Gadget do Dia: Olympus PEN E-P1 Digital (Micro Four Thirds)

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No final da semana passada, a Olympus anunciou sua primeira câmera digital compatível com sua nova baioneta micro Four Thirds a Olympus Pen E-P1, uma homenagem a uma de suas linhas de câmeras amadoras de maior sucesso.

Ao contrário da Panasonic Lumix G1, a Olympus optou por adotar um visual retrô-chique das décadas de 1950 e 1960 para sua nova PEN E-P1, em especial o modelo PEN-F, que introduziu diversas novidades em termos de projeto de câmera — como o formato meio-quadro, porro-prisma com espelho lateral (por sinal revisitada na E-300/330), cortina de metal giratória, além de trabalhar com lentes intercambiáveis.

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A nova EP-1 vem equipada com um sensor CMOS TruePic V de 12 megapixels com estabilizador mecânico, grava vídeos no formato HD (com ajuste de profundidade de campo), tela LCD de 3″  e algumas tecnologias que já foram vistas em outros modelos da empresa como a E-30 e E-620 como nível digital e filtros artísticos. Ele mede aproximadamente 12 x 7,0 x 3,6 cm (LxAxP) e 334 gramas de peso. Como nos modelos em que ela foi inspirada, a  E-P1 não tem com flash embutido, mas vem equipado com uma sapata para instalar um flash externo ou mesmo um visor óptico. O seletor de modos na forma de botão de volume de radinho de pilha também foi inspirado no botão de puxar filme das  Olympus Pen e Trip 35 da época.

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Além disso a empresa também está lançando uma série de acessórios como capa de couro, flash externo (que não existe na câmera) e até visor óptico. Além da duas lentes originais, a Olympus vai oferecer anéis adaptadores para as atuais lentes  Four-Thirds e outro que permite usar as antigas lentes Zuiko com baioneta OM (de foco manual) na E-P1, a exemplo do que já acontece hoje com as atuais câmeras E-Volt.

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A câmera já entrou em pré-venda na Amazon.com pela bagatela de US$ 799,99.

Momento Cultural Zumo:

A Olympus Pen popularizou um curioso formato conhecido por “meio-quadro” (18 x 24 mm). O grande argumento de venda dessa câmera era que seria possível tirar o dobro de fotos com a mesma quantidade de filme usada em outras câmeras de 35 mm “full frame” (24 x 36 mm)  ou seja, 24 exposições num filme de 12, 48 num filme de 24, 72 num filme de 36 e assim por diante. Mas o que muitos consumidores descobriam na prática, era que nem todo mundo tinha saco de tirar 72 fotos numa arrancada só ou esperar até o filme acabar para mandar revelar o filme. E isso sem falar que o que o fotógarfo economizava com filme ele gastava a mais com as ampliações que praticamente dobravam. 😛

Assim, o meio-quadro realmente prosperou entre os fotógrafos profissionais que usavam o meio quadro em trabalhos que demandavam grandes quantidades de registros como tirar fotos de alunos nas famosas lembranças da classe ou na produção de  monóculos. Para saber mais sobre a história da Olympus Pen clique aqui.

Para resolver esse problema de custo x benefício, a  empresa lançou a Olympus Trip 35, Um modelo baseado na mesma tecnologia Pen EE porém no formato 24 x 36 mm. Alguns a consideram o fusquinha da fotografia clássica — com mais de 10 milhões de unidades vendidas em 20 anos de carreira — o que mantém o seu preço baixo no mercado de usados até mesmo no Brasil.

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Na época em que auto-foco ainda era tecnologia de outro planeta, a Trip 35 era simples e confiável bastando o fotógrafo selecionar uma das suas 4 zonas de foco (marcados com ícones do tipo fotografar uma pessoa, duas pessoas, três pessoas e paisagem)  enquadrar o tema e disparar. Seu sistema de exposição automática utilizava uma enhenhosa célula de selênio (que não usa bateria) montada ao redor de sua objetiva de 40 mm (baseada no cultuado desenho Zeiss Tessar) que movia o ponteiro de um galvanômetro interno conectado diretamente no seu controle de abertura do diafragma, ou seja, um modo de AE que até travava o disparador, caso a iluminação ambiente fosse insuficiente e que também impedia que alguém tirasse uma foto com sua tampa na lente. O sensor na forma de anel também permitia a compensação automática da exposição quando rosqueamos  filtros coloridos ou de densidade neutra (ND) sobre a lente.

Reza a lenda que a inspiração para construir uma câmera com exposição automática nasceu quando Yoshihisa Maitani — o criador da Olympus Pen — ia para o trabalho e viu uma mulher tirando uma foto de seu filho com uma Pen e notou como ela estava tendo dificuldades com seus ajustes. Na época, a maioria dos consumidores de câmeras eram homens que adoram engenhocas mecânicas cheias de botões e ajustes manuais (como os geeks de hoje) de modo que ele vislumbrou todo um novo público-alvo a ser explorado por produtos mais amigáveis para todos aqueles mais preocupados em tirar fotos do que brincar com suas câmeras, caso do público feminino. Algo que chamamos hoje de “user-friendly”.

A adoção de um desenho simples, compacto e confiável — aliado com facilidade de uso, baixo custo de aquisição, excelente ótica e funcionar sem bateria permitiu que a Trip 35 fosse capaz de ir em muitos lugares e tirar fotos em condições onde outras câmeras falharam, como na cordilheira do Himalaia.

Sobre o autor

Mário Nagano

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World.
Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

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