ZTOP+ZUMO (tech, opinião, inteligência)

Gadget de desagravo: lente Nikon AF-S DX NIKKOR 35mm f/1.8G

nikon_50

Nem íamos falar dessa lente Nikon para câmeras D-SLR, mas acreditamos que ela precisa de uma nota de desagravo para corrigir a desinformação que circula por aí com certo destaque por ser “boa e barata”. Num mundo online onde noticiários são “fábricas de linguiça” com notas cheias de qualquer coisa, resolvemos defender a Nikon da pressa e da falta de informação (nós estudamos fotografia, por sinal).

Pelo que posso ver na ilustração e no press release da Nikon nos EUA, o produto com o nome de “AF-S DX NIKKOR 35mm f/1.8G” quer dizer o seguinte: trata-se de uma nova lente AF-Nikkor de 35 mm com abertura máxima de f/1.8. Uma lente “prime” (ou premium) do tipo “normal” (algo como 52 mm em sistemas 35 mm) com um diafragma de sete lâminas e indicada para as novas D-SLR da Nikon que não têm motor interno como as D40 e D60.

Curiosamente, a tal nota publicada diz que essa lente tem uma abertura de f/3.5 o que, na minha época não era chamado de “lente rápida” já que uma abertura de f/3.5 deixa entrar algo como um quarto da luz de uma f/1.8 com diafragma de nove lâminas (oops, são sete apenas). A mesma notícia também diz que a lente tem distância focal de 11,7 polegadas ou 297,1 mm ou 8,4 vezes mais longa do que o marcado no produto. Para mim, uma lente de ~ 300 mm estaria mais para isso.

O preço sugerido não está de todo errado já que o Amazon já vende essa lente desde ontem (e já acabou!) por US$ 199, apesar do preço sugerido de US$ 240. Segundo o Dpreview, os bretões irão desenbolsar algo como 199 libras e o pessoal do resto da Europa, 243 euros. “Baratinho” pra mim é a Zoom Nikon 18-55mm f/3.5-5.6G AF-S DX VR Nikkor que sai por US$ 177 no mesmo site “gringo” (e com desconto).

Anyway, who cares?

BTW, aqui no Zumo não temos por hábito fazer um blog de copiar e colar sites gringos (achamos que é fácil encher um blog de qualquer coisa sem criar conteúdo próprio – apuração, teste, papo com fontes -, só “citando” fontes de fora e “dando” duas linhas de opinião). Se – e quando fazemos – algo assim, damos o crédito (é o mínimo de etiqueta online, certo?).

Update 1 – Novos comentários estão bloqueados neste post. Alguns foram apagados também. Não quero entrar na discussão inútil de jornalismo, blogueiros e, por que não, fotógrafos. Isso nunca leva a nada. – Henrique

Update 2 – A nota original com informações incorretas foi corrigida. Os leitores, daqui e de lá, saem ganhando.

Desde o século passado Mario Nagano analisa produtos e já escreveu sobre hardware e tecnologia para veículos como PC Magazine, IDGNow!, Veja e PC World. Em 2007 ele fundou o Zumo junto com o Henrique assumindo o cargo de Segundo em Comando, Editor de Testes e Consigliere.

  • Depois do cloud computing, vem aí o cloud journalism – uma nuvem de informações esparsas, imprecisas e desconexas, cujo sentido só aparece para quem vê o panorama todo a uma distância segura…

    • acho que no “cloud journalism” só vai entender o panorama quem entende mesmo do assunto…

  • Luis Ricardo Brochma

    Sou da opinião que jornalista não deve saber de tudo de um ramo específico, nem mesmo os que trabalham com tecnologia – e dependem muito das matrizes lá de fora. Escrevo no momento sobre esportes e automobilismo, nem por isso sou uma autoridade no assunto e sei sobre a montagem de um carro, ou detalhes perfeitos de esquemas táticos. Mesmo assim não deixo de tentar tomando como base outros depoimentos e teorias.

    Talvez falte um pouco de humildade no Zumo, que também já deu suas mancadinhas. Estamos todos no mesmo barco furado do jornalismo na internet. O parenteses "nós estudamos fotografia, por sinal' soou pedante. Fora que o ato de assar, fritar e gratinar releases não é o que chamamos de jornalismo modelo, certo? É o que mais vejo no Zumo, e não acho falha grave, penso ser natural.

    E penso que esta citação foi feliz e serve para todos: "Num mundo online onde noticiários são “fábricas de linguiça” com notas cheias de qualquer coisa, resolvemos defender a Nikon da pressa e da falta de informação". No mais, gosto do blog de vocês do Zumo e não condeno o erro que li no site da INFO, que também aprecio bastante. É algo humano, ainda mais com tantos conflitos de informação. Temos que fazer uma triagem amigável na internet, pois é onde cada vez mais público e mídia irão interagir, quase colaborativamente.

    Abraços!

    rickbrochman@yahoo.com.br

  • Gabriel Marigo

    Bom, antes de descascar outros blogs por passar informações erradas, e se gabar de estudar fotografia, vocês deveriam no mínimo verificar as suas informações antes de postar. Se não tivessem descascado ninguém, eu até deixaria passar, afinal, como falaram, não espero que todos os jornalistas entendam de fotografia.

    Mas vamos lá. Uma pente “Prime” não tem NADA de premium. É apenas um “apelido” para lentes de distância focal fixa, ou seja, que não sejam zoom. Aliás, as lentes mais vagabundas e baratas de todos os fabricantes, são primes.

    Outra coisa, f/1.8, apesar de parecer matematicamente bem perto da metade de f/3.5, na verdade equivale a exatos 2 pontos de luz de diferença, ou seja, 4 vezes mais luz.

    E para terminar, como vcs não citaram o artigo em questão, não posso saber como estava escrito, mas essa distância de 11,7″ é a distância mínima de foco que a lente é capaz. Não sei agora se eles traduziram errado, ou vocês que interpretaram errado.

    Anyway, isso já é o suficiente para mostrar que é bom ter certeza absoluta do que fala, antes de descascar alguém.

    E sim, tenho certeza de tudo que falei.

  • Oi Gabriel,

    Oh really? Ok, vamos por partes:

    prime = adjective, noun, verb, primed, prim⋅ing. –adjective

    1. of the first importance; demanding the fullest consideration: a prime requisite.
    2. of the greatest relevance or significance: a prime example.
    3. of the highest eminence or rank: the prime authority on Chaucer.
    4. of the greatest commercial value: prime building lots.
    5. first-rate: This ale is prime!

    Até onde me lembro, a associação das lentes de foco fixo com o termo “prime” vem do fato delas produzirem imagens de melhor qualidade do que as zooms que sacrificam um pouco do desempenho óptico em favor da flexibilidade.

    Aliás, se você afirma que todas as lentes vagabundas e baratas de todos os fabricantes são primes (= foco fixo), como explicar por que a maioria das empresas colocam uma zoom em seus kits de câmeras com lente?

    Com relação ao número F eu parti da escala e pontos cheios (f/2, f/2,8, f/4) e não de terços (f/1,8, f/2, f/2,2, f/2,5, f/2,8, etc.) para fazer minhas contas. E nesse caso você tem razão: na ponta do lápis são dois pontos de exposição. Entretanto, isso não muda minha opinião de que uma lente f/3,5 não pode ser chamada de rápida.

    Com relação ao artigo em questão, pode acreditar em mim. O texto dizia — possui distância focal de 11.7″. Como provar? Guardei um screenshot da tela.

    De qualquer modo, não me leve a mau Gabriel. A intenção dessa nota não foi de ficar “descascando pessoas” (pra mim isso é coisa de tarado). Nesse ponto eu concordo com o Luiz — um errinho aqui e outro ali tudo bem — mas quando você se depara com um atrás de outro, aí não tem leitor (nem blogueiro) que aguente.

    ‘nuff said.

    [ ]s

    M.