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Gadget do dia: Máquina de escrever “digital” Freewrite

Descrita como uma “ferramenta de escrita sem distrações”  o Freewrite se limita ao básico, ou seja, rascunhar textos e armazená-los da nuvem.

Voltado para aqueles escritores, jornalistas, novelistas, poetas, roteiristas, etc. que procuram algo simples, prático e confortável para colocar suas idéias no computador, mas não querem se expor às distrações (muitas vezes procrastinatórias) do mundo on-line, como ler um post do Ztop, assistir a um videozinho do YouTube, ver o que estão falando mal de você no Facebook, ficar indignado e ir chorar as pitangas no Twitter/Instagram/WhatsApp da vida, o Freewrite é a primeira máquina de escrever conectada do mercado:

Freewrite_overall

Desenvolvido pela empresa Astrohaus, o Freewrite é o que Mike Bell chamaria de metáfora, ou seja, um dispositivo que nos faz lembrar de algo familiar — o que facilitaria a sua aceitação e uso. Neste caso, o Freewrite lembra (e se comporta) como se fosse uma máquina de escrever portátil na forma de malinha…

Freewrite_lado

… com alça de transporte e tudo:

Freewrite_tras

O Freewrite não se parece em nada com um notebook ou tablet com teclado: Ele mede aproximadamente 29,8 x 7,0 x 23,7 cm (LxAxP), seu gabinete é feito de alumínio e o seu teclado é do tipo mecânico (tecnologia Cherry MX Brown). Isso deve explicar em parte o seu peso de 1,8 kg, o que inclui uma bateria interna de Li-Po com autonomia estimada de 4 semanas, se considerarmos um uso médio de 30 minutos por dia.

Freewrite_em_uso

O sistema ainda conta com duas telas com tecnologia e-ink (a mesma usada no Kindle): a principal de 12,1 x 6,8 cm usada para apresentar o texto e a secundária, de 11,3 x 1,8 cm, usada para mostrar mensagens do sistema. O teclado está disponível nos padrões ANSI e ISO e pode ser configurado para suportar diversas línguas, como inglês, alemão, francês, espanhol, português, etc. Idiomas adicionais serão implementados por meio de atualizações de firmware.

Freewrite_diagram

Um detalhe bastante curioso (e bem retrô) desse produto é a presença de duas “chaves de onda” de três posições: A da esquerda (folder) permite que o usuário alterne entre três documentos abertos ao mesmo tempo. Já o da direita (wifi), permite conectar o dispositivo com a internet via WiFi para armazenar/sincronizar dados com um serviço na nuvem da própria empresa chamada Postbox que, por sua vez pode se conectar com outras aplicações de armazenamento na nuvem, como DropBox, EvernoteGoogle Drive.

Freewrite_chave_wifi

A empresa não divulgou sua quantidade de memória interna, mas afirma que ela é capaz de armazenar mais de 1 milhão de páginas.

Segundo o FAQ da empresa, não é possível (de uma maneira simples) transferir o seu conteúdo direto para um PC via cabo USB. E para imprimir um texto, o sistema possui um comando específico (Send)  que envia o mesmo em pdf anexado num email para a conta do usuário cadastrado.

O texto armazenado em si não é exatamente “puro” já que ele aceita formatações simples baseadas no sistema Markdown. Fora isso o sistema oferece suporte para elaborar rascunhos de roteiros e scripts.

Outra característica (polêmica?) do Freewrite é que fora o [Backspace] ele não possui teclas direcionais, nem de edição como [Ins], [Del], etc.

Isso porque — segundo seus desenvolvedores — a ideia por trás desse produto é que ele não é exatamente um “editor/processador de textos” e sim uma “máquina de rascunhos” onde o usuário deveria focar o seu esforço apenas na organização das ideias e passá-las rapidamente para o computador, mais ou menos como se fazia nas máquinas de escrever. Sob esse ponto de vista, parar no meio de uma frase, pensar melhor, voltar e reescrevê-la também pode ser considerado uma “distração” que esse produto procura evitar

Royal_Epoch

Uma explicação mais detalhada pode ser lida aqui.

O preço sugerido desse produto é de US$ 549, mas o dispositivo já pode ser encomendado no site da empresa pela bagatela de US$ 499 com previsão de envio em setembro de 2016 até para o Brasil, mas o consumidor precisa estar atento para o pagamento de extras — como taxas e impostos — tanto na origem quanto no destino.

Mais informações aqui e aqui.

Ainda em tempo:

O Freewrite não é o primeiro dispositivo de escrita eletrônico focado na elaboração de textos “puros”. No passado, já tivemos o Dana e o Neo da AlphaSmart, que era — na sua essência — um handheld com Palm OS super modificado com uma tela maior e teclado de notebook….

Alphasmart_Neo

… e até nos dias de hoje temos a linha de dispositivos Pomera fabricados pela japonesa King Jim:

King_Jim_pomera

A grande diferença do Freewrite em relação a esses produtos é sua capacidade de sincronizar seus arquivos na nuvem e na ausência de recursos de edição, o que pode até parecer uma forçação de barra por parte do fabricante, mas acredito que, no fim das contas, o que vale mesmo é a satisfação do cliente que, se não gostar dessa abordagem filosófica, pode botar a boca no trombone e até forçar a sua implementação por meio de atualização de firmware.

O botão de iniciar do Windows 8 que o diga!

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Opa, o preço é em dólares, não em reais.

    • Mario Nagano

      Ops, falha nossa e já corrigido!

      Brigadão pelo toque César. 😀😀😀

  • seria interessante se permitisse edição rápida, já sairia com o texto mais conciso.
    E pq não enviar como TXT?

    No final das contas, tudo isso é em vão pois o preço é desanimador… 🙁

    • Mario Nagano

      Como disse no texto, a intenção do Freewrite não é de ser um processador/editor de textos e sim uma ferramenta de captura de idéias na forma de rascunhos de texto:

      ” Virtually all writers recognize that two of the hardest parts of
      writing is to get focused and then stay focused. The Freewrite was
      designed to be the ultimate drafting machine with the best hardware and
      also a very carefully designed software experience with these problems
      in mind. Every single element of the product, hardware and software, is
      designed to remove as much friction from the writing process as possible
      in order to keep you focused and thus encourage flow. If flow is our
      goal, that means that friction is the enemy.

      Friction in the writing process takes many forms but one of the
      biggest problems is ourselves. We are our own worst enemies by
      constantly second guessing every word and sentence. To maximize writing
      productivity and minimize writer’s block, that type of scrutiny should
      come after, not during the drafting process. As it comes, the
      Freewrite’s editing functionality is limited to using the [backspace]
      key only. You can review what was written before using the [pg up] and
      [pg dn] keys but there is no way to move the cursor into the document or
      copy/paste.

      No, the Freewrite is not trying to punish you. Quite the opposite!
      It removes subconscious barriers and lets you write with maximum
      productivity. We have heard from many writers that they have seen their
      hourly word count double using a Freewrite!

      This method is not something the Astrohaus team came up with or
      for which we can take credit. In many MFA programs and writing courses,
      it is taught to separate the writing process into two parts, drafting
      and editing. The Freewrite is a tool designed for the millions of
      writers that find this style of free-form drafting critical to their
      workflow. We also hope it will help others looking to maximize the
      writing flow state”

      Capsice?

      • Adriano De Lima

        Acredito que um editor simples, com interface minimalista, num dispositivo leve e fácil usar/começar a escrever, que me permita editar e não me interromper com mensagens (popups) aleatórios já fará muito pela produtividade criativa da pessoa.

        • Mario Nagano

          • Adriano De Lima

            Bem melhor!

          • Mario Nagano

            O que achei mais bacana desse produto é o seu método de transferir dados para o PC: Vc conecta ele no PC via cabo USB como se fosse um teclado e ele literalmente redigita na hora o texto contido na sua memória no wordpad!

          • Adriano De Lima

            Simples e genial, fora que deve ser bem legal ver o aparelho “escrever” em super velocidade.

          • Mario Nagano

            Obra do capeta, isso sim! 😉