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Gadget gigante do dia: Ford Cargo 2042/2082

Caminhões podem ser divertidos. Eu, que achava que caminhão era tudo igual, tive diversão garantida ao andar em um novo modelo que a Ford anunciou no deserto do Atacama: os novos Cargo Extrapesado 2042/2082.

Não, este site não vai se tornar especializado em veículos de grande porte (apesar de a tecnologia embarcada e as inovações serem enormes). E tem bastante coisa avançada aqui que seria incrível ver em carros de passeio “leves”.

Aula de caminhão parte 1: Carros (ou gadgets) são pensados para ter uma vida útil mais curta, caminhão é pra durar muito mais tempo (um modelo desses custa a partir de R$ 260 mil, sem serviços adicionais – e tem que retornar o investimento pro dono).

Aula de caminhão parte 2: este é um extrapesado porque consegue carregar até 56 toneladas de carga. Até então, a Ford não atuava nessa área (e diz que já vendeu mais de 50 unidades antes de começar a produzir).

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A primeira coisa que se nota ao ver os Cargo Extrapesados – que vieram de São Bernardo do Campo, em São Paulo, até o norte do Chile em uma viagem de 12 dias, com direito a estradas fechadas na Cordilheira dos Andes e explicar por dois dias para a aduana do Chile por que diabos 11 caminhões vazios estavam indo para o deserto – é o design, que lembra os outros veículos considerados “globais” pela companhia americana, como a Ecosport nova.

O projeto todo – design e engenharia – dos novos Cargo foi feito entre Brasil (no escritório de design de Camaçari, na Bahia) e Europa. Mas como levar o design de um veículo menor, como uma Ecosport ou um Fiesta, a um caminhão gigante? João Marcos Ramos, chefe de design da Ford, diz que é bem mais complicado, porque a frente do caminhão tem menos curvas e mais superfície para trabalhar – e em uma área achatada (bons tempos dos caminhões com motor na frente de tudo).

O esforço é adaptar as linhas e deixá-lo grande e elegante (conversando com os colegas jornalistas caminhoneiros, sim, o povo que vive de pegar estrada com carga gosta de um bom design). Não é à toa que os Cargo virão em seis cores (incluindo o azul e o vermelho vistos aqui neste post).

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Além da obrigação de ser bonito, o caminhão precisa ser durável. Os testes foram feitos em extremos (frio em um lago congelado na Suécia para avaliação de frenagem e desempenho no calor no deserto da Arábia Saudita) para garantir a eficácia do caminhão.

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Quando você entra no Cargo, é um carro aprimorado por dentro. Painéis com indicadores em luz azul (outro padrão Ford vindo dos carros), assento ergonômico, um monte de compartimentos para guardar coisas, ar-condicionado, travas e vidros elétricos. A ideia é ter conforto ao máximo (ainda espero pelo dia que o caminhão terá seu banheiro particular).

Do lado tecnológico, um computador de bordo com informações sobre estado e condições do caminhão (marcha, consumo, autonomia etc), piloto automático (!) que permite ao motorista manter a velocidade e controlar apenas o volante (um toque no freio/acelerador interrompe o processo) e um moderníssimo (</ironia>) rádio com toca-MP3 e porta USB (nada de Sync por aqui, nem um útil GPS de fábrica).

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Andei como passageiro em um dos Cargo em um trecho de estrada aqui no Atacama: a cabine tem amortecedores que minimizam o impacto – e nem parece que é um caminhão (tirando a altura, claro, que precisa ser escalada pelo motorista e pelo passageiro). No geral, balançou menos que a cabine do ônibus que vinha atrás e estavam os demais testadores de caminhão. E o piloto automático impressiona.

Mais detalhes da cabine por dentro:

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Atrás dos assentos, uma cama de 1,90 metro:

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Ainda no lado tecnológico, mas que não aparece no painel nem no chassi, é o fato de os Cargo terem algumas camadas de segurança adicional: as chaves vêm com código eletrônico que trava o motor se uma chave não-autorizada for inserida na ignição (!) e a Ford oferece um sistema de rastreamento (FordTrac) para telemetria, logística e segurança – usa uma conexão básica GPRS e satélites GPS para localizar o caminhão, checar sua performance e acompanhar a carga (e ainda reduzir o valor do seguro). Pelo valor sugerido de cada caminhão, é o mínimo para garantir o retorno do investimento.

Mais informações na Ford Caminhões.

Leituras adicionais especializadas:
Automotive Business
Transporte Mundial
Carpress

Disclaimer: ZTOP foi ao Atacama, dormiu pouco, fotografou a via Láctea e andou de caminhão (e de van e de ônibus) a convite da Ford. Todas as opiniões e fotos são nossas.

 

 

Henrique Martin já escreveu na PC World, PC Mag, Folha de S. Paulo e criou o Zumo em 2007. Em 2011, o Zumo se transformou no ZTOP, referência em conteúdo original sobre tecnologia em um mundo pós-PC. Siga-o no Twitter: @henriquemartin