.

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A alma desse teclado está no seu mecanismo patenteado pela IBM, batizado de Buckling Spring, que utiliza uma mola interna que recebe a pressão do dedo do usuário (30~40 gramas de força) e que, após ultrapassar um certo limite (2,5 a 3,5 mm de curso), dispara a chave que produz o “clique” sonoro característico e envia o sinal de qual tecla foi pressionada para o computador, como mostrado no gráfico acima. Não entendeu nada? Veja uma animação nesse site da Coréia.

Além de seu funcionamento veloz e macio, a vantagem desse sistema é que ele produz três tipos de feedback — o táctil, o sonoro e o visual (na tela do PC) — ao contrário das teclas de bolha, que geram apenas o táctil e o visual.

Outra curiosidade desse projeto é que todas as teclas são cobertas por uma sobrecapa de plástico com sua identificação (A, 1, Enter, etc) . Desse modo é fácil reconfigurar o layout do teclado para qualquer tipo de aplicação e/ou idioma bastando apenas usar as sobrecapas corretas. Por causa disso, é muito fácil encontrar teclados IBM Model M no Brasil com layout português-brasileiro (ABNT-2).

Dicas de compra

Como tenho vários Model M em casa que comprei a preço de banana nos sucateir(ops!), quero dizer, “brechós de material eletrônico” da Sta. Ifigênia, sinto me seguro em passar algumas dicas de compra desse produto.

Apesar de ainda poderem ser encontrados nas lojas de usados, sua oferta não é tão ampla como já foi no passado. Mas como os lojistas não reconhecem o Model M como um item premium, a boa notícia é que eles não costumam cobrar a mais por eles, principalmente quando estão amontoados junto a outros nas pilhas de oferta.

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Os melhores negócios que já achei foram nessas condições, pagando algo em torno de 8 a 15 reais por unidade. Já cheguei a ver itens novos na caixa em algumas vitrines, mas nesse caso o preço costuma ser bem mais salgado.

A não ser que você seja um colecionador inverterado (sim, eles existem), evite os modelos mais antigos com conector AT (DIN de 5 pinos — imagem a esquerda), já que muitos deles nem foram feitos para PCs, mas para terminais de mainframe. O mais seguro é investir nos modelos com layout em português ABNT-2 e conector PS/2 que, por sinal, são mais comuns no mercado que os modelos com layout EUA Internacional.

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Como qualquer equipamento usado, verifique o aspecto geral do produto: uma boa apresentação pode não ser garantia de que o produto esteja livre de defeitos, mas sinais de maus tratos podem levantar suspeitas. Examine se o teclado não tem sinais de abuso, como batidas, arranhões, manchas de tinta ou de outros líquidos mais estranhos.

Também cheque se todas as teclas funcionam perfeitamente (se possível, ligue-o num PC) e se elas estão devidamente identificadas. Note que ao ver que uma tecla está sem identificação, com toda certeza ela perdeu sua sobrecapa. Isso pode indicar que o teclado sofreu maus tratos durante sua manipulação e transporte. Outra peça que costuma faltar nesses casos são os pezinhos que ajustam a inclinação do teclado.
Verifique também o estado geral do cabo de conexão com o PC e o conector PS/2. Veja se não existem pinos tortos ou quebrados, mas cuidado para não se enganar: o plug PS/2 do Model M tem apenas 4 pinos ao invés dos 6 visíveis em outros teclados.

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Caso você queira ligar esse teclado num notebook ou PC não possui mais porta PS/2, escrevemos um post sobre esse assunto aqui.

Por ser um equipamento usado, não espere que o teclado esteja limpo e imaculado. De qualquer modo, dê preferência para os exemplares que possam ser limpos com um pano úmido.

Na falta de opção — já que poder comprar um model M “imundo” ainda é melhor do que não poder comprar model M nenhum — é relativamente fácil remover o seu gabinete externo e as sobrecapas as teclas para lavá-las no balde com sabão em pó (mais detalhes aqui).

Alguns links interessantes

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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